História da MPB - Volume 01 - Noel Rosa [1970]
Primeiro filho de seu Manoel e dona Marta de Medeiros Rosa, Noel veio ao mundo em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro,
RJ, em parto difícil - para não perderem mãe e filho, os médicos usaram o fórceps para ajudar, o que acabou causando-lhe a
lesão no queixo, que o acompanhou por toda a vida.
Franzino, Noel aprendeu a tocar bandolim com sua mãe - era quando se sentia mais importante, lá no Colégio São Bento.
Sentava-se para tocar, e todos os meninos e meninas paravam para ouvi-lo extasiados. Com o tempo, adotou o instrumento que
seu pai tocava, o violão.
Magro e debilitado desde muito cedo, dona Marta vivia preocupada com o filho, pedindo-lhe que não se demorasse na rua e que
voltasse cedo para casa. Sabendo, certa vez, que Noel iria à uma festa em um sábado, escondeu todas as suas roupas. Quando
seus amigos chegaram para apanhá-lo, Noel grita, de seu quarto: "Com que roupa?" - no mesmo instante a inspiração para seu
primeiro grande sucesso, gravado para o carnaval de 1931, onde vendeu 15000 discos!
Foi para a faculdade de medicina - alegria na família - mas a única coisa que isso lhe rendeu foi o samba "Coração" - ainda
assim com erros anatômicos. O Rio perdeu um médico, o Brasil ganhou um dos maiores sambistas de todos os tempos.
Genial, tirava até de brigas motivo de inspiração. Wilson Batista, outro grande sambista da época, havia composto um samba
chamado "Lenço no Pescoço", um ode à malandragem, muito comum nos sambas da época. Noel, que nunca perdia a chance de brincar
com um bom tema, escreveu em resposta "Rapaz Folgado" (Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália /
Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha) . Wilson, irritado,
compôs "O Mocinho da Vila, criticando o compositor e seu bairro. Noel respondeu novamente, com a fantástica "Feitiço da
Vila". A briga já era um sucesso, todo mundo acompanhando. Wilson retorna com "Conversa Fiada" (É conversa fiada / Dizerem
que os sambas / Na Vila têm feitiço) . Foi a deixa para Noel compor um dos seus mais famosos e cantados sambas, "Palpite
Infeliz" . Wilson Batista, ao invés de reconhecer a derrota, fez o triste papel de compor "Frankstein da Vila" , sobre o
defeito físico de Noel. Noel não respondeu. Wilson insistiu compondo "Terra de Cego". Noel encerra a polêmica usando a mesma
melodia de Wilson nessa última música, compondo "Deixa de Ser Convencido"
Noel era tímido e recatado, tinha vergonha da marca que trazia no rosto, evitava comer em público por causa do defeito e só
relaxava bebendo ou compondo. Sem dinheiro, vivia às custas de poucos trocados que recebia de suas composições e do auxílio
de sua mãe. Mas tudo que ganhava era gasto com a boemia, com as mulheres e com a bebida. Isso acelerou um processo crônico
pulmonar que acabou em tuberculose. Noel morreu no Rio de Janeiro, em 04 de maio de 1937, aos 26 anos, vitimado pela doença.
Carô Murgel
faixas:
lado 1
01 - último desejo
[noel rosa]
aracy de almeida com boêmios da cidade
02 - três apitos
[noel rosa]
maria bethânia com acompanhento de violão
03 - dama do cabaré
[noel rosa]
orlando silva com regional
04 - conversa de botequim
[noel rosa e vadico]
martinho da vila com regional de canhoto
lado 2
01 - palpite infeliz
[noel rosa]
aracy de almeida com regional
02 - quem ri melhor
[noel rosa]
marília baptista e noel rosa com reis do ritmo
03 - o orvalho vem caindo
[noel rosa e kid pepe]
almirante com diabos do céu
04 - com que roupa?
[noel rosa]
martinho davila com regional de canhoto
História da MPB - Volume 02 - Pixinguinha [1970]
Considerado um dos maiores gênios da música popular brasileira e mundial, Pixinguinha revolucionou a maneira de se fazer
música no Brasil sob vários aspectos. Como compositor, arranjador e instrumentista, sua atuação foi decisiva nos rumos que a
música brasileira tomou. O apelido "Pizindim" vem da infância, era como a avó africana o chamava, querendo dizer "menino
bom". O pai era flautista amador, e foi pela flauta que Pixinguinha começou sua ligação mais séria com a música, depois de
ter aprendido um pouco de cavaquinho. Logo começou a tocar em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de
gravações ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam violão. Rapidamente criou fama como flautista graças aos
improvisos e floreados que tirava do instrumento, que causavam grande impressão no público quando aliados à sua pouca idade.
Começou a compor os primeiro choros, polcas e valsas ainda na década de 10, formando seu próprio conjunto, o Grupo do
Pixinguinha, que mais tarde se tornou o prestigiado Os Oito Batutas. Com os Batutas fez uma célebre excursão pela Europa no
início dos anos 20, com o propósito de divulgar a música brasileira. Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande
importância na história da indústria fonográfica brasileira. A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que organizou em 1928
junto com o compositor e sambista Donga, participou de várias gravações para a Parlophon, numa época em que o sistema
elétrico de gravação era uma grande novidade. Liderou também os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de
Pixinguinha. Nos anos 30 e 40 gravou como flautista e saxofonista (em dueto com o flautista Benedito Lacerda) diversas peças
que se tornaram a base do repertório de choro, para solista e acompanhamento. Algumas delas são "Segura Ele", "Ainda Me
Recordo", "1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo", "Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas", "As Proezas do Nolasco",
"Sofres Porque Queres", gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos. Em 1940, indicado por Villa-Lobos, foi o
responsável pela seleção dos músicos populares que participaram da célebre gravação para o maestro Leopold Stokowski, que
divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra da gravadora
Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira
de se fazer orquestração e arranjo. Trocou de instrumento definitivamente pelo saxofone em 1946, o que, segundo alguns
biógrafos, aconteceu porque Pixinguinha teria perdido a embocadura para a flauta devido a problemas com bebida. Mesmo assim
não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte, em 1964, que o obrigou a permanecer 20 dias no hospital. Daí
surgiram músicas com títulos "de ocasião", como "Fala Baixinho" Mais Quinze Dias", "No Elevador", "Mais Três Dias", "Vou pra
Casa". Depois de sua morte, em 1973, uma série de homenagens em discos e shows foi produzida. A Prefeitura do Rio de Janeiro
produziu também grandes eventos em 1988 e 1998, quando completaria 90 e 100 anos. Algumas músicas de Pixinguinha ganharam
letra antes ou depois de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em 1917, gravada pela primeira vez em 1928, de
forma instrumental, e cuja letra João de Barro escreveu em 1937, para gravação de Orlando Silva. Outras que ganharam letras
foram "Rosa" (Otávio de Souza), "Lamento" (Vinicius de Moraes) e "Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello de Carvalho).
fonte: clique music
Faixas:
Lado 1
01 CARINHOSO
Orlando Silva
02 A VIDA É UM BURACO
Pixinguinha
03 SAMBA DE FATO
Patrício Teixeira
04 LAMENTO
Jacob do Bandolim e Época de Ouro
Lado 2
01 ROSA
Orlando Silva
02 URUBU
Oito Batutas
03 PÁGINA DE DOR
Orlando Silva
04 1 X 0
Pixinguinha e Benedito Lacerda
História da MPB - Vol. 03 - Dorival Caymmi [1970]
Compositor baiano responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, seu estilo inimitável de compor e
cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. Em Salvador teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como
cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936. Dois anos mais tarde foi para o Rio de
Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão
que já havia exercido em Salvador. Mas, incentivado pelos amigos, muda de idéia e resolve enveredar para a música. Primeiro,
por obra do acaso, tem sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen
Miranda. Em seguida sua música "O Mar" foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em
diante seu prestígio foi se ampliando. Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se
casou em 1940 e permanece casado até hoje. Seus filhos Dori, Danilo e Nana também são músicos. As canções que celebrizaram
Caymmi versam na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar,
de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros. Algumas das mais marcantes são "A Lenda
do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não Tem Solução", "João Valentão", "Maracangalha",
"Saudade de Itapoã", "Doralice", "Samba da Minha Terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos Pescadores", "Sábado em Copacabana",
"Nem Eu", "Nunca Mais", "Saudades da Bahia", "Dora", "Oração pra Mãe Menininha", "Rosa Morena", "Eu Não Tenho Onde Morar",
"Promessa de Pescador", "Das Rosas". Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de
versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em
quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas. A editora Lumiar lançou em 1994 o songbook
com suas obras, acompanhado por três CDs.
Faixas:
Lado 1
01 O MAR
Dorival Caymmi
02 VOCÊ JÁ FOI A BAHIA?
Os Anjos do Inferno
03 JOÃO VALENTÃO
Dorival Caymmi e Oswaldo Borba e sua Orquestra
04 SAMBA DA MINHA TERRA
João Gilberto
Lado 2
01 O QUE É QUE A BAIANA TEM?
Carmen Miranda e Dorival Caymmi
02 O VENTO
Dorival Caymmi
03 MARINA
Dick Farney
04 MARACANGALHA
Dorival Caymmi
História da MPB - Volume 04 - Chico Buarque [1970]
Compositor, intérprete, poeta e escritor, Chico Buarque é hoje uma referência obrigatória em qualquer citação à música
brasileira dos anos 60 pra cá. Sua influência é decisiva em praticamente tudo que aconteceu musicalmente no Brasil nos
últimos 35 anos, pelo requinte melódico, harmônico e poético que suas obras apresentam. Filho do historiador Sergio Buarque
de Hollanda, morou em São Paulo, Rio e Roma durante a infância. Desde criança teve contato em casa com grande personalidades
da cultura brasileira, como Vinicius de Moraes (que viria a se tornar seu parceiro), Baden Powell e Oscar Castro Neves,
amigos dos pais ou da irmã mais velha, Miúcha, também cantora e violonista. Em 1964 começou a se apresentar em shows de
colégios e festivais e no ano seguinte gravou pela RGE o primeiro compacto, com "Pedro Pedreiro" e "Sonho de um Carnaval".
Desde então não parou mais de compor e se apresentar, participando de festivais internacionais de música, atuando no programa
O Fino da Bossa, da TV Record. ainda em 65, musicou o poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, que fez
enorme sucesso no Brasil e na França, para onde excursionou, arrancando elogios até mesmo do poeta João Cabral, que admite só
ter autorizado a utilização do poema por amizade ao pai de Chico. Com o Festival de Record de 1966 tornou-se conhecido no
Brasil inteiro por sua música "A Banda", interpretada por Nara Leão, que conseguiu o primeiro lugar (empatada com
"Disparada", de Geraldo Vandré e Theo de Barros). Sua participação em festivais foi definitiva para a consolidação de sua
carreira. Fez sucesso com "Roda Viva", "Carolina" e "Sabiá", e defendeu ele mesmo suas músicas "Benvinda" e "Bom Tempo".
Lançou LPs no fim da década de 60, fazendo shows na França e Itália, onde morou por aproximadamente um ano. De volta ao
Brasil, fez música para cinema e gravou um de seus discos mais bem-sucedidos, "Construção". Várias de suas composições e
peças de teatro tiveram problemas com a censura na época da ditadura militar, e chegou a usar o pseudônimo Julinho de
Adelaide para assinar algumas de suas músicas, como "Acorda, Amor". No teatro, escreveu "Gota D'Água" com Paulo Pontes, e a
"Ópera do Malandro". Como escritor, lançou em 1991 o romance "Estorvo" e, quatro anos depois, "Benjamin". Depois disso voltou
a dedicar-se à música, lançando "Paratodos" em 1993 e "as cidades" em 1999, ambos com amplas turnês pelo Brasil e exterior.
Em 1998 foi enredo da Mangueira, que ganhou o desfile daquele ano. Em 2001, Chico lança o DVD "As cidades". Além do show "As
Cidades", filmado em película, o especial traz cenas captadas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Entre as participações
especiais estão Jamelão, a Velha Guarda da Mangueira e Maria Bethânia. O CD Duetos é lançado em 2002 e reúne 14 das mais de
200 participações de Chico cantando com outros artistas. Participaram do CD: Marçal, Ana Belén, Nara Leão, Zeca Pagodinho,
Sergio Endrigo, Nana Caymmi, Johnny Alf, Pablo Milanés, João do Vale, Dionne Warwick, Miúcha, Tom Jobim e Elba Ramalho. O DVD
"Chico ou o país da delicadeza perdida" é lançado em 2003. Neste trabalho, Chico Buarque estreou para a televisão francesa em
1990. Após 8 anos sem gravar um disco de inéditas, Chico Buarque lança o CD "Carioca" em 2006. São 12 faixas, algumas em
parceria com ao artistas Edu Lobo, Ivan Lins e Tom Jobim.
Faixas:
Lado 1
01 PEDRO PEDREIRO
Chico Buarque
02 COM AÇÚCAR, COM AFETO
Jane (Os Três Morais)
03 CAROLINA
Dick Farney
04 A BANDA
Chico Buarque
Lado 2
01 RODA VIVA
Chico Buarque e MPB-4
02 SONHO DE UM CARNAVAL
Alaíde Costa e Orquestra Erlon Chaves
03 NOITE DOS MASCARADOS
Chico Buarque, Odete Lara e MPB-4
O4 OLÊ OLÁ
Elizabeth Vianna com Regional
História da MPB - Volume 05 - Ary Barroso [1970]
Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, em Minas Gerais em 07 de Novembro de 1903. Aos 18 anos, com uma herança de 40 contos
de réis, muda-se para o Rio de Janeiro, para fazer a faculdade de Direito. Foi seduzido pela música e pela boemia - o que lhe
levou seus 40 contos em dois anos, e quando terminou sua faculdade de direito (9 anos depois), já era um músico respeitado e
gravado pelos maiores intérpretes da época. Como radialista, criou o famoso Hora do Calouro, onde despontaram alguns dos
maiores nomes da MPB, como por exemplo, Dolores Duran - que cantou uma música em inglês, com a perspectiva de um deboche de
Ary Barroso, na época em plena fase do samba exaltação. Ary não só gostou como elogiou publicamente o jeito doce daquela
menina cantar... Como compositor, nunca hesitava em substituir uma letra quando tinha certeza que a sua podia ser melhor. Foi
assim quando, ouvindo Lamartine cantar Na Virada da Montanha (Na grota funda / Na virada da montanha / Vai haver muita
façanha / Com o mulato da Raimunda), Ary escreveu, ali mesmo na mesa, a letra de um de seus grandes sucessos, No Rancho
Fundo. Ary foi o nosso porta-bandeira no exterior - foi o primeiro compositor brasileiro a ser ouvido e respeitado nos EUA -
Aquarela do Brasil chegou a ser cotada para hino nacional, pelo sucesso que sempre fez no exterior. Morreu no Rio de Janeiro
em 09 de Fevereiro de 1964.
Carô Murgel
faixas:
lado 1
01 - aquarela do brasil
[ary barroso]
silvio caldas com orquestra
02 - como "vaes" você?
[ary barroso]
carmen miranda com regional de pixinguinha e luperce miranda
03 - na baixa do sapateiro
[ary barroso]
os anjos do inferno
04 - maria
[ary barroso e luiz peixoto]
sílvio caldas com regional
lado 2
01 - no taboleiro da baiana
[ary barroso]
carmen miranda e luiz barbosa com regional de pixinguinha e luperce miranda
02 - morena boca de ouro
[ary barroso]
joão gilberto com orquestra
03 - risque
[ary barroso]
linda baptista com conjunto
04 - os quindins de yayá
[ary barroso]
ciro monteiro com regional de canhoto e josé menezes
História da MPB - Volume 06 - Lamartine Babo [1970]
Carioca, nasceu em uma família amante da música, o que o ajudou a se tornar um dos mais importantes compositores do Brasil.
Chegou a compor algumas operetas e peças de teor sacro na juventude, quando trabalhava como office boy e freqüentava as
galerias do Teatro Municipal. Nos anos 20 saía com blocos de carnaval, e passou a colaborar com diversos pseudônimos em
revistas satíricas e humorísticas, graças à sua capacidade de fazer trocadilhos e piadas. Ingressou no rádio em 1929, fazendo
sketches e contando piadas, e no ano seguinte estreou seu próprio programa, Horas Lamartinescas. Na década de 30 compôs as
marchinhas de carnaval mais populares até hoje: "O Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores do Rádio" (com João de
Barro/ A. Ribeiro), "Marcha do Grande Galo", "A-E-I-O-U" (com Noel Rosa), "Grau Dez" (com Ary Barroso), "Uma Andorinha Não
Faz Verão" (com Braguinha), "Canção pra Inglês Ver" (regravada pelas Frenéticas), "Chegou a Hora da Fogueira", "Hino do
Carnaval Brasileiro", "História do Brasil", "Isto É Lá com Santo Antônio", "Noites de Junho". Sua produção é vastíssima no
gênero em que foi mestre, mas Lalá (como era conhecido) também fez obras-primas no samba, como "No Rancho Fundo" (com Ary
Barroso), "Lua Cor de Prata", "Voltei a Cantar", "A Tua Vida É um Segredo", "Serra da Boa Esperança", "Só Dando com uma Pedra
Nela", e até valsas, como "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda" (com Francisco Mattoso), regravada pelo roqueiro Erasmo
Carlos. Além disso, Lamartine - que tinha uma forma caricata de cantar acompanhando-se num trombone de boca - compôs hinos
para os principais times de futebol cariocas: de seu América de coração aos hinos do Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.
Faixas:
Lado 1
01 O TEU CABELO NÃO NEGA
Castro Barbosa e Grupo da Guarda Velha
02 SERRA DA BOA ESPERANÇA
Francisco Alves
03 MOLEQUE INDIGESTO
Carmem Miranda, Lamartine Babo e Grupo Guarda Velha
04 HINO DO CARNAVAL BRASILEIRO
Almirante e Orquestra
Lado 2
01 NO RANCHO FUNDO
Sílvio Caldas
02 CHEGOU A HORA DA FOGUEIRA
Carmen Miranda, Mário Reis e Diabos do Céu
03 EU SONHEI QUE TU ESTAVAS TÃO LINDA
Carlos Galhardo
04 RESSURREIÇÃO DOS VELHOS CARNAVAIS
Helena de Lima e Banda da PM da Guanabara
História da MPB - Volume 07 - Ataulfo Alves [1970]
Nascido numa fazenda mineira, filho de pai violeiro, foi para o Rio de Janeiro por acaso, onde trabalhou, entre outras
coisas, como farmacêutico. No fim dos anos 20 passou a se envolver com blocos de carnaval e artistas de rádio. Logo em
seguida teve sambas gravados por Almirante ("Sexta-feira") e Carmen Miranda ("Tempo Perdido"), o que lhe assegurou o sucesso.
Compunha sambas-canção e marchas de carnaval para os maiores cantores do Brasil, como Carlos Galhardo ("Quanta Tristeza", com
André Filho), Silvio Caldas ("Saudade Dela") e Orlando Silva ("Errei, Erramos"). Em 1941 estreou como intérprete na gravação
de "Leva, Meu Samba" e "Alegria na Casa de Pobre" (com Abel Neto). No ano seguinte gravou "Ai, que Saudades da Amélia" (com
Mário Lago), um de seus maiores sucessos, ao lado de "Na Cadência do Samba", "Laranja Madura", "Fim de Comédia", "Vai, Mas
Vai Mesmo" e "Mulata Assanhada". Em 1961 foi para a Europa, numa turnê de divulgação da música brasileira, e em 1966
representou o Brasil no I Festival de Arte Negra em Dacar, Senegal.
Faixas:
Lado 1
01 AI! QUE SAUDADE DA AMÉLIA
Ataulfo Alves e Sua Academia de Samba e Orquestra
02 SAUDADE DELA
Sílvio Caldas
03 LEVA MEU SAMBA
Helena de Lima e Conjunto de Boite
04 ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Orlando Silva
Lado 2
01 ERREI, ERRAMOS
Orlando Silva e Orquestra Swingtette e Regional Radamés Gnatalli
02 A VOCÊ
Carlos Galhardo
03 MULATA ASSANHADA
Miltinho e Orquestra de Nelsinho
04 LARANJA MADURA
Nerino Silva e Regional Portinho
História da MPB - Volume 08 - Jorge Ben [1970]
Carioca de Madureira criado no Catumbi, desde pequeno gostava de cantar no coro da igreja e participar dos blocos de
carnaval. Na adolescência e juventude ganhou um violão e começou a tocar bossa nova e rock'n'roll. Nos anos 60 apresentou-se
no Beco das Garrafas, que se tornou um dos redutos da bossa nova. Lá foi ouvido por um produtor que o chamou para gravar.
Logo saiu o primeiro compacto com "Mas, Que Nada" e "Por Causa de Você, Menina", em 1963, acompanhado pelo conjunto Copa
Cinco. No mesmo ano lançou o primeiro LP, "Samba Esquema Novo". Foi para os Estados Unidos e lá suas composições "Zazueira",
"Mas, Que Nada" e "Nena Naná" entraram nas paradas de sucesso, sendo gravadas por intérpretes como Sergio Mendes, Herb
Alpert, José Feliciano e Trini Lopez.
Na era dos musicais da TV, fiel a seu estilo múltiplo, participou tanto de O Fino da Bossa (comandado por Elis Regina) quanto
do Jovem Guarda de Roberto Carlos, e mais adiante do Divino Maravilhoso dos tropicalistas Caetano e Gil. Em 1969 obteve
enorme sucesso com "Cadê Teresa", "País Tropical" e "Que Maravilha", além de concorrer com "Charles, Anjo 45" no festival da
canção da TV Globo. Venceria o festival em 1972, com "Fio Maravilha", interpretado por Maria Alcina.
Lançou outros discos nos anos 70, incluindo clássicos como "A Tábua de Esmeralda" (1974) e "África Brasil" (1976). Na década
seguinte dedicou-se a divulgar suas músicas no exterior. Em 1989 mudou o nome artístico de Jorge Ben para Jorge Ben Jor. Sua
música "W/Brasil (Chama o Síndico)", lançada em 1990, estourou nas pistas de dança em 91 e 92, tornando-se uma verdadeira
febre. A partir daí seus discos se tornaram mais pops, sem perder o suíngue que sempre o caracterizou.
"Músicas para Tocar em Elevador", de 1997, tem participações de 12 artistas, como Carlinhos Brown, Fernanda Abreu e Paralamas
do Sucesso. A música de Jorge Ben Jor tem uma importância única na música brasileira por incorporar elementos novos no
suíngue e na maneira de tocar violão, trazendo muito do soul e funk norte-americanos e ainda com influências árabes e
africanas, que vieram através de sua mãe, nascida na Etiópia. Suas levadas vocais e instrumentais influenciaram muito o
sambalanço e fizeram escola, arregimentando uma legião não só de admiradores como também de imitadores. Foi regravado e
homenageado por inúmeros expoentes das novas gerações, como Mundo Livre S/A (em "Samba Esquema Noise") e Belô Velloso
("Amante Amado").
O Acústico MTV, lançado em 2002, traz Jorge Ben Jor de volta ao violão. Com arranjos de Lincoln Olivetti, o acústico traz
alguns de seus maiores sucessos e outras músicas menos conhecidas da vasta e irrequieta carreira de Ben Jor. O trabalho foi
dividido em dois álbuns. O CD1 vem com a Banda Admiral V (que acompanhou o músico nos anos 70) com um balanço forte em
músicas como "Comanche", "Jorge de Capadócia", "O Vendedor de Bananas", "O Circo Chegou" e "O Namorado da Viúva". No CD 2
quem comanda a festa é a Banda do Zé Pretinho e surgem os clássicos mais tradicionais: "País Tropical", "W/Brasil", "Mas, que
Nada" e "Que Maravilha".
Em 2004 Jorge lança "Bem Tocado", seu primeiro álbum de inéditas desde 1995. As 16 faixas de "Reactivus Amor Est" trazem o
pop suingado de Jorge regado a um belo trabalho de teclado, guitarra e baixo. O disco conta ainda com a participação do
percussionista Marçalzinho em "Janaína Argentina" e de Seginho Mangueira no pandeiro de "História Do Homem".
fonte: clique music
Faixas:
Lado 1
01 MAS QUE NADA
Jorge Ben com Meirelles e os Copa Cinco
02 QUE PENA
Gal Costa e Orquestra Jorge Duprat
03 CADÊ TERESA
Os Originais do Samba
04 CHOVE CHUVA
Jorge Ben com Trio de Edson Machado
Lado 2
01 POR CAUSA DE VOCÊ, MENINA
Jorge Ben com Meirelles e os Copa Cinco
02 CHARLES ANJO 45
Jorge Ben e Caetano Veloso
03 QUE MARAVILHA
Jorge Ben e Toquinho
04 PAÍS TROPICAL
Jorge Ben e Trio Mocotó
História da MPB - Volume 09 - João de Barro e Alberto Ribeiro [1970]
JOÃO DE BARRO (Braguinha) Filho do gerente da fábrica de tecidos Confiança, Carlos Alberto Ferreira Braga nasceu em 29 de
março de 1907, e começou a cantar numa época em que os moços de família não podiam viver de música. Primeiro no grupo amador
A Flor do Tempo com os colegas de bairro (Alvinho, Almirante e Henrique Brito) e a seguir, já profissionalizado, ao lado de
certo Noel de Medeiros Rosa, no Bando dos Tangarás, em que todos adotaram convenientes apelidos ornitológicos. O de
Braguinha, João de Barro, pegou nas primeiras gravações como intérprete, em 1931 (Cor de Prata, Minha Cabrocha, de Lamartine
Babo) e foi usado durante muito tempo pelo compositor de sucessos como os inaugurais Trem Blindado e Moreninha da Praia, no
carnaval de 1933. A partir daí, mesmo sem conhecimentos formais de música, compondo na base do assovio, ele se transformou
num campeão da folia, especializado em marchinhas, como Linda Lourinha, Uma Andorinha Não Faz Verão, Linda Mimi, Dama das
Camélias, Cadê Mimi, Balancê (que redobraria o sucesso na regravação de Gal Costa, quarenta e dois anos depois), Andaluzia
(recriada por Maria Bethânia), Pirata da Perna de Pau, China Pau, Chiquita Bacana (que projetou Emilinha Borba), A Mulata É a
Tal, Tem Gato na Tuba, Adolfito Mata-Mouros (sátira a Hitler) e o misto de paso doble Touradas em Madri, cantado por um
Maracanã em festa na goleada do Brasil sobre a Espanha, na fatídica Copa de 50. Participou como diretor e roteirista de
filmes como Estudantes (1935), Alô, Alô, Carnaval (1936), Banana da Terra (1938) e Laranja da Terra (1940). Nessa época,
começou a trabalhar como diretor artístico da gravadora Continental, onde projetou nomes como Radamés Gnattali, Tom Jobim
(sua Sinfonia do Rio de Janeiro, parceria com Billy Blanco foi gravada duas vezes), Lúcio Alves, Dick Farney, Doris Monteiro,
Tito Madi, Nora Ney, Jorge Goulart e Jamelão. Em 1937, a cantora Heloísa Helena pediu-lhe uma letra para um choro-canção
instrumental de Pixinguinha e nasceu o hino Carinhoso. Da mesma forma que modificou Linda Pequena de Noel Rosa para As
Pastorinhas, que se tornaria um clássico póstumo do poeta da Vila, Braguinha (com parceiros como o médico Alberto Ribeiro)
cunhou o manifesto pré-tropicalista Yes, Nós Temos Bananas (resposta ao fox americano Yes, We Have No Bananas). Fez ainda
tanto o samba-canção de inspiração rural (Mané Fogueteiro, emblemático na voz de Augusto Calheiros, a Patativa do Norte)
quanto urbano-modernista como Laura e Copacabana, cuja gravação, de Dick Farney, em 1946, com arranjo de cordas de Radamés
Gnattali, seria considerada precursora da bossa nova. Apimentando suas composições à medida que mudavam os costumes (Vai com
Jeito, Garota de Saint-Tropez, Garota de Minissaia), ele também arquitetou com delicadeza a mais impressionante coleção de
discos infantis, aclimatando para o Brasil histórias da Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Alice no País das Maravilhas,
além de recuperar inúmeras cantigas de roda. Com espírito de criança, Braguinha foi um retrato cantado da alma jovial do Rio
de Janeiro dos melhores tempos. Faleceu em 24 de dezembro de 2006, aos 99 anos, no Rio de Janeiro. (Tárik de Souza)
ALBERTO RIBEIRO Alberto Ribeiro da Vinha era seu nome verdadeiro. Cantor e compositor nasceu no Rio de Janeiro RJ em
27.8.1902 no bairro da Cidade Nova, onde iniciou sua carreira fazendo músicas para o bloco carnavalesco Só de Tanga, do qual
participava. Sua primeira composição editada foi o samba Água de coco (com Antônio Vertulo), em 1923. Transferiu-se para o
bairro do Estácio, onde conheceu Bide, com quem compôs algumas músicas. Por essa época, iniciou curso de engenharia, que logo
abandonou pela medicina. Em fins de 1929, organizou o Grupo dos Enfezados, do qual participava como cantor, integrado por
Sátiro de Melo (violão), Nelson Boina (cavaquinho) e Mesquita (violão). Por influência de Eduardo Souto, o grupo gravou dois
discos, na Odeon, em 1930. Formou-se médico em 1931 e especializou-se em homeopatia. Em 1933, como cantor, gravou As
Brabuleta (de sua autoria), na Columbia. Em parceria com Nássara, em 1934 fez a marchinha Tipo sete, cujo tema era o mercado
do café, que, gravada por Francisco Alves na Odeon, Obteve o primeiro lugar no concurso da prefeitura naquele ano. Em 1935,
conheceu João de Barro, através do editor Mangione, que os convidou para musicar o filme Carnavalesco Alô, alô, Brasil, do
norte-americano Wallace Downey. A partir de então, tornaram-se parceiros constantes e, ainda em 1935, lançaram sua primeira
composição, Deixa a lua sossegada, gravada por Almirante. Juntos, continuaram a trabalhar em cinema, como autores de trilhas
sonoras de vários filmes carnavalescos e, às vezes, como diretores e argumentistas. Entre os filmes de que participaram, como
argumentistas, destacam-se, além de Alô, alô, Brasil (1935), Estudantes (1935), com direção de Wallace Downey, e Alô, alô,
Carnaval (1936), com direção de Ademar Gonzaga. Tendo ainda João de Barro como parceiro, em 1935 compôs Seu Libório, choro
gravado em 1941 por Vassourinha, na Columbia. Também de 1935 é a marcha junina Sonho de papel (com João de Barro), grande
sucesso, que fez parte da trilha sonora do filme Estudantes e foi gravado por Carmen Miranda em 1935 na Odeon. Em 1937 compôs
Cachorro vira-lata, samba-choro gravado por Carmen Miranda. Em 1938, compôs Yes! nos temos bananas... (com João de Barro),
gravada por Almirante, na Odeon (regravada em 1967 por Caetano Veloso, na Philips); do outro lado desse mesmo disco,
Almirante interpretou sua marcha Touradas em Madrid (com João de Barro), e ambas foram grande sucesso no Carnaval de 1938.
Touradas em Madrid chegou a vencer um concurso carnavalesco em 1938, mas a competição foi anulada sob a alegação de que se
tratava de um paso doble e, portanto, de música estrangeira. Em seu lugar, venceu a música Pastorinhas (João de Barro e Noel
Rosa). Em 1943, continuando a parceria com João de Barro, fez a marcha China Pau, gravada por Castro Barbosa. Em 1946, o
cantor estreante Dick Farney lançou, pela Continental, o samba-canção Copacabana, um dos maiores sucessos da dupla. Em 1948,
a marcha Tem gato na tuba (com João de Barro) obteve grande êxito, na voz de Nuno Roland, e, no ano seguinte, Chiquita
bacana, da mesma dupla, gravada por Emilinha Borba, foi uma das músicas mais cantadas do Carnaval. Em 1956, o compositor
lançou um LP de dez polegadas, pela Continental, chamado Aviso aos navegantes, em que interpretou 16 músicas de sua autoria,
todas de cunho social. Por problemas cardíacos, em 1959 aposentou-se como médico, profissão que exercia em caráter
humanitário, cobrando preços simbólicos pelas consultas. Em Janeiro de 1967, prestou depoimento sobre sua vida ao Museu da
Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. Veio a falecer em 10.11.1971 deixando uma obra espantosa com mais de 400 composições.
Faixas:
Lado 1
01 TOURADAS DE MADRID
Almirante
02 SEU LIBÓRIO
Vassourinha e o Regional de Benedito Lacerda
03 LINDA BORBOLETA
Carlos Galhardo
04 PASTORINHAS
Sílvio Caldas, Napoleão e os Soldados Musicais
Lado 2
01 YES, NÓS TEMOS BANANA
Caetano Veloso
02 SONHO DE PAPEL
Carmem Miranda
03 LAURA
Jorge Goulart e Orquestra de Radamés Gnatalli
04 COPACABANA
DickFarney
História da MPB - Volume 10 - Lupicínio Rodrigues [1970]
Gaúcho de família humilde, trabalhou desde cedo como mecânico de automóveis, mas sempre gostou de músicas de carnaval e da
vida boêmia de Porto Alegre. Lupicínio conseguiu fazer sucesso fora do eixo Rio-São Paulo, o que é difícil hoje e era mais
ainda nos anos 30. Suas músicas tratam geralmente de temas de "dor de cotovelo", amores fracassados e traídos. Em 1932,
quando já atuava como cantor, foi ouvido e muito elogiado por Noel Rosa, então em excursão pelo Sul com Francisco Alves.
Quatro anos depois veio a primeira gravação de suas composições, pela Victor: um compacto com "Triste História" e "Pergunte a
Meus Tamancos", ambas em parceria com Alcides Gonçalves, que seria também co-autor de outros sambas-canção como "Castigo",
"Maria Rosa" e "Cadeira Vazia". Um de seus maiores sucessos, "Se Acaso Você Chegasse" (com Felisberto Martins), foi gravado
pela primeira vez por Cyro Monteiro, em 1938. A música ficou tão popular que Lupicínio foi para o Rio, onde conheceu
Francisco Alves, que gravaria muitas de suas canções, como "Nervos de Aço" (1947) e a magistral "Esses Moços" (1948). Num
caso raro na MPB, "Se Acaso Você Chegasse" foi regravada com estrondoso sucesso em 1959 por Elza Soares e lançou a cantora no
mercado. "Vingança", gravada por Linda Batista em 1951, foi outro sucesso retumbante, inspirado na amargura em que vivia uma
mulher que o havia traído. As regravações foram numerosas: Paulinho da Viola ("Nervos de Aço"), Caetano Veloso
("Felicidade"), Elis Regina ("Cadeira Vazia"), Zizi Possi ("Nunca"), Leny Andrade ("Esses Moços") e Gal Costa ("Volta") são
alguns exemplos. Mas seu mais importante intérprete é Jamelão, que gravou dois discos dedicados à sua obra em 1972 e 1987,
acompanhado pela Orquestra Tabajara do maestro Severino Araújo. Lupicínio participou do V Festival de Música Popular
Brasileira da TV Record em 1969 com a música "Primavera", defendida por Isaura Garcia.
faixas:
lado 1
01 - se acaso você chegasse
[lupicinio rodrigues e felisberto martins]
ciro monteiro com conjunto
02 - vingança
[lupicinio rodrigues]
linda baptista com conjunto de fafá lemos
03 ela disse-me assim
[lupicinio rodrigues]
jamelão com orquestra
04 felicidade
[lupicinio rodrigues]
quarteto quitandinha
lado 2
01 - nervos de aço
[lupicinio rodrigues]
francisco alves com orquestra
02 - brasa
[lupicinio rodrigues]
orlando silva com orquestra
03 - esses moços, pobres moços
[lupicinio rodrigues]
lupicinio rodrigues com orquestra
04 - quem há de dizer
[lupicinio rodrigues e alcides gonçalves]
francisco alves com orquestra
História da MPB - Volume 11 - Baden Powell [1970]
Nascido em Varre-e-Sai, pequeno município do norte fluminense, logo mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. O pai era
entusiasta do escotismo, e por isso resolveu batizar o filho com o nome do inglês fundador do movimento. Baden teve aulas de
violão desde criança com o famoso violonista Meira, que tocava no rádio com Benedito Lacerda. Também estudou violão clássico
durante muitos anos. Na adolescência travou contato com sambistas e foi trabalhar na Rádio Nacional, profissionalizando-se
aos 15 anos. Na década de 50 passou a se interessar mais pelo jazz, acompanhando cantores em boates de Copacabana. Por essa
época já compunha músicas como "Samba Triste", em parceria com Billy Blanco. Em 1962 conheceu Vinicius de Moraes, que se
tornou um de seus parceiros mais constantes. Da parceria Baden/ Vinicius surgiram "Berimbau", "Samba em Prelúdio", "Samba da
Bênção" e a série de afro-sambas, que inclui "Canto de Xangô", "Canto de Ossanha" e "Bocoxê". Outro parceiro importante em
sua carreira foi Paulo César Pinheiro, com quem compôs "Samba do Perdão", "Quaquaraquaquá", "Aviso aos Navegantes" (todas
gravadas por Elis Regina), "Sermão" e "Lapinha", que venceu a I Bienal do Samba em 1969. Sua maneira única de tocar violão
que incorpora elementos virtuosísticos da técnica clássica e suíngue e harmonia populares explorou de maneira radical os
limites do instrumento e o transformou em uma rara estrela nacional da área com trânsito internacional. A partir dos anos 60
tornou-se muito conhecido na Europa e lá gravou vários discos, principalmente na França e na Alemanha, tendo morado nesses
dois países. Na década de 90 desenvolveu um trabalho ao lado de seus dois filhos, Philippe e Louis Marcel (ambos nascidos na
França), ambos músicos (Philippe é pianista, Louis Marcel, violonista).
Faixas
Lado 1
01 CANTO DE OSSANHA
Elis Regina
02 CONSOLAÇÃO
Tamba Trio
03 ASTRONAUTA
Baden Powell
04 SAMBA EM PRELÚDIO
Geraldo Vandré e Ana Lúcia
Lado 2
01 BERIMBAU
Baden Powell
02 SAMBA TRISTE
Lúcio Alves
03 TEM DÓ
Os Cariocas
04 LAPINHA
Elis Regina
História da MPB - Volume 12 - Ismael Silva [1970]
Nascido em Niterói (RJ), filho de um cozinheiro e de uma lavadeira, Ismael foi um dos maiores sambistas dos anos 30 e 40 no
Brasil. Criado na zona norte do Rio de Janeiro, desde cedo freqüentou rodas de samba e malandragem do Estácio, e começou a
compor, sendo fundador da primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1928. Ismael foi responsável, junto com os outros
"bambas" do Estácio, pela forma que o samba tem até hoje, mais independente do maxixe e de ritmo mais marcado e cadenciado,
para facilitar a evolução dos foliões que desfilavam pela escola. Na década de 20 fez um acordo com Francisco Alves, que
permitia ao cantor gravar composições de Ismael e constar como autor, mediante pagamento prévio. Esse "comércio" de sambas
era prática comum nos anos 20 e 30. Além de Ismael, Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho e outros venderam sambas. "Me Faz
Carinhos" e "Amor de Malandro" foram dois sucessos na voz de Francisco Alves comprados de Ismael. Nos anos 30 Ismael Silva se
tornou uma figura lendária no mundo do samba carioca. Seus sambas foram gravados com muito sucesso pelos cantores mais
populares da época, Francisco Alves e Mário Reis, que cantaram em dueto "Se Você Jurar", em 1931. Foi parceiro de Noel Rosa
em sambas como "Pra Me Livrar do Mal", "A Razão Dá-se a Quem Tem" (com F. Alves), "Ando Cismado" e "Adeus". Na década de 40
se afastou do meio artístico, voltando a se apresentar em 1954 nos show da Velha Guarda produzidos por Almirante. Nos anos 60
também freqüentou o bar Zicartola e se apresentou em programas de televisão, tornando-se conhecido por outras gerações. Gal
Costa regravou com êxito seu autobiográfico "Antonico". Morreu em 1978, numa casa de cômodos no centro do Rio, sem fama nem
dinheiro.
Faixas:
Lado 1
01 SE VOCÊ JURAR
Francisco Alves e Mário Reis
02 PARA ME LIVRAR DO MAL
Os Originais do Samba
03 NEM É BOM FALAR
Ismael Silva, Francisco Alves e N. Bastos)
04 O QUE SERÁ DE MIM
Francisco Alves e Mário Reis
Lado 2
01 ADEUS
Jonjoca e Castro Barbosa
02 NOVO AMOR
Ismael Silva
03 UMA JURA QUE FIZ
Mário Reis
04 ANTONICO
Alcides Gerardi
História da MPB - Volume 13 - Luiz Gonzaga [1970]
Maior responsável pela divulgação da música nordestina no resto do Brasil, Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu
(PE). Filho de um lavrador e sanfoneiro, desde criança se interessou pela sanfona de oito baixos do pai, a quem ajudava
tocando zabumba e cantando em festas religiosas e forrós. Saiu de casa em 1930 para servir o exército como voluntário. Viajou
pelo Brasil como corneteiro, tendo baixa em 1939. Resolveu ficar no Rio de Janeiro, com uma sanfona recém-comprada. Passa
então a se apresentar em ruas, bares e mangues, tocando boleros, valsas, canções, tangos. Por essa época percebe a carência
que os migrantes nordestinos têm de ouvir sua própria música, e passa a tocar, com grande sucesso, xaxados, baiões, chamegos
e cocos. Foi no programa de calouros de Ary Barroso e tocou seu chamego "Vira e Mexe", com grande aprovação do público e do
temível apresentador, que lhe deu nota máxima. Depois de descobrir esse filão no mercado, Gonzagão começa a freqüentar
programas de rádio - substituindo inclusive seu ídolo Antenógenes Silva - e a gravar discos, sempre com repertório de músicas
nordestinas. Mais tarde passa a cantar também, e não apenas tocar sua sanfona, além de mostrar seu talento como compositor.
Em 1943 apresenta-se vestido a caráter como nordestino, com bastante êxito. Seu maior sucesso, "Asa Branca" (com Humberto
Teixeira), foi gravado em 1947 e regravado inúmeras vezes por diversos artistas até hoje. Trabalhou na Rádio Nacional e até
cerca de 1954 teve seu auge de popularidade, um sucesso avassalador que lançou a moda do baião e do acordeom, além de obrigar
todas as prensas de sua gravadora, a RCA, a trabalhar para atender aos pedidos de seus discos. Depois disso, com a ascensão
da bossa nova, se afastou um pouco dos palcos dos grandes centros e passou a se apresentar em cidades do interior, onde
sempre continuou extremamente popular. Nos anos 70 e 80 foi voltando à cena, em muito graças às releituras de sua obra feitas
por artistas como Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, seu filho Gonzaguinha e Milton Nascimento. Algumas de suas
músicas mais conhecidas são as parcerias com Zé Dantas: "Vozes da Seca", "Algodão", "A Dança da Moda", "ABC do Sertão",
"Derramaro o Gai", "A Letra I", "Imbalança", "A Volta da Asa Branca", "Cintura Fina", "O Xote das Meninas"; ou com Humberto
Teixeira: "Juazeiro", "Paraíba", "Mangaratiba", "Baião de Dois", "No Meu Pé de Serra", "Assum Preto", "Légua Tirana", "Qui
Nem Jiló". Outras parcerias que tiveram êxito foram "Tá Bom Demais" (com Onildo de Almeida), Danado de Bom" (com João Silva),
"Dezessete e Setecentos" e "Cortando o Pano" (ambas com Miguel Lima).
Faixas
Lado 1
01 ASA BRANCA
Luiz Gonzaga
02 VIRA E MEXE
Luiz Gonzaga em solo de sanfona
03 DEZESSETE E SETECENTOS
Luiz Gonzaga
04 BAIÃO
4 Ases e 1 Curinga
Lado 2
01 PARAÍBA
Luiz Gonzaga
02 KALÚ
Dalva de Oliveira
03 DEZESSETE LÉGUA E MEIA
Gilberto Gil e Orquestra Regis Duprat
04 VOZES DA SECA
Luiz Gonzaga
História da MPB - Volume 14 - Assis Valente [1970]
José de Assis Valente nasceu na Bahia e teve uma infância conturbada, tendo sido separado dos pais muito cedo. Trabalhou como
farmacêutico, fez cursos de desenho no Liceu de Artes e Ofícios e profissionalizou-se como especialista em prótese dentária.
Foi para o Rio de Janeiro em 1927, e empregou-se como protético. No início dos anos 30 começou a compor sambas. O primeiro,
"Tem Francesa no Morro", tornou-se sucesso na voz de Araci Cortes em 1932. Mais tarde conheceu Carmen Miranda e passou a
compor sambas especialmente para ela, casos de "Good Bye, Boy" e "Etc". Carmen foi a maior intérprete e divulgadora dos
sambas de Assis Valente. "Minha Embaixada Chegou", "Uva de Caminhão", "Camisa Listrada", "E o Mundo Não Se Acabou" e
"Recenseamento" foram algumas composições de Assis eternizadas pela Pequena Notável. A música mais famosa do compositor,
entetanto, foi rejeitada por ela. "Brasil Pandeiro" acabou gravada pelos Anjos do Inferno em 1940, com grande êxito e
regravada pelo grupo Novos Baianos mais de 30 anos depois, de novo com sucesso. Outros grupo vocais também popularizaram
sambas do compositor, como o Bando da Lua, que gravou "Maria Boa" em 1936 ou o Quatro Ases e Um Coringa, que gravou "Boneca
de Pano" em 1950. Outro grande sucesso foi a marcha natalina "Boas Festas", lançada por Carlos Galhardo em 1933 e regravada
em 1941 e 1956. A vida pessoal de Assis Valente foi tumultuada. Em 1941 tentou o suicídio pela primeira vez, atirando-se do
alto do Corcovado. Acabou resgatado pelos bombeiros, e depois de recuperado compôs "Fez Bobagem", canção marcante
interpretada com grande sucesso por Aracy de Almeida. Mas sua carreira bem-sucedida como compositor não foi suficiente para
mantê-lo vivo, e, depois de tentar cortar os pulsos, conseguiu matar-se ingerindo guaraná com formicida, em 1958. Muitos
artistas regravaram a obra de Assis Valente, como Nara Leão, Chico Buarque e Adriana Calcanhotto. Na década de 90 o musical
"O Samba Valente de Assis", sobre a trajetória do compositor, foi encenado no Rio de Janeiro. A música "Brasil Pandeiro"
voltou a ser extremamente popular em 1994, graças a uma campanha publicitária relacionada à Copa do Mundo.
Faixas
Lado 1
01 CAMISA LISTRADA
Carmen Miranda
02 MARIA BOA
Bando da Lua
03 FEZ BOBAGEM
Nara Leão
04 BOAS FESTAS
Carlos Galhardo
Lado 2
01 UVA DE CAMINHÃO
Carmen Miranda
02 ALEGRIA
Orlando Silva
03 BRASIL PANDEIRO
Léo Vilar e Os Novos Anjos do Inferno
04 ... E O MUNDO NÃO SE ACABOU
Carmen Miranda
História da MPB - Volume 15 - Jair Amorim e Evaldo Gouveia [1970]
Jair Amorim
Nascido em Leopoldina (ES), cursou o ginásio em Petrópolis (RJ) e aos 13 anos já escrevia alguns versos em português para
músicas estrangeiras. Quando completou 15, perdeu o pai e foi forçado a largar os estudos. Foi trabalhar no Diário da Manhã,
de Vitória (ES), fazendo de tudo um pouco de revisor e crítico de teatro e cinema a cronista social. Em 1940, dirigiu a
Rádio Clube do Espírito Santo, produzindo diversos programas e atuando como locutor. Foi por essa ocasião que começou a
escrever letras para os blocos de carnaval da cidade. Um ano depois, mudou-se para o Rio, onde trabalhou como cronista de
rádio para revistas como Carioca e Vamos Ler. Mais tarde, foi contratado pela Rádio Clube do Brasil (depois Mundial), onde
aproximou-se do compositor e pianista José Maria de Abreu, que acabara de perder Francisco Mattoso, seu fiel parceiro. Depois
que o cantor Arnaldo Amaral gravou sua primeira letra, uma versão para "Maria Elena", do mexicano Lorenzo Barcelata, José
Maria e Jair iniciaram a parceria: "Bem Sei" (42). Seria a primeira de uma série de clássicos da MPB, como "Um Cantinho e
Você" (48), "Ponto Final" (49) e "Alguém como Tu" (52) todas do repertório de Dick Farney. Entre 48 e 52, revezou-se entre
as Rádios Mundial e Mayrink Veiga. Em 1956, compôs com o sambista Dunga o samba-canção "Conceição", maior sucesso do cantor
Cauby Peixoto. No ano seguinte, compôs outro com Alcyr Pires Vermelho, "Se Alguém Telefonar", grande êxito na voz de Lana
Bittencourt. Como secretário e diretor da UBC União Brasileira de Compositores conheceu Evaldo Gouveia em 58. Naquele
dia, compuseram a primeira de uma lista de 150 composições (na maioria sambas-canções abolerados). Era o samba-canção
"Conversa", gravada por Alaíde Costa em 1959, no primeiro LP da cantora. No ano seguinte, viria o primeiro grande sucesso da
dupla Jair & Evaldo, "Alguém Me Disse", gravada por Anísio Silva. Em 1962, Miltinho fez sucesso com "Poema do Olhar" e
Morgana com "E a Vida Continua", regravada com sucesso por Agnaldo Rayol. Em 63, Altemar Dutra foi içado ao sucesso
justamente com uma composição da dupla, "Tudo de Mim". A partir daí, passou a ser seu intérprete mais constante, colecionando
sucessos como os sambas-canções/boleros "Que Queres Tu de Mim", "Somos Iguais", "Sentimental Demais", "Brigas", "Serenata da
Chuva" e as marchas-rancho "O Trovador" e "Bloco da Solidão". Moacyr Franco também vendeu muitos discos com o bolero "Ninguém
Chora por Mim", em 62, bem como Cauby Peixoto com "Ave Maria dos Namorados", em 63, lançada por Anísio Silva pouco antes.
Outros que fizeram sucesso com suas músicas foram Wilson Simonal, que gravou a bossa nova "Garota Moderna" em seu LP de 1965,
Jair Rodrigues, com o samba "O Conde", em 1969, a escola de samba Portela que obteve êxito com o samba-enredo "O Mundo Melhor
de Pixinguinha", em 1973 e Ângela Maria, que entre outras, lançou o "Tango para Teresa" dois anos depois. Outros intérpretes
que gravaram a dupla Evaldo Gouveia & Jair Amorim foram Maysa, Dalva de Oliveira, Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi,
Emílio Santiago, o espanhol Julio Iglesias. Mais recentemente, Cris Braun releu "Brigas", em 1998, e Ana Carolina, "Alguém Me
Disse", em 99, mesmo ano em que Milton Nascimento regravou "Se Alguém Telefonar". Em 2000, Simone repescou "Sentimental
Demais" e "Que Queres Tu de Mim", e Fafá de Belém, "Ninguém Chora por Mim".
Evaldo Gouveia
Aos seis anos, o menino Evaldo Gouveia de Oliveira já cantava num sistema de alto-falantes na praça de sua cidade, Iguatu, no
Ceará. Aos 11, mudou-se para Fortaleza para estudar. Nessa época, trabalhava como feirante e não dispensava o violão nas
horas de folga. Aos 19 anos, passou a tocar violão num conjunto e acabou conseguindo um contrato numa rádio local. Em 1950,
formou o Trio Nagô, com Mário Alves (seu alfaiate) e Epaminondas de Souza (colega de boêmia). O grupo foi contratado pela
Rádio Jornal do Brasil e pelas boates Vogue e Oásis. Dois anos depois, iniciaram um programa semanal na Rádio Record (SP) que
duraria pelos cinco anos seguintes. Em 57, Evaldo compôs sua primeira música, "Deixe que Ela Se Vá" (com Gilberto Ferraz),
obtendo sucesso na voz de Nelson Gonçalves. No mesmo ano, fez "Eu e Deus", com Pedro Caetano, gravada por Nora Ney, entre
outras. A partir de julho de 1958, quando conheceu o também compositor Jair Amorim na UBC, sua carreira deslanchou
definitivamente. Logo no primeiro dia de contato, compuseram "Conversa", gravada inicialmente por Alaíde Costa, em 1959. Essa
seria a primeira de uma série de 150 músicas compostas pela dupla nos dez anos que se seguiram, normalmente sambas-canções
abolerados, cujo primeiro grande sucesso de vendas foi "Alguém Me Disse", lançada por Anísio Silva em 60. Em 1962, o Trio
Nagô se desfez com a saída de Mário Alves, mas Evaldo prosseguiu compondo diversas pérolas com Jair, tais como "Poema do
Olhar" (gravado por Miltinho) e o bolero "E a Vida Continua", sucesso nas vozes de Morgana e Agnaldo Rayol. No ano seguinte,
63, Altemar Dutra foi içado ao sucesso justamente com um bolero da dupla, "Tudo de Mim". A partir daí, passou a ser seu
intérprete mais constante, colecionando sucessos como os sambas-canções/boleros "Que Queres Tu de Mim", "Somos Iguais",
"Sentimental Demais", "Brigas", "Serenata da Chuva" e as marchas-rancho "O Trovador" e "Bloco da Solidão". Moacyr Franco
também vendeu muitos discos com o bolero "Ninguém Chora por Mim", em 62, assim como Cauby Peixoto no ano seguinte com "Ave
Maria dos Namorados", lançada por Anísio Silva pouco antes. Outros que fizeram sucesso com músicas da dupla foram Wilson
Simonal, que gravou a bossa nova "Garota Moderna" em seu LP de 1965, Jair Rodrigues, que gravou o samba "O Conde", em 1969, a
escola de samba Portela, que obteve êxito com o samba-enredo "O Mundo Melhor de Pixinguinha", em 1973, e Ângela Maria, que
entre outras, lançou o "Tango para Teresa" dois anos depois. Outros intérpretes que gravaram a dupla Evaldo Gouveia & Jair
Amorim são Maysa, Dalva de Oliveira, Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi, Emílio Santiago, o espanhol Julio Iglesias e mais
recentemente, Cris Braun ("Brigas", em 98), Ana Carolina ("Alguém Me Disse", em 99), Simone ("Sentimental Demais" e "Que
Queres Tu de Mim") e Fafá de Belém ("Ninguém Chora por Mim") ambas em 2000.
Faixas
Lado 1
01 CONCEIÇÃO
Cauby Peixoto
02 GAROTA MODERNA
Wilson Simonal
03 CANTIGA DE QUEM ESTÁ SÓ
Maysa
04 O TROVADOR
Altemar Dutra
Lado 2
01 ALGUÉM ME DISSE
Anísio Silva
02 O CONDE
Jair Rodrigues
03 DEIXE QUE ELA SE VÁ
Nelson Gonçalves
04 ALGUÉM COMO TU
Dick Farney
História da MPB - Volume 16 - Tom Jobim [1970]
Tom Jobim é um dos nomes que melhor representam a música brasileira na segunda metade do século XX. Pianista, compositor,
cantor, arranjador, violonista às vezes, é praticamente uma unanimidade quando se pensa em qualidade e sofisticação musical.
Nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, mudando-se logo com a família para Ipanema. Aprendeu a tocar violão e piano
tendo tido aulas, entre outros, com o professor alemão Koellreuter, introdutor da técnica dodecafônica no Brasil. Pensou em
trabalhar como arquiteto e chegou a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e resolveu ser pianista. Tocava em bares
e inferninhos em Copacabana no início dos anos 50, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental.
Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita
musical. Por essa época começou a escrever suas primeiras composições. A primeira música gravada foram "Incerteza" (com
Newton Mendonça), por Mauricy Moura. "Tereza da Praia", parceria com Billy Blanco, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney pela
Continental em 1954, foi o primeiro sucesso. Depois disso participou de gravações e compôs com Billy Blanco a "Sinfonia do
Rio de Janeiro", além de outras parcerias como Dolores Duran ("Se É por Falta de Adeus", "Por Causa de Você"). Em 1956
musicou a peça "Orfeu da Conceição" com Vinicius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça,
fez bastante sucesso a música "Se Todos Fossem Iguais a Você", gravada diversas vezes. Tom Jobim fez parte do núcleo
embrionário da bossa nova. O disco "Canção do Amor Demais" (1958), de composições de Tom e Vinicius cantadas por Elizeth
Cardoso e acompanhadas pelo violão de João Gilberto (em algumas faixas) e orquestra é considerado um marco inaugural da bossa
nova, pela originalidade das orquestrações, harmonias e melodias. Inclui, entre outras, "Canção do Amor Demais", "Chega de
Saudade" e "Eu Não Existo sem Você". A concretização da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com o 78 rotações
"Chega de Saudade", interpretado por João Gilberto, lançado em 1958. No ano seguinte, o LP "Chega de Saudade", de João
Gilberto, com arranjos e direção musical de Tom, consolidou os rumos que a música popular brasileira tomaria dali pra frente.
No mesmo ano foi a vez de Silvia Telles gravar "Amor de Gente Moça", um disco com 12 músicas de Tom, entre elas "Só em Teus
Braços", "Dindi" (com Aloysio de Oliveira) e "A Felicidade" (com Vinicius). Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa
Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinicius, um de seus maiores sucessos e
possivelmente a música brasileira mais executada no exterior: "Garota de Ipanema". Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de
"clássicos" produzidos por Tom é impressionante: "Samba do Avião", "Só Danço Samba" (com Vinicius), "Ela É Carioca" (com
Vinicius), "O Morro Não Tem Vez", "Inútil Paisagem" (com Aloysio), "Vivo Sonhando". Nos Estados Unidos gravou discos (o
primeiro individual foi "The Composer Of 'Desafinado' Plays", de 1965), participou de shows e fundou sua própria editora, a
Corcovado Music. O sucesso de suas músicas fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos
americanos, Frank Sinatra. O disco "Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim", com arranjos de Claus Ogerman, incluiu
versões em inglês de músicas de Tom ("The Girl From Ipanema", "How Insensitive", "Dindi", "Quiet Night of Quiet Stars") e
composições americanas, como "I Concentrate On You", de Cole Porter. No fim dos anos 60, depois de lançar o disco "Wave" (com
a faixa-título, "Triste", "Lamento" e várias músicas instrumentais), participou de festivais no Brasil, ganhando inclusive o
primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção da TV Globo com "Sabiá", parceria com Chico Buarque, interpretado por
Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. "Sabiá" conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a música diante
dos constrangidos compositores. Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos,
principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara
inspiração, juntando harmonias do jazz ("Stone Flower") e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a
cultura brasileira. É o caso de "Matita Perê" e "Urubu", lançados na década de 70, que marcam a aliança entre a sofisticação
harmônica de Tom e sua qualidade de letrista. São desses dois discos "Águas de Março", "Ana Luíza", "Lígia", "Correnteza", "O
Boto", Ângela". Também nessa época grava discos com outros artistas, casos de "Elis e Tom", "Miúcha e Tom Jobim" e "Edu e
Tom". "Passarim", de 1987, é a obra de um compositor já consagrado, que pode desenvolver seu trabalho sem qualquer receio,
acompanhado por uma banda grande, a Nova Banda. Além da faixa-título, "Gabriela", "Luiza", "Chansong", "Borzeguim" e "Anos
Dourados" (com Chico Buarque) são os destaques. É difícil escolher os mais significativos entre os mais de 50 discos de que
participou, como intérprete ou arranjador. Todos eles têm algo de inovador, de diferente e especial. Seu último CD, "Antônio
Brasileiro", foi lançado em 1994, pouco antes da sua morte, em dezembro, nos EUA. Biografias foram lançadas, entre elas
"Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado", de sua irmã Helena Jobim, "Antônio Carlos Jobim - Uma Biografia", de Sérgio
Cabral, e "Tons sobre Tom", de Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado.
Faixas
Lado 1
01 CHEGA DE SAUDADE
João Gilberto
02 TERESA DA PRAIA
Lúcio Alves e Dick Farney
03 SAMBA DE UMA NOTA SÓ
Tom Jobim
04 GAROTA DE IPANEMA
Tom Jobim
Lado 2
01 DESAFINADO
João Gilberto
02 DINDI
Sílvia Telles
03 A FELICIDADE
Agostinho dos Santos
04 SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ
Tom Jobim
História da MPB - Volume 17 - Cartola e Nelson Cavaquinho [1970]
CARTOLA
Considerado o maior sambista da história por diversos músicos, Cartola nasceu no Rio e passou a infância no bairro de
Laranjeiras. Dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa a mudar-se para o morro da Mangueira, onde então começava
a despontar uma pequena favela. Na Mangueira fez logo amizade com Carlos Cachaça e outros bambas, se iniciando no mundo da
malandragem e do samba. Arranjou emprego de servente de obra, e passou a usar um chapéu para se proteger do cimento que caía
de cima. Era um chapéu-coco, mas o apelido Cartola pegou assim mesmo. Com seus amigos do morro criou o Bloco dos Arengueiros,
cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira, a verde-rosa, nome e cores escolhidos por Cartola, que compôs
também o primeiro samba, "Chega de Demanda". Seus sambas se popularizaram nos anos 30 em vozes ilustres como Francisco Alves,
Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda. Mas no início dos anos 40, Cartola desaparece do cenário. Pouco se sabe sobre
essa época além de que brigou com os amigos da Mangueira e que ficou mal depois da morte de Deolinda, a mulher com quem
vivia. Especulou-se até que houvesse morrido. Cartola só foi reencontrado em 1956 pelo jornalista Sérgio Porto, trabalhando
como lavador de carros. Porto tratou de promover a volta de Cartola, levando-o a programas de rádio e fazendo-o compor novos
sambas para serem gravados. Em 1964 Cartola e a esposa Zica abriram um bar-restaurante-casa de espetáculos na rua da Carioca,
o Zicartola, que promovia shows de samba e boa comida, reunindo no mesmo lugar a juventude bronzeada da Zona Sul carioca e os
sambistas do morro. O Zicartola fechou as portas algum tempo depois, e o compositor continuou com seu emprego publico e
compondo seus sambas. Em 1974 gravou o primeiro de seus quatro discos solo, e sua carreira tomou impulso de novo com
clássicos instantâneos como "As Rosas Não Falam", "O Mundo É um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros),
"Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço" e "Alegria". Ainda nos anos 70 mudou-se da Mangueira para uma
casa em Jacarepaguá, onde morou até a morte.
NELSON CAVAQUINHO
Carioca, adotou o apelido Nelson Cavaquinho desde jovem, quando tocava o instrumento nas rodas de samba promovidas pelos
operários da fábrica em que trabalhava. Alegando que o instrumento era muito pequeno, passou para o violão. Na década de 30
aproximou-se de sambistas da Mangueira, como Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, para quem passou a mostrar seus sambas
simples e fundamentais. Por essa época, vendia-os por pouco dinheiro. Começou a fazer algum sucesso como compositor nos anos
40, quando Cyro Monteiro gravou algumas de suas músicas. Em meados da década de 50 conheceu o parceiro Guilherme de Brito,
com quem compôs sambas como "A Flor e o Espinho" (com Alcides Caminha), "Folhas Secas", Quando Eu Me Chamar Saudade" e
"Pranto de Poeta". Foi uma das atrações do bar Zicartola, mantido por Cartola e a esposa Zica, onde foi descoberto, em meados
dos anos 60, pelos intelectuais. Nos anos 60 teve músicas gravadas por Elizeth Cardoso, e em 1966 a CBS lançou um disco só
com composições suas, com a cantora Telma Costa, produzido por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, em que aparece também
como intérprete em algumas faixas. Com sua voz rouca, deixou gravados outros discos, em que interpreta, além das já citadas,
"O Bem e o Mal" (com G. de Brito), "Juízo Final" (com Elcio Soares), "Pode Sorrir" (com G. de Brito), "Eu e as Flores" (com
Jair do Cavaquinho), "Rugas" (com Ary Monteiro/ Garcez), "Rei Vadio" (com Joaquim), "Vou Partir" (com Jair Costa), "Minha
Festa" (com G. de Brito), "Degraus da Vida" (com Cesar Brasil/ Antônio Braga), "Luto" (com Sebastião Neves/ G. de Brito),
"Notícia" (com Alcides Bahia/ Alcides Caminha), "Palhaço" (com Oswaldo Martins/ Washington). Consagrado como um dos maiores
sambistas do Brasil, foi gravado por diversos cantores, desde Chico Buarque e Paulinho da Viola até Arnaldo Antunes, que fez
uma recriação para "Juízo Final" em seus disco "O Silêncio".
Faixas:
Lado 1
Nelson Cavaquinho
01 LUZ NEGRA
Elizeth Cardoso e Nelson Cavaquinho
02 RUGAS
Cyro Monteiro e Benedito Lacerda
03 A FLOR E O ESPINHO
Elizeth Cardoso
04 DEGRAUS DA VIDA
Orlando Silva, José Menezes e Canhoto
Lado 2
Cartola
01 O SOL NASCERÁ
Nara Leão
02 DIVINA DAMA
Francisco Alves
03 TIVE SIM
Cyro Monteiro
04 PRECONCEITO
Cartola, José Menezes e Canhoto
História da MPB - Volume 18 - Roberto Carlos [1970]
Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, aos 9 anos já chamava a atenção na rádio local imitando o cantor Bob Nelson. Aos 12
mudou-se para Niterói com a família, e começou a fazer amizades com outros rapazes que gostavam de música, especialmente o
rock'n'roll que vinha dos Estados Unidos.
Em 1957 formou com alguns amigos, inclusive Tim Maia, o conjunto "Os Sputniks". No ano seguinte já era integrante do "The
Snakes", junto com Erasmo Carlos. Com esse grupo chegou a participar do programa Clube do Rock, de Carlos Imperial, na TV
Continental. Gravou alguns compactos no final da década de 50 e em 1961 lançou o primeiro LP, "Louco por Você".
A partir daí passou a investir, com apoio da gravadora CBS, no incipiente mercado de música jovem. Para isso juntou-se ao
amigo Erasmo e passou a fazer versões e compor músicas como "Splish Splash", "O Calhambeque", "É Proibido Fumar" e outras que
visavam ao filão juventude transviada, criando o primeiro movimento de rock feito no Brasil.
Em 1965 estreou, ao lado de Erasmo e Wanderléa, o programa Jovem Guarda, na TV Record, que daria nome ao movimento. O desafio
do programa era manter a elevada audiência das tardes de domingo, até então garantida pela transmissão dos jogos de futebol e
agora ameaçada, já que as transmissões haviam sido proibidas. O programa não só manteve a audiência, como conseguiu
aumentá-la.
Roberto Carlos foi um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira. Além do programa e dos discos, estrelou filmes,
inspirados no modelo lançado pelos Beatles nos anos 60. O primeiro longa, "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura", foi lançado
em 1967, seguido por "Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa" e "Roberto Carlos a 300km por Hora".
Nos anos 70, com o esmorecimento do movimento da Jovem Guarda, muda de estilo e torna-se um cantor e compositor basicamente
romântico. Foi a partir daí que seu público-alvo deixou de ser o jovem e passou a ser o público adulto. Nessa linha, seus
grandes sucessos são "Detalhes", "Emoções", "Café da Manhã", "Força Estranha", "Guerra dos Meninos", "Fera Ferida",
"Caminhoneiro", "Verde e Amarelo". Recentemente passou a dedicar-se mais ao filão religioso de sua obra, com o sucesso da
música "Nossa Senhora".
A carreira de Roberto Carlos é superlativa. Desde 1961 conseguiu a incrível façanha de lançar um disco inédito por ano,
interrompida apenas em 1999 por causa da doença de sua então esposa, Maria Rita, que viria a falecer. Nos últimos anos esse
lançamento acontece invariavelmente no Natal. Seus discos já venderam milhões de cópias e bateram recordes de vendagem (em
1994 bateu a marca de 70 milhões de discos vendidos). Fez milhares de shows em centenas de cidades, no Brasil e no exterior.
Seu fã-clube é um dos maiores de todo o mundo. Dezenas de artistas já fizeram regravações de suas músicas. Já lançou discos
em espanhol e inglês, em diversos países. Atualmente continua se apresentando com freqüência e todo ano produz um especial
que vai ao ar na semana do Natal pela TV Globo, mesma época do lançamento dos seus discos anuais.
Em 2001 gravou seu Acústico MTV, CD aguardíssimo e polêmico, já que não pode ser exibido pela MTV Brasil, uma vez que o
artista possuía um contrato com a Rede Globo, que não permitia sua imagem em outras emissoras de TV. Este álbum reúne os
grandes sucessos de sua carreira, além de nomes consagrados na MPB, como Samuel Rosa, do Skank (em "É Proibido Fumar"), Toni
Belotto, dos Titãs (em "É Preciso Saber Viver")e o gaitista Milton Guedes (em "Parei Na Contramão").
Após longa espera, em 2003 o "Rei" presenteia os fãs com este novo álbum "Pra Sempre", repleto de canções inéditas, entre
elas a faixa-título que é um fox no estilo "Emoções", e declara seu amor eterno a Maria Rita. Em 2005 lança seu disco
"Roberto Carlos 2005", que traz em seu repertório nove faixas, incluindo "Loving You", a balada lançada por Elvis Presley em
1957; "Promessa", música composta por Roberto e Erasmo Carlos para Wanderley Cardoso em 1965; "Coração Sertanejo", sucesso de
Chitãozinho & Xororó em 1996.
fonte: cliquemusic
Faixas
Lado 1
01 QUERO QUE VÁ TUDO PRO INFERNO
Roberto Carlos
02 NAMORADINHA DE UM AMIGO MEU
Wilson Simonal
03 SE VOCÊ PENSA
Gal costa
04 FESTA DE ARROMBA
Erasmo Carlos
Lado 2
01 OH! MEU IMENSO AMOR
Roberto Carlos
02 EU DISSE ADEUS
Elizeth Cardoso
03 FESTA DO BOLINHA
Trio Esperança
04 SENTADO À BEIRA DO CAMINHO
Erasmo Carlos
História da MPB - Volume 19 - Joubert de Carvalho [1970]
Mineiro de Uberaba, logo foi para São Paulo com a família. Mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em
medicina. Apesar de exercer a profissão de médico (tendo introduzido no Brasil a medicina psicossomática), desde muito cedo
começou a compor ao piano e a publicar suas músicas, que faziam sucesso entre os editores. A primeira composição foi "Cruz
Vermelha", escrita aos 10 anos ainda em São Paulo e que teve a renda revertida para a instituição homenageada. Em 1922 seu
fox "Príncipe" foi levado para a França, onde foi editado e teve grande êxito. No Brasil, depois de musicar letras famosas de
Olegário Mariano, como "Cai Cai, Balão" e "Tutu Marambá", conheceu a consagração no carnaval de 1930, com a gravação da
novata Carmen Miranda de "Taí (Pra Você Gostar de Mim)", realizada em meados de 1929. Seu outro enorme sucesso foi com a
canção "Maringá", composta em 1932 para o tema da seca do nordeste brasileiro, e que se tornou popular em todo o país na
gravação de Gastão Formenti, inspirando inclusive os colonos que construíam uma cidade no norte do Paraná, e que, fundada em
1947, levou o nome de Maringá. Outros sucessos foram "De Papo Pro Ar" (com Olegário Mariano) e "Pierrô" (com Pascoal Carlos
Magno). Joubert de Carvalho possui obra extensa, avaliada em mais de 700 músicas editadas. Além de Carmen, outros intérpretes
que gravaram Joubert foram Gastão Formenti, Carlos Galhardo e Francisco Alves.
Faixas
Lado 1
01 TAÍ (PRA VOCÊ GOSTAR DE MIM)
(Joubert de Carvalho)
Carmem Miranda
02 DE PAPO PRO Á
(Joubert de Carvalho e Olegáro Mariano)
Gastão Formenti
03 NÃO ME ABANDONES NUNCA
(Joubert de Carvalho)
Sílvio Caldas
04 MARINGÁ
(Joubert de Carvalho)
Carlos Galhardo
Lado 2
01 ZÍNGARA
(Joubert de Carvalho e Olegário Mariano)
Gastão Formenti
02 PIERRÔ
(Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno)
Sílvio Caldas
03 MINHA CASA
(Joubert de Carvalho)
Carlos José
04 A FLOR E A VIDA
(Joubert de Carvalho)
Joubert de Carvalho (piano) e Orquestra de José Menezes
História da MPB - Volume 20 - Edu Lobo [1970]
Carioca, filho do compositor Fernando Lobo, começou na música tocando acordeom. Depois se interessou pelo violão e dedicou-se
ao instrumento, contra a vontade do pai. Passou a freqüentar shows em bares de Copacabana e formou um conjunto com Dori
Caymmi e Marcos Valle, que chegou a se apresentar algumas vezes. Em 1962 compôs sua primeira parceria com Vinicius de Moraes,
"Só Me Fez Bem". Gravou no mesmo ano seu primeiro compacto, com canções tipicamente de bossa nova. Mais tarde desviou-se um
pouco dessa tendência, adotando uma linha mais combativa de cultura popular, graças à parceria com Ruy Guerra, que resultou
em composições como "Canção da Terra", "Reza" e "Aleluia". Fez trilha para teatro, participou do evento "Arena Conta Zumbi"
em 1965 em São Paulo, onde estreou um de seus maiores sucessos, "Upa, Neguinho", em parceria com Gianfrancesco Guarnieri,
mais tarde gravada por Elis Regina. Participou dos festivais de música popular, obtendo o primeiro prêmio em 1965 como
"Arrastão" (com Vinicius de Moraes) e em 1967 com "Ponteio", parceria com Capinam. Entre 1969 e 1971 morou nos Estados
Unidos, onde aprofundou seus estudos musicais. Por essa época trabalhou com Sergio Mendes e Paul Desmond. De volta ao Brasil,
lançou discos solo e em parcerias ilustres, como "Edu e Tom", em 1981, e "O Grande Circo Místico", de 1983, com composições
suas e de Chico Buarque interpretadas por outros artistas. Nos anos 90 lançou discos com músicas inéditas e compôs trilhas
para filmes como "Canudos", de Sergio Resende. Seu CD "Meia-noite" (1995) recebeu o prêmio Sharp de melhor disco de música
popular brasileira do ano.
Faixas
Lado 1
01 ARRASTÃO
(Edu Lobo e Vinícius de Moraes)
Elis Regina
02 CANÇÃO DO AMANHECER
(Edu Lobo e Vinícius de Moraes)
Edu Lobo e Tamba Trio
03 NO CORDÃO DA SAIDEIRA
(Edu Lobo)
MPB-4
04 UPA NEGUINHO
(Edu Lobo e Gianfrancesco Guarniere)
Elis Regina
Lado 2
01 PONTEIO
(Edu Lobo e Capinan)
Edu Lobo
02 CORRIDA DE JANGADA
(Edu Lobo e Capinan)
Elis Regina
03 BORANDÁ
(Edu Lobo)
Edu Lobo
04 CHEGANÇA
(Edu Lobo e Oduvaldo Viana)
Nara Leão
História da MPB - Volume 21 - Herivelto Martins [1970]
Nascido no distrito de Rodeio (RJ) (atual Engenheiro Paulo de Frontin), com três anos de idade já podia ser visto declamando
versos escritos pelo pai, Félix Martins, agente ferroviário e agitador cultural da região. Em 1917 mudou-se com a família
para Barra do Piraí (RJ), onde começou a atuar em peças teatrais e dedilhar os primeiros acordes no violão e no cavaquinho. É
de 1921 o seu primeiro samba, "Nunca Mais", que não chegou a ser gravado. Trabalhou como vendedor, ajudante de contabilidade
e até tentou excursionar pelo país organizando um show de circo, mas foi proibido pela polícia. Quando completou 18 anos
fugiu para o Rio de Janeiro para morar com o irmão Hedelaci, onde trabalhou numa barbearia no morro de São Carlos, berço dos
sambistas do Estácio. Se enturmou de cara com os compositores da escola, principalmente com José Luís da Costa, o Príncipe
Pretinho, que o apresentou a J.B de Carvalho, que viria a ser o seu primeiro parceiro em "Da Cor do Meu Violão", gravada pelo
Conjunto Tupi. Formou dupla com Francisco Sena, que seria apelidada como Dupla Preto Branco, gravando três canções "Preto e
Branco", "Quatro Horas" e "Vamos Soltar Balão". Com a morte de Sena, em 1935, passou a ter um novo parceiro, Nilo Chagas.
Suas canções saíram do anonimato nas vozes de Silvio Caldas (que gravou a marcha "Samaritana") e de Aracy de Almeida
("Pedindo a São João"). Na época, se apaixonou por uma jovem intérprete de 19 anos, que cantava na Companhia Pascoal Segreto:
Dalva de Oliveira. Casou-se com Dalva em 1937 e formou com ela e com Nilo Chagas o Trio de Ouro. Durante as décadas de 40 e
50, no auge da carreira, compôs clássicos, como "Praça Onze", "Isaura", "A Lapa", "Caminhemos", "Atiraste uma Pedra", "Negro
Telefone". O samba "Ave Maria do Morro", de 1942, para muitos a sua maior canção, causou ao mesmo tempo ódio e paixão no
Brasil foi condenado como sacrilégio pelo cardeal Sebastião Leme e na Europa adotado como canção religiosa. O tumultuado
casamento com Dalva, que terminou no fim da década de 40, contribuiu, ironicamente, para um grande duelo entre os
compositores e intérpretes da época. Por causa da briga conjugal, que se tornou pública, houve uma racha no meio artístico.
Ao lado de Herivelto, ficaram Lupicínio Rodrigues ("Vingança"), Nelson Cavaquinho ("Palhaço") e Wilson Batista ("Calúnia)".
Com Dalva, Ataulfo Alves ("Errei, Sim"), Marino Pinto e Mário Rossi ("Abajur Lilás") e Heitor dos Prazeres ("Tudo Acabado").
Acaram todos fazendo sucesso e se divertindo por causa dos tabefes musicais trocados pelo casal. O Trio de Ouro seguiu com
outras formações até terminar em 1957. O compositor passou a se apresentar em alguns festivais e a dirigir grupos de sambas.
Em 1971 foi eleito presidente do Sindicato de Compositores do Rio de Janeiro, mas foi impedido pela ditadura militar de tomar
posse, acusado de subversivo. Em 1992, alguns meses antes de sua morte, foi lançada a biografia "Herivelto Martins: uma
escola de samba" (Ensaio Editora), dos jornalistas Jonas Vieira e Natalício Norberto.
Faixas
Lado 1
01 AVE MARIA NO MORRO
(Herivelto Martins)
Trio de Ouro
02 A LAPA
(Herivelto Martins e Benedito Lacerda)
Francisco Alves
03 CABELOS BRANCOS
(Herivelto Martins e Marino Pinto)
Sílvio Caldas
04 PENSANDO EM TI
(Herivelto Martins e David Nasser)
Nelson Gonçalves
Lado 2
05 CAMINHEMOS
(Herivelto Martins)
Francisco Alves
06 PRAÇA ONZE
(Herivelto Martins e Grande Otelo)
Castro Barbosa e Trio de Ouro
07 SEGREDO
(Herivelto Martins e Marino Pinto)
Dalva de Oliveira
08 LÁ EM MANGUEIRA
(Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres)
Martinho da Vila e Os Originais do Samba
História da MPB - Volume 22 - Caetano Veloso [1970]
Considerado uma das figuras mais importantes da música popular brasileira, nasceu no interior da Bahia e começou a cantar e
tocar violão em Salvador, aonde foi estudar, ao lado da irmã, a também cantora Maria Bethânia. Se interessa por bossa nova e
principalmente João Gilberto.
Nos anos 60 conheceu Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, e juntos começaram a fazer espetáculos e shows. Em 1965 Maria Bethânia
é chamada para substituir Nara Leão no espetáculo "Opinião", no Rio de Janeiro, e Caetano a acompanha. No mesmo ano é lançado
seu primeiro compacto, com "Cavaleiro" e "Samba em Paz".
Nos anos seguintes participa dos festivais de música popular e compõe trilhas de filmes. Em 1967 sai o primeiro LP,
"Domingo", com Gal Costa. No ano seguinte encabeça o movimento tropicalista e lança o disco "Tropicália ou Panis et
Circensis" ao lado de Gil, Gal, Tom Zé, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Nara Leão.
No III Festival Internacional da Canção, em 1968, sua música "É Proibido Proibir" leva uma estrondosa vaia e é
desclassificada, provocando reação indignada do compositor e cantor.
Em 1969, depois de ser preso pela ditadura militar, parte para o exílio político na Inglaterra, onde compõe canções como
"London, London" e "Como Dois e Dois" e lança discos.
Volta ao Brasil em 1972 e faz show em várias cidades do Brasil e nos anos seguinte começa a atuar também como produtor.
Em 1976 Caetano, Gal, Gil e Bethânia se juntam novamente e formam o grupo Doces Bárbaros, que grava um LP sai em turnê. Nos
anos 80 continua gravando e produzindo discos, como "Outras Palavras", "Cores, Nomes", "Uns" e "Velô", e em 86 comanda ao
lado de Chico Buarque o programa de televisão "Chico & Caetano", onde cantam e trazem convidados.
Inicia os anos 90 com o sucesso do disco "Circuladô" cuja faixa-título é baseada num poema de Haroldo de Campos, colaborador
de longa data. Logo em seguida, "Tropicália 2" refaz a parceria Caetano-Gil.
Em 1997 sai o primeiro livro de Caetano, "Verdade Tropical", um relato pessoal sobre sua visão de mundo. Seu disco "Livro",
de 1998, ganhou o prêmio Grammy em 2000, na categoria World Music.
Nos anos 80, cresce a popularidade de Caetano Veloso fora do Brasil, especialmente em Israel, Portugal, França e Africa.
Em 2004, ele foi considerado um dos mais respeitados e produtivos pop-stars latino-americanos no mundo, com mais de cinquenta
discos disponíveis, incluindo canções em trilhas sonoras de filmes como "Hable con Ella" (Fale com Ela), de Pedro Almodovar,
e "Frida".
Em 2002, Veloso publicou um livro sobre o movimento da Tropicália, "Tropical Truth: A Story of Music and Revolution in
Brazil" (Tropicália: Uma Estória de Música e Revolução no Brasil).
Em 2003, Caetano lança "Muito Mais", seu primeiro DVD - Áudio, que foi bônus da caixa comemorativa de 35 anos de carreira. O
DVD reúne grandes sucessos do artista escolhidos pelos fãs por meio da internet. Seu primeiro CD em Inglês, foi "A Foreign
Sound" - "Um som Estrangeiro" (2004), no qual interpretou "Come as You Are", música da banda Nirvana, bem como outras canções
famosas. Cinco das seis canções de seu terceiro álbum "Caetano Veloso", realizado em 1971, também foram cantadas em inglês.
Faixas
Lado 1
01 ALEGRIA, ALEGRIA
(Caetano Veloso)
Caetano Veloso
02 NÃO IDENTIFICADO
(Caetano Veloso)
Gal Costa
03 IRENE
(Caetano Veloso)
Tom Zé
04 NO DIA EM QUE EU VIM ME EMBORA
(Caetano Veloso e Gilberto Gil)
Caetano Veloso
Lado 2
01 SAUDOSISMO
(Caetano Veloso)
Caetano Veloso
02 DE MANHÃ
(Caetano Veloso)
Maria Bethânia
03 ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO
(Caetano Veloso)
Nara Leão
04 TROPICÁLIA
(Caetano Veloso)
Caetano Veloso
História da MPB - Volume 23 - Orestes Barbosa [1970]
Compositor, letrista, jornalista e escritor carioca, aprendeu a tocar violão ainda na infância. Mais tarde trabalhou em
redações de diversos jornais do Rio de Janeiro e publicou seu primeiro livro de poemas em 1917, "Penumbra Sagrada". Como
jornalista, militou politicamente através de seus artigos, tendo sido preso por esse motivo algumas vezes. Acabou escrevendo
o livro "Na Prisão", com seus relatos do cárcere. Escreveu outros livros de poesia e prosa antes de fazer suas primeiras
letras para música: "Romance de Carnaval", valsa em parceria com J. Machado, e "Bangalô", com Osvaldo Santiago. Compôs também
nos anos 30 o maestro J. Thomaz, Heitor dos Prazeres ("Nega, Meu Bem"), Nássara ("As Lavadeiras", "Caixa Econômica") e Noel
Rosa ("Positivismo"). Outros parceiros foram Custódio Mesquita ("Flauta, Cavaquinho e Violão"), Francisco Alves ("Adeus",
"Dona da Minha Vontade"), Wilson Batista ("Abigail", "Cabelo Branco"), Ataulfo Alves e Silvio Caldas, com quem compôs várias
músicas, entre elas "Arranha-céu", "Suburbana", "Serenata", "Quase que Eu Disse", "Torturante Ironia" e seu maior sucesso,
"Chão de Estrelas", considerado um dos hinos da MPB. Entre valsas, foxes e sambas, suas composições foram gravadas por
intérpretes como Castro Barbosa, Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Aracy de Almeida, Orlando Silva e Zezé Gonzaga. Na década de
70, Paulinho da Viola regravou sua parceria com Valzinho, "Óculos Escuros".
Faixas:
Lado 1
01 CHÃO DE ESTRELAS
(Orestes Barbosa e Sílvio Caldas)
Sílvio Caldas
02 POSITIVISMO
(Orestes Barbosa e Noel Rosa)
Noel Rosa
03 A MULHER QUE FICOU NA TAÇA
(Orestes Barbosa e Francisco Alves)
Fracisco alves
04 SERENATA
(Orestes Barbosa e Sílvio Caldas)
Sílvio Caldas
Lado 2
01 ARRANHA-CÉU
(Orestes Barbosa e Sílvio Caldas)
Sílvio Caldas
02 CAIXA ECONÔMICA
(Orestes Barbosa e Antonio Nássara)
João Petra de Barros e Luiz Barbosa
03 SUBURBANA
(Orestes Barbosa e Sílvio Caldas)
Carlos José
04 QUASE QUE EU DISSE
(Orestes Barbosa e Sílvio Caldas)
Sílvio Caldas
História da MPB - Volume 24 - Vinícius de Moraes [1970]
Nasceu no Rio de Janeiro em uma família amante das letras e da música, e seguiu as duas vocações. Ainda no colégio, começou a
compor com os amigos Paulo e Haroldo Tapajós, e juntos tocavam em festinhas. Nos anos 30 formou-se em Direito e fez letra
para dez músicas que foram gravadas, nove delas parcerias com os irmãos Tapajós. Em 1933 publicou seu primeiro livro de
poemas, "O Caminho para a Distância". Amigo de Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade, publicou outros livros
de poemas nessa década. Passou algum tempo estudando inglês na Universidade de Oxford e, de volta ao Brasil em 1941, foi
crítico cinematográfico do jornal "A Manhã". Dois anos depois foi aprovado para o Itamaraty e seguiu a carreira diplomática.
Como diplomata morou nos Estados Unidos, França, Uruguai. Em 1954 inicia-se como teatrólogo, escrevendo a peça "Orfeu da
Conceição", que mais tarde virou o filme "Orfeu do Carnaval", dirigido pelo francês Marcel Camus. Sua carreira como músico é
impulsionada a partir das décadas de 50 e 60, quando conhece alguns de seus parceiros, como Tom Jobim, Antônio Maria, Edu
Lobo, Carlos Lyra, Baden Powell. Em 1958 Elizeth Cardoso lança "Canção do Amor Demais", com diversas parcerias Tom/ Vinicius:
"Luciana", "Estrada Branca", "Chega de Saudade". O primeiro grande show em que se apresenta, na boate Au Bon Gourmet, em
1962, ao lado Tom Jobim e João Gilberto, o liga permanentemente ao mundo da música popular e aos palcos. Seu elo com a bossa
nova é muito importante. Fez letras para algumas das músicas mais importantes do movimento, como "Garota de Ipanema", "Chega
de Saudade", "Eu Sei que Vou Te Amar", "Amor em Paz", "Insensatez", "Se Todos Fosse Iguais a Você" (todas com Tom Jobim),
"Minha Namorada", "Coisa Mais Linda", "Você e Eu" (com Carlos Lyra). É também em 1962 que conhece Baden Powell, com quem
comporia músicas de temática afastada da bossa nova, como os afro-sambas ("Canto de Ossanha", "Canto de Xangô", "Samba de
Oxóssi") e outros sambas ("Samba em Prelúdio", "Samba da Bênção", "Formosa", "Apelo", "Berimbau"). Em 1965, num show na boate
Zum Zum, lançou o Quarteto em Cy, de quem se tornou padrinho. No mesmo ano, "Arrastão", sua parceria com Edu Lobo, defendida
por Elis Regina, é a vencedora do Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, em São Paulo. O segundo lugar também
é de Vinicius: ""Valsa do Amor que Não Vem", parceria com Baden interpretada por Elizeth. Após a promulgação do AI-5, em
1968, Vinicius é aposentado compulsoriamente da carreira diplomática. A partir de então passa a se dedicar à vida artística.
Faz shows em Portugal, Argentina, Uruguai, acompanhado de Nara Leão, Maria Creuza, Toquinho, Oscar Castro Neves, Quarteto em
Cy, Baden Powell, Chico Buarque. Nos anos 70 incrementa a parceria com Toquinho: "Tarde em Itapuã", "Regra Três", "Maria Vai
com as Outras", "A Tonga da Mironga do Kabuletê" são algumas músicas da dupla. Muitos discos foram lançados na década de 70
com composições ou interpretações suas. Um dos mais importantes é "Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha", gravado ao vivo no
Canecão (Rio), em um espetáculo que ficou quase um ano em cartaz no Rio e seguiu para outras cidades da América do Sul e
Europa. Apesar do sucesso com a música popular, Vinicius não abandonou a poesia, tendo inclusive gravado discos em que recita
suas obras. Depois de sua morte, em 1980, diversos shows-tributo foram apresentados, ao longo dos anos, assim como coletâneas
e biografias.
Faixas
Lado 1
01 SAMBA DA BÊNÇÃO
(Vinícius de Moraes e Baden powell)
Vinícius de Moraes
02 VALSA DE EURIDICE
(Vinícius de Moraes)
Ana Lúcia
03 INSENSATEZ
(Vinícius de Moraes e Tom Jobim)
Os Cariocas
04 RANCHO DAS NAMORADAS
(Vinícius de Moraes e Ary Barroso)
Nara Leão
Lado 2
01 SERENATA DO ADEUS
(Vinícius de Moraes)
Elizeth Cardoso
02 POEMA DOS OLHOS DA AMADA
(Vinícius de Moraes e Paulo Soledade)
Sergio Ricardo
03 BOM DIA TRISTEZA
(Vinícius de Moraes e Adoniran Barbosa)
Maysa
04 LOURA OU MORENA
(Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós)
Joel de Almeida
História da MPB - Volume 25 - Vicente Celestino [1970]
Carioca, começou cantando para amigos e vizinhos, e aos poucos foi se tornando conhecido no bairro. Assistia às companhias
líricas que se apresentavam no Rio de Janeiro e tinha Enrico Caruso entre seus grandes ídolos. Aos 20 anos estreou
profissionalmente no Teatro São José, solando a valsa "Flor do Mal" (S. Coelho/ D. Correia), que fez estrondoso sucesso. Essa
gravação, de 1916, foi sua primeira a vender milhares de cópias, um fenômeno para a época. Cantou na opereta "Juriti", de
autoria de Chiquinha Gonzaga, e em 1920 montou sua própria companhia de operetas. Mesmo assim não abandonou o filão
carnavalesco, que lhe rendeu sucessos como "Urubu Subiu", em duo com Baiano. Foi um dos pioneiros no sistema elétrico de
gravação no Brasil. Lançou, por esse processo, sucessos como "Santa" (Freire Júnior) e "Noite Cheia de Estrelas" (Índio). Na
década de 30 começou a revelar-se também como compositor. É de sua autoria a música que o tornou conhecido através dos
tempos: "O Ébrio", que foi transformado num dos filmes de maior bilheteria do país em 1946, dirigido por sua esposa Gilda de
Abreu. Também são suas as músicas "Ouvindo-te", "Coração Materno", "Patativa" e "Porta Aberta". Tendo cantado sempre no
Brasil, foi ídolo de quatro gerações e cantou, sempre em seu estilo "vozeirão" de tenor, mesmo músicas mais modernas e de
caráter intimista, como canções de bossa nova ("Se Todos Fossem Iguais a Você"). Em pleno tropicalismo, Caetano Veloso
regravou "Coração Materno". O cantor faleceu quando seria homenageado num evento do movimento, em São Paulo.
Faixas:
Lado 1
01 O ÉBRIO
[Vicente Celestino]
Vicente Celestino
02 OUVINDO-TE
[Vicente Celestino]
Vicente Celestino
03 PORTA ABERTA
[Vicente Celestino]
Vicente Celestino
04 QUERO VOLTAR
[Vicente Celestino, Custódio Mesquita e Sadi Cabral]
Vicente Celestino
Lado 2
01 CORAÇÃO MATERNO
[Vicente Celestino]
Caetano Veloso
02 ESQUECIMENTO
[Vicente Celestino e Mário Rossi]
Vicente Celestino
03 PATATIVA
[Vicente Celestino]
Vicente Celestino
04 SERENATA
[Vicente Celestino]
Vicente Celestino
História da MPB - Volume 26 - Paulinho da Viola [1970]
Um dos mais requintados compositores de samba em atividade, letrista e instrumentista aclamado, é filho do violonista e
chorão César Faria, do conjunto Época de Ouro. Cresceu no Rio de Janeiro ouvindo em casa canjas de músicos como Pixinguinha e
Jacob do Bandolim, e logo aprendeu a tocar violão e cavaquinho.
Passou a freqüentar blocos carnavalescos e em 1962 compôs seu primeiro samba, "Pode Ser Ilusão". No ano seguinte travou
conhecimento com os sambistas da Portela, e com seu samba "Recado", em parceria com Casquinha, passou a ser integrante da ala
de compositores da escola. Em seguida conheceu Cartola, Zé Kéti e os sambistas da Mangueira, tornando-se freqüentador do bar
Zicartola nos anos 60.
Por intermédio de Hermínio Bello de Carvalho participou do espetáculo "Rosa de Ouro", que depois virou disco, e ainda no ano
de 1965 gravou, como membro do conjunto A Voz de Morro, os LPs "Roda de Samba" vol. 1, 2 e 3. A partir daí começou a se
notabilizar também como cantor, com seu timbre suave e voz doce.
Participou de festivais e em 1968 lançou o primeiro disco solo, "Paulinho da Viola". No ano seguinte sua música "Sinal
Fechado", harmonicamente elaborada e mais distante das raízes do samba, venceu o V Festival da MPB, mostrando outro lado de
seu talento como compositor. Na década de 70 trouxe o choro de volta à moda convidando o Época de Ouro para participar de seu
espetáculo "Sarau".
Alguns de seus maiores sucessos foram sambas em homenagem às escolas: "Sei Lá, Mangueira" e "Foi um Rio que Passou em Minha
Vida", sucesso da Portela, sua escola de coração, no carnaval de 1970. Além desses, Paulinho é o autor de muitos clássicos,
como "Dança da Solidão", "Choro Negro", "Jurar com Lágrimas", "Guardei Minha Viola", "Argumento", "Amor à Natureza",
"Perdoa", "Coisas do Mundo, Minha Nega", "Sentimento Perdido", "Coração Leviano", "Sarau para Radamés", "Pode Guardar as
Panelas", "Onde a Dor Não Tem Razão" (com Elton Medeiros), "Rumo dos Ventos", "Prisma Luminoso", "Eu Canto Samba".
Em 1996 a gravadora EMI lançou em CD 11 discos que estavam esgotados, com o objetivo de disponibilizar toda a sua obra. Em
seguida lançou o inédito "Bebadosamba" e pouco depois a gravação do vivo, intitulada "Bebadachama". Continua se apresentando
em shows com a Velha Guarda da Portela ou individualmente, cativando audiências cada vez maiores com a elegância que já lhe
valeu o título de Príncipe do Samba.
Em 2003, Paulinho lança "Meu tempo é hoje", a trilha sonora de do aplaudidíssimo documentário dirigido por Izabel Jaguaribe,
que leva o mesmo título e conta um pouco do cotidiano e dessa grande personalidade da música brasileira. No filme a peculiar
e discreta rotina do músico e seus hábitos e costumes desconhecidos do grande público mostrados de perto, assim como
encontros musicais inesquecíveis com Marina Lima, Elton Medeiros, Zeca Pagodinho, Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela.
fonte: cliquemusic
Faixas:
Lado 1
01 14 ANOS
[Paulinho da Viola]
Paulinho da Viola
02 MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS
[Paulinho da Viola]
Martinho da Vila
03 CONVERSA DE MALANDRO
[Paulinho da Viola]
Conjunto A Voz do Morro
04 SEI LÁ MANGUEIRA
[Paulinho da Viola e H. B. de Carvalho]
Elizeth Cardoso
Lado 2
01 FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA
[Paulinho da Viola]
Paulinho da Viola
02 COISAS DO MUNDO, MINHA NEGA
[Paulinho da Viola]
Nara Leão
03 SINAL FECHADO
[Paulinho da Viola]
Paulinho da Viola
04 RECADO
[Paulinho da Viola e Casquinha]
Conjunto A Voz do Morro
história da mpb - volume 27 - j. cascata e leonel azevedo [1970]
J. CASCATA
Álvaro Nunes nasceu no Rio de Janeiro, em uma família ligada à música, que desde criança lhe colocou o apelido Cascata.
Começou a tocar violão aos dez anos, e aos 16 entrou em um grupo como cantor, ao lado, entre outros, de Valzinho e Luís
Bittencourt. Interessado em aprofundar-se no estudo do violão, foi ter aulas com um professor, trabalhando como jogador de
futebol para pagar as aulas. A partir do final da década de 20 passou a compor regularmente, principalmente músicas de
carnaval. Freqüentava rodas de samba ao lado de Lamartine Babo, Ary Barroso e Noel Rosa e em 1931 estreou em um programa na
Rádio Cajuti. Em seguida transferiu-se para outras emissoras e na Philips conheceu Leonel Azevedo, que se tornaria seu grande
parceiro. Em meados dos anos 30 decidiu adotar o nome artístico J. Cascata, e por essa época teve suas primeiras composições
gravadas por Orlando Silva, Silvio Caldas e Luís Barbosa. Este último lançou um de seus maiores sucessos, "Minha Palhoça",
também gravado por Silvio Caldas. Orlando Silva foi responsável por grandes êxitos da dupla Leonel Azevedo/ J. Cascata, como
"Lábios que Beijei" e "Juramento Falso", além de interpretar músicas só de Cascata, como "Lágrimas de Homem" e "Não Serás
Feliz". Na década de 50 participou do Conjunto da Velha Guarda organizado por Almirante, e no fim da vida foi assistente de
direção da gravadora Sinter.
LEONEL AZEVEDO
Carioca, estudou piano durante a juventude, quando começou a fazer amizades com artistas das rádios Sociedade e Clube do
Brasil. Sua primeira composição foi "Chora Coração", de 1930. Fez teste para cantor na Rádio Philips em 1935 e entrou para o
elenco do programa Hora do Outro Mundo, em companhia de Ary Barroso e Aracy de Almeida. Foi então que conheceu J. Cascata,
seu parceiro mais constante. Os dois cantavam no programa Hora Sertaneja e compunham músicas especialmente para as
apresentações. O maior sucesso da dupla foi "Lábios que Beijei", na voz do "cantor das multidões" Orlando Silva, gravado com
arranjo de Radamés Gnattali em 1937. Outros êxitos foram "Juramento Falso", "Não Pago o Bonde", "História Joanina", "Mágoas
de Caboclo", "Vamos Sonhar", "Apanhei um Resfriado". Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se Sílvio
Caldas, Elizeth Cardoso, Almirante, Nelson Gonçalves e Miltinho. Em 1962, um ano depois da morte de J. Cascata, Leonel
retirou-se da vida artística. Nessa década, amigos e admiradores do compositor gravaram 5 LPs independentes, com o título
comum "Estórias de Amor", agrupando sua obra nas vozes de cantors como Zezé Gonzaga, Nuno Roland, Gilberto Milfont, Onésimo
Gomes, Roberto Paiva, Rosita González e Albertinho Fortuna, entre outros, acompanhados por músicos como Luperce Miranda,
Altamiro Carrilho e Regional do Canhoto. Esses discos, e mais o LP "Leonel -- 40 Anos de Música Brasileira", de 1976, foram
editados em 3 CDs pelo selo Revivendo em 1999 com o mesmo título, "Estórias de Amor".
Faixas
Lado 1
01 LÁBOS QUE BEIJEI
Orlando Silva
02 MINHA PALHOÇA
Dilermando Pinheiro e Seu Chapéu de palha
03 JURAMENTO FALSO
Leonel Azevedo e José Menezes
04 MEU ROMANCE
Orlando Silva
Lado 2
01 HISTÓRIA DE UM AMOR
Orlando Silva
02 NÃO PAGO O BONDE
Odete Amaral
03 HISTÓRIA JUNINA
Nelson Gonçalves
04 APANHEI UM RESFRIADO
Almirante
História da MPB - Volume 28 - Carlos Lyra [1970]
Nascido em família de músicos, em 11 de maio de 1935, Carlos Lyra teve sua infância sempre permeada pela música,
arriscando-se num piano de brinquedo e depois em uma gaita. E esse sangue acompanhou sua adolescência, quando teve contato
com o público ainda na escola.
Se profissionalizou e trocou o curso de Arquitetura pela música. Suas primeiras composições foram na linha samba-canção, na
década de 50, mas a Bossa rompeu também suas veias, quando Silvinha Telles gravou Menina em 56, trazendo a gravação
precursora do movimento na outra face do disco, Foi a Noite, de Tom Jobim e Newton Mendonça. A partir daí, encantado com a
nova mistura, Carlos Lyra e suas composições chegaram ao representante maior do movimento, João Gilberto.
Como ele próprio dizia, todos entoavam suas músicas, mas ninguém conhecia seu autor. Tem também uma forte participação no
teatro e no cinema. Com o militarismo, a censura e a repressão, envolveu-se com sua segunda paixão, a Astrologia. E foi com
ela que quis ser reconhecido na década de 70, pois para ele a bossa já tinha passado.
Mas o público lá dos tempos de escola juntou-se ao público dos colégios nos anos 80. A bossa renasceu, sua música voltou a
soar, dessa vez por todo o país, e com seu autor devidamente conhecido e reconhecido.
Carô Murgel
Faixas:
Lado 1
01 PAU-DE-ARARA
(Carlos Lira e Vinícius de Moraes)
Ary Toledo
02 LOBO BOBO
(Carlos Lira e Ronaldo Bôscoli)
Alaíde Costa
03 INFLUÊNCIA DO JAZZ
(Carlos Lira)
Carlos Lyra
04 MARIA MOITA
(Carlos Lira e Vinícius de Moraes)
Nara Leão
Lado 2
01 PRIMAVERA
(Carlos Lira e Vinícius de Moraes)
Carlos Lyra e Dulce Nunes
02 MARIA DO MARANHÃO
(Carlos Lira e Nelson L. de Barros)
Elis Regina
07 QUEM QUISER ENCONTRAR O AMOR
(Carlos Lira e Geraldo Vandré)
Geraldo Vandré
04 MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
(Carlos Lira e Vinícius de Moraes)
Os Bossais
História da MPB - Volume 29 - Custódio Mesquita [1970]
Custódio de Mesquita Pinheiro, compositor, pianista e ator. Y 25/4/1910, Rio de Janeiro, RJ - V 13/3/1945, Rio de Janeiro,
RJ.
Filho do comerciante Raul Cândido Pinheiro e de Camila de Mesquita Bastos Pinheiro. Custódio tinha dois irmãos, Albino e
Camila. Seu pai morreu cedo, em 1914, aos 35 anos, quando Custódio tinha apenas 4 anos de idade.
De família rica, ainda criança, começou a ter aulas de piano com sua mãe, pianista clássica.
Por ser indisciplinado nos estudos curriculares, sua mãe colocou-o no corpo de escoteiros do Fluminense Futebol Clube, onde
aprendeu a tocar tambor, o que despertou mais tarde sua paixão também pela bateria, instrumento que dominaria com mestria. De
fato, os estudos não atraíam muito o futuro compositor. Certa vez, Custódio foi flagrado por sua mãe cabulando aula, tocando
bateria num conjunto que se apresentava no Cinema Central. Levou uma surra ao chegar em casa, mas de nada adiantou. Sem o
apoio da família, desistiu de estudar, causando profunda tristeza em sua mãe e em seu irmão Albino, que era contra a opção de
Custódio, que escolhia a música como profissão.
Apesar de tudo, dotado de extremo talento, Custódio insistia em tocar de ouvido, desprezando sempre as partituras. Ao que
parece, só foi obter o diploma de regente diante da recusa de um músico que alegou não tocar em orquestra dirigida por um
pianista que tocava "de ouvido".
Fez a primeira de suas 111 composições aos vinte anos (1930), o samba-canção O amor é um prejuízo em parceria com Moisés
Friedman, mas só viu seu trabalho em disco em 1932, na voz de Sílvio Caldas, que gravou Dormindo na rua e Tenho um segredo,
dois foxtrotes, gênero predominante na obra de Custódio.
Entretanto, seu primeiro grande sucesso foi a marchinha Se a lua contasse (1933), gravada por Aurora Miranda. Tanto o
compositor quanto a cantora despontaram graças a essa música. O prestígio chegou rápido e Custódio tornou-se conhecido em
todo o Brasil e até no exterior. Em 1936 realizou uma temporada na Argentina, como pianista, e fez muito sucesso com Se a lua
contasse.
Foi um pianista de respeito. No início da década de trinta, já tocava na Rádio Clube do Brasil, Rádio Mayrink Veiga , Rádio
Philips e também tocava numa escola de danças. Gostava muito de executar as peças de Ernesto Nazareth, e o fazia com mestria,
a ponto de gravar com sua orquestra vários de seus choros e valsas. Fez também muitas gravações acompanhando ao piano vários
artistas da época.
Em 1933 Custódio passou a fazer parte da SBAT, Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, como sócio-administrativo, ocupando
depois o cargo de subsecretário da entidade, além de dirigir o departamento de compositores. Custódio também foi diretor
artístico da RCA Victor.
Ingressou no meio teatral como compositor através de seu parceiro e amigo Mário Lago. Escreveu e musicou cerca de trinta
peças, sozinho ou com o parceiro, além de ter atuado como ator em várias companhias. Entre elas: Sambista da Cinelândia, Rumo
ao Catete, Mamãe eu quero, Entra na bicha, Se a lua contasse, Fim de mundo, Tico-tico no fubá, Figa de Guiné, Grã-finos do
morro, Pó de Mico, As armas, Filhas de Eva e Gandaia.
Uma curiosidade contada por Mário Lago é que ele e Custódio sempre reservavam um camarote nas peças por eles musicadas a uma
fã do teatro, Dna. Balbina, mãe de Orlando Silva, pois sabiam que ela sempre levava o filho consigo e o cantor acabava por
escolher algum tema novo para gravar.
Trabalhou como ator no cinema, estreando em Alô, alô, Brasil (1935) de Wallace Downey, em Bombonzinho (1938) de Mesquitinha e
foi ainda o galã no filme Moleque Tião (1943) de José Carlos Burle, contracenando com Grande Othelo. Neste último fez também
a trilha sonora. No teatro, fez o papel de Dom Pedro I na peça "Carlota Joaquina". Na época, a crítica foi muito favorável
quanto à sua atuação, tanto no cinema quanto no teatro.
Escreveu com Sady Cabral, um de seus parceiros mais constantes, a opereta A Bandeirante que foi apresentada em outubro de
1938 no teatro São Pedro de Porto Alegre, RS.
Alto, com cerca de um metro e oitenta, Custódio chamava atenção por causa de sua beleza. Introvertido, era às vezes
considerado esquisito e mesmo seus melhores amigos afirmam nunca tê-lo conhecido profundamente. Devido à sua vaidade
exagerada, algumas pessoas o consideravam arrogante e até presunçoso. Certa vez Orestes Barbosa fez um comentário, ao ver a
dupla Custódio-Mário Lago: "Ali vai o Narciso com o seu lago..."
Levava uma vida desregrada, alimentava-se mal, e nunca chegava em casa antes das 6 da manhã. Arrumava sempre uma desculpa
para segurar seus amigos até o raiar do sol, pois dizia não suportar a solidão. Depois de sua morte, soube-se que ele era
epiléptico, mas não deixava ninguém saber, porque temia que as pessoas pensassem que era contagiante e assim se afastassem
dele. Tomava uma pílula misteriosa, provavelmente de Luminal, para evitar crises de epilepsia, o que acabou gerando o boato
de que usava drogas.
Ao contrário da grande maioria dos artistas da época, Custódio não freqüentava os pontos de encontro dos compositores, como a
Lapa, a Praça Tiradentes e o Café Papagaio. No Café Nice foi visto poucas vezes. Preferia visitar amigos, cabarés e dancings.
Tornou-se, com o passar do tempo, uma figura misteriosa, rodeada de lendas. Assim como Noel Rosa, seu colega de profissão e
de noitadas, o pianista era amante dos passeios noturnos, convivendo com os mais diversos habitantes da madrugada, desde
mendigos na rua, até intelectuais nos lugares mais chiques da cidade. Numa dessas noites, Custódio foi abordado por um
mendigo e sua família que passavam frio e fome na rua. Sensibilizado, deu ao homem seu relógio de ouro e brilhantes, com
corrente e tudo. Advertido por Mário Lago de que o homem poderia ser preso ao tentar vender o relógio, Custódio telefonou
para todas as delegacias do Centro e avisou que, no caso de encontrarem um mendigo tentando vender um relógio de ouro, nada
fizessem contra o pobre homem, porque ele não era ladrão.
Já num momento de extrema arrogância, ficou profundamente irritado ao ser barrado pelo porteiro que não o conhecia numa peça
de teatro na qual tinha composto a trilha sonora. Quando o funcionário pediu que mostrasse os documentos, Custódio, sem
pensar duas vezes, respondeu-lhe que quem usa documento é malandro. "Cavalheiros usam cartão de visita". Depositou seu cartão
na mão do homem e entrou sem esperar resposta.
Mário Lago, um de seus principais parceiros, narra em seu livro Na rolança do tempo como foi seu primeiro encontro com
Custódio: "Nos primeiros momentos em que me apresentaram ao Custódio Mesquita a impressão não foi das mais agradáveis.
Aconteceu no bar Nacional, na Galeria Cruzeiro. (...) De repente, o secretário de Francisco Alves aproximou-se da mesa. O
cantor, já célebre nessa época, mandava pedir ao Custódio que desse um pulo até sua casa para mostrar as novidades acabadas
de sair do forno. Estava preparando um disco e gostaria de incluir alguma coisa do autor de 'Se a lua contasse'...
- O Chico sabe muito bem onde eu moro. Se está querendo músicas, é só me procurar na Ipiranga, 32. A distância é a mesma,
diga isso para ele.
O pobrezinho do secretário do Francisco Alves saiu que dava pena, quase ao ponto de pedir desculpas por haver nascido,
enquanto o Custódio comentava, mal contendo a irritação:
-Viu só, seu Mário Azevedo, como essa gente está ficando abusada? Era só o que faltava, eu... eu sair de minha casa pra ir
mostrar música a um cantor. Eu sou o Custódio Mesquita, pomba!"1
A popularidade de Custódio crescia dia a dia. Considerado um compositor de extremo talento, fazia qualquer letra brilhar.
Trabalhava excessivamente e sofria as conseqüências de uma tuberculose malcuidada contraída em 1936. Sem se intimidar com a
doença, Custódio persistia em suas noitadas com os amigos até o amanhecer, sem perceber o quanto estava comprometida sua
saúde. Nem mesmo seus casamentos, primeiro com Alda Garrido e posteriormente com Helene Moukhine em 1942, ou o nascimento de
seu filho, Custódio Antônio Georges Moukhine de Mesquita Pinheiro, impediam-no de chegar ao amanhecer. Sua rotina só foi
alterada quando, acometido por uma hepatite, passou mal e foi obrigado a ficar em repouso. Chegou a escrever músicas nos
espaços em branco de um jornal, pois não lhe davam papel para escrever, temendo que se esgotasse compondo. Suas duas últimas
melodias, A dor da saudade e Adeus, escritas no jornal, foram perdidas. Assim sendo, podemos considerar que a última
composição de Custódio foi feita para uma revista de Freire Júnior e o título, por uma ironia do destino, foi escolhido pelo
próprio Custódio: Despedida.
Em 1945, foi nomeado pelo próprio Freire Júnior para ser Conselheiro da SBAT, seu grande sonho, que não chegou a se realizar,
pois Custódio faleceu seis dias antes de assumir o novo cargo. No dia 13 de março de 1945, aos 34 anos, Custódio se despediu
da vida. "Causa mortis" : insuficiência hepática. O discurso de posse do novo cargo, escrito pelo compositor alguns dias
antes de sua morte, foi lido à beira do túmulo durante seu enterro, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
faixas:
Lado 1
01 VELHO REALEJO
(Custódio Mesquita e Sady Cabral)
Sílvio Caldas
02 FEITIÇARIA
(Custódio Mesquita e Evaldo Ruy)
Johnny Alf
03 SAIA DO CAMINHO
(Custódio Mesquita e Evaldo Ruy)
Helena de Lima
04 VAI, MEU SAMBA
(Custódio Mesquita)
Francisco Alves
Lado 2
05 MULHER
(Custódio Mesquita e Sady Cabral)
Sílvio Caldas
06 SE A LUA CONTASSE
(Custódio Mesquita)
Aurora Miranda
07 ENQUANTO HOUVER SAUDADE
(Custódio Mesquita e Mário Lago)
Orlando Silva
08 CAIXINHA DE MÚSICA
(Custódio Mesquita)
Sílvio Caldas
História da MPB - Volume 30 - Gilberto Gil [1970]
Gilberto Passos Gil Moreira nasceu em Salvador, BA, em 26 de junho de 1942. Ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil também é
um espírito inventivo à procura de novos códigos musicais.
A impressionante família baiana tem em Gil um de seus mais revolucionários filhos. O maduro trabalho de hoje nos remete à sua
trajetória colorida, flexível, diversificada e extremamente receptiva. Toda dor e sofrimento do exílio hoje nos parece ter
sido uma grande aventura com seus sons vivos e dançantes.
Gil não foi atraído apenas pela política. O misticismo, a natureza e a cultura negra são muito presentes, destoando sons
eletrônicos em meio a muita percussão e o contraste de ritmos como o rock, o reggae e as batidas nordestinas se fundem numa
sonoridade infindável.
Gil não faz música. Ele investiga, estuda, medita e depois nos canta suas conclusões de uma maneira única, esfuziante e
brasileiríssima.
Susana Gigo Ayres
Faixas:
Lado 1
01 DOMINGO NO PARQUE
[Gilberto Gil]
Gilberto Gil
02 LUNIK 9
[Gilberto Gil]
Gilberto Gil
03 CULTURA E CIVILIZAÇÃO
[Gilberto Gil]
Gal Costa
04 PROCISSÃO
[Gilberto Gil]
Gilberto Gil
lado 2
05 GELÉIA GERAL
[Gilberto Gil e Torquato Neto]
Gilberto Gil
06 RODA
[Gilberto Gil e João Augusto]
Gilberto Gil
07 FREVO RASGADO
[Gilberto Gil]
Gilberto Gil
08 AQUELE ABRAÇO
[Gilberto Gil]
Gilberto Gil
História da MPB - Volume 31 - Geraldo Pereira [1970]
Nascido em Juiz de Fora, em 23 de abril de 1908, esse mineiro conquistou o Brasil com o samba - e como compositor da Estação
Primeira de Mangueira. Geraldo Pereira levou ao extremo o que se entendia por samba sincopado - onde residia sua genialidade.
Trouxe em suas músicas o cotidiano carioca, a mulher e o homem dos morros, uma forma de ver o país em que vivia nos anos 40
que se estende até os dias de hoje. Quem, ao ouvir a irônica Ministério da Economia não diria que essa música com certeza é
recém composta? ("Seu presidente, Sua Excelência mostrou que é de fato / Agora tudo vai ficar barato / Agora o pobre já pode
comer. / Seu presidente, pois era isso que o povo queria / O Ministério da Economia / parece que vai resolver")
Geraldo Pereira ganhou a vida como motorista de caminhão de coleta de lixo, e gastou tudo o que tinha da velha e boa boemia,
por quem viveu e morreu.
Seus sambas atravessaram os tempos e foram retomados na Bossa Nova, com a gravação de Bolinha de Papel em 1961 por João
Gilberto - que trouxe a luz o samba e o nome do homem que, seis anos antes (em 05 de maio de 1955), aos 37 anos, morria numa
briga de faca com o legendário Madame Satã.
Carô Murgel
Faixas:
Lado 1
01 FALSA BAIANA
[Geraldo Pereira]
Ciro Monteiro
02 ESCURINHA
[Geraldo Pereira e Arnaldo Pessos]
Jorge Veiga
03 BOLINHA DE PAPEL
[Geraldo Pereira]
João Gilberto
04 CABRITADA MAL SUCEDIDA
[Geraldo Pereira e Wilson Wanderley]
Geraldo Pereira
Lado 2
01 ESCURINHO
[Geraldo Pereira]
Roberto Silva
02 CHEGOU A BONITONA
[Geraldo Pereira e Jorge Batista]
Blecaute
03 QUE SAMBA BOM
[Geraldo Pereira e Arnaldo Passos]
Martinho da Vila e Os Originais do Samba
04 VOCÊ ESTÁ SUMINDO
[Geraldo Pereira e Jorge de Castro]
Paulinho da Viola
História da MPB - Volume 32 - Billy Blanco [1970]
Natural de Belém do Pará, começou a apresentar-se em cassinos e programas de rádio aos 18 anos, tocando violão. Mais tarde
mudou-se para São Paulo, onde foi estudar arquitetura em 1946, mesmo ano em que surgem suas primeiras composições. Dois anos
depois radicou-se no Rio de Janeiro e formou um grupo musical para tocar na noite. Por essa época conheceu Dolores Duran -
uma das principais intérpretes de suas músicas - e os Anjos do Inferno, que gravaram seu samba "Pra Variar" em 1951. Nos anos
50 sua carreira de compositor deslanchou, e teve músicas gravadas por Dick Farney ("Grande Verdade"), Os Cariocas ("Não Vou
pra Brasília"), Doris Monteiro ("Mocinho Bonito"), entre outros. Em 1954 acontece o lançamento da "Sinfonia do Rio de
Janeiro", em parceria Tom Jobim, com quem havia composto "Tereza da Praia", primeiro sucesso da dupla, gravado pelos "rivais"
Lúcio Alves e Dick Farney. A "Sinfonia" contou com arranjos de Radamés Gnattali e participação de Elizeth Cardoso, Emilinha
Borba, Dick Farney, Doris Monteiro, Os Cariocas, Nora Ney, Jorge Goulart e outros. Em 1960 houve uma regravação, com outro
elenco e arranjos do mesmo Radamés. Outros grandes sucessos foram "Pistom de Gafieira" e "Viva Meu Samba", gravados por
Silvio Caldas; "Camelô", "Praça Mauá" e "Estatutos da Gafieira", por Dolores Duran; "Samba Triste" (com Baden Powell), por
Lúcio Alves, "A Banca do Distinto", por Isaura Garcia. Nos anos 60 participou de festivais e espetáculos, em que começou a
aparecer em público, com seus sambas em estilo de crítica sócio-comportamental. Wilson Simonal, que gravaria seu "Lágrima
Flor" do LP de estréia, foi o intérprete de "Rio dos Meus Amores" no I Festival de Música Brasileira, em 1965. Três anos
depois, obteve o 4º lugar da I Bienal do Samba com "Canto Chorado", defendida por Jair Rodrigues. Desde então passou a se
apresentar com freqüência em espetáculos, shows e casas noturnas. Em 1993 lançou pela Warner o CD "Guajará: Suíte do
Arco-íris".
Faixas:
Lado 1
01 VIVA MEU SAMBA
(Billy Blanco)
Lúcio Alves
02 A BANCA DO DISTINTO
(Billy Blanco)
Isaura Garcia e Conjunto de Walter Wanderley
03 ESTATUTOS DA GAFIEIRA
(Billy Blanco)
Jorge Veiga e Conjunto JOsé Menezes
04 MOCINHO BONITO
(Billy Blanco)
Dóris Monteiro
Lado 2
05 SINFONIA DO RIO DE JANEIRO
(Billy Blanco e Tom Jobim)
Maysa, Jamelão, Os Cariocas e Radamés Gnatalli
06 CAMELÔ
(Billy Blanco)
Billy Blanco
07 PISTON DE GAFIEIRA
(Billy Blanco)
Jorge Veiga e Conjunto José Menezes
08 RIO DO MEU AMOR
(Billy Blanco)
Wilson Simonal
História da MPB - Volume 33 - Sinhô [1970]
José Barbosa da Silva, o Sinhô, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1888 - foi o mais reconhecido compositor
carioca de 1920 (quando explodiram no carnaval carioca o samba Fala meu Louro e a marcha O Pé de Anjo ) até sua morte em 04
de agosto de 1930 - a bordo da velha barca que fazia a travessia entre a Ilha do Governador e o Cais Pharoux.
Polêmico, era constantemente acusado de plagiar composições ou de "se apropriar" indevidamente de músicas alheias garantindo
serem suas. Para isso, tinha sempre uma boa resposta na ponta da língua: "Samba é como passarinho. É de quem pegar". Talvez
por isso foi o primeiro compositor brasileiro a se preocupar com direitos autorais - fazendo questão de carimbar cada uma de
suas partituras com seu nome e assinatura. Isso depois de passar por um terreiro de Candomblé para que seu pai de santo
garantisse o sucesso da música, com uma reza.
José Ramos Tinhorão garantia que Sinhô havia inventado a batida da Bossa Nova com quase 30 anos de antecedência - para
substituir o baixo do violão em voga na época, ele usava as cordas maiores para fazer um acompanhamento à base de
contratempos rítmicos.
Controvertido, mulherengo, vaidoso, maldizente, Sinhô era, na verdade, um dos mais bem-humorados compositores brasileiros do
início do século.
Carô Murgel
FAIXAS
LADO 1
01 O PÉ DE ANJO
(SINHÔ)
BLECAUTE
02 JURA
(SINHÔ)
MÁRIO REIS
03 PIANOLA
(SINHÔ)
JOSÉ BRIAMONTE
04 NÃO QUERO MAIS SABER DELA
(SINHÔ)
FRANCISCO ALVES E ROSA NEGRA
LADO 2
05 GOSTO QUE ME ENROSCO
(SINHÔ)
GILBERTO ALVES
06 ALEGRIAS DE CABOCLO
(SINHÔ)
PAULO TAPAJÓS E A TURMA DO SERENO
07 SAI DA RAIA
(SINHÔ)
JORGE VEIGA
08 CANSEI
(SINHÔ)
PAULINHO DA VIOLA
História da MPB - Volume 34 - Geraldo Vandré [1970]
Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu em Pessoa PB em 12 de Setembro de 1935. Apresentou-se num programa de calouros na Rádio
Tabajara de João Pessoa quando tinha 14 anos. Em Nazaré da Mata, onde cursava o ginásio em internato, participou de alguns
shows organizados para as missões. Foi para o Rio de Janeiro RJ em 1951, e nesse mesmo ano se apresentou no programa de
calouros de César de Alencar, no qual foi desclassificado. Aproximou-se então de Ed Lincoln, que nessa época tocava com Luís
Eça, na boate do Hotel Plaza, tentando cantar nos intervalos das apresentações. Em 1955, com o pseudônimo de Carlos Dias,
defendeu a canção Menina (Carlos Lyra) num concurso musical promovido pela TV-Rio. Mais tarde, o encontro com o folclorista
Valdemar Henrique abriu-lhe a oportunidade de se apresentar no programa da Rádio Roquete Pinto, usando o nome Vandré, que
resultou da abreviatura do nome do pai, José Vandregisilo. Cursou a Faculdade de Direito, do Rio de Janeiro, época em que
participou do Centro Popular de Cultura, da extinta União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu primeiro parceiro,
Carlos Lyra. Passou então a interessar-se mais pela composição, abandonando a idéia de tornar-se cantor. Fez a letra da
música de Carlos Lyra Quem quiser encontrar o amor, gravada por ele em abril de 1961 em 78 rpm, na RGE, e em 1962 por Carlos
Lyra no LP O sambalanço de Carlos Lyra, pela Philips. Esta música seria incluída no episódio "Couro de gato" do filme Cinco
vezes favela, trabalho produzido pelo Centro Popular de Cultura. Em 1962 apresentou-se no Juão Sebastião Bar, em São Paulo
SP, iniciando trabalhos com Luís Roberto, Baden Powell e Vera Brasil. Nesse mesmo ano gravou com Ana Lúcia o Samba em
prelúdio (Baden Powell e Vinícius de Moraes), pela Áudio Fidelity, com grande sucesso, e compôs com Carlos Lyra o samba
Aruanda. Em dezembro de 1964, gravou na Áudio Fidelity seu primeiro LP, apresentando a toada Fica mal com Deus, além de
Menino das laranjas (Téo de Barros). Em 1965 defendeu Sonho de um Carnaval (Chico Buarque) no I FMPB, da TV Excelsior de São
Paulo. No mesmo festival, inscrevera sua composição Hora de lutar, que não se classificou. Essa música foi gravada, no mesmo
ano, num LP homônimo. Nesse período, musicou o filme de Roberto Santos A hora e a vez de Augusto Matraga. No ano seguinte
lançou pela Som Maior o LP Cinco anos de canção, que incluía Pequeno concerto que virou canção, Canção nordestina e Rosa flor
(com Baden Powell). Venceu em São Paulo o FNMP, da TV Excelsior, com a música Porta-estandarte (com Fernando Lona), defendida
por Tuca e Airto Moreira, assinando depois contrato com a Rhodia para excursionar pelo Nordeste com o Trio Novo, formado por
Téo (violão), Airto Moreira (viola caipira) e Heraldo (percussão). Nesse mesmo ano de 1966 venceu ainda o II FMPB, da TV
Record, de São Paulo, com Disparada (com Téo de Barros), na interpretação de Jair Rodrigues, do Trio Novo e do Trio Maraia,
empatando com A banda (Chico Buarque). Obteve ainda o segundo lugar no I FIC, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com O cavaleiro,
parceria com Tuca, que também foi interprete. Em 1967 a TV Record, de São Paulo, concedeu-lhe um programa próprio, Disparada,
com direção de Roberto Santos.
Inscreveu Ventania (com Hilton Accioly) no III FMPB, que foi desclassificada, e De serra, de terra e de mar (com Téo de
Barros e Hermeto Pascoal), no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, que também não obteve classificação. Nesse ano
conseguiu sucesso com Arueira e com o frevo João e Maria (com Hilton Accioly). No mesmo período compôs, a convite dos padres
dominicanos de São Paulo, a Paixão segundo Cristino, alegoria da crucificação de Cristo num contexto nordestino; participou
do programa Canto Geral, depois Canto Permitido, da TV Bandeirantes, de São Paulo. Em 1968 gravou o LP Canto geral pela
Odeon, com Maria Rita, O plantador (com Hilton Accioly) e músicas suas desclassificadas em festivais. Participou ainda do IV
FMPB, com Bonita (com Hilton Accioly). A música foi apresentada duas vezes, pois se desentendera com o parceiro, rompendo com
o Trio Maraia. Nas eliminatórias para o III FIC, em São Paulo, causou impacto com a apresentação de Pra não dizer que não
falei de flores, ou Caminhando; defendeu-a no festival com o Quarteto Livre, integrado por Naná (tumbadora), Franklin
(flauta), Nelson Ângelo (violão) e Geraldo Azevedo (violão e viola), tendo-se classificado em segundo lugar. A música teve
grande êxito, tornando-se uma espécie de hino estudantil, mas teve seu curso interrompido pela censura. Esteve no exílio,
inicialmente no Chile (1968), onde compôs a música Desacordonar, com que venceu um concurso, enquanto Caminhando se tornava
sucesso.
Obrigado a deixar o pais, pois se apresentara em televisão como profissional sem a devida licença, seguiu para a Argélia,
onde assistiu ao Festival Pan-Africano, viajando depois para a então Republica Federal da Alemanha, ocasião em que gravou
alguns programas para a televisão da Baviera. Esteve na Grécia, Áustria, Bulgária, cantando em povoados do interior. Na
Itália, Sérgio Endrigo regravou músicas suas. Em Paris, França, remontou com um grupo de artistas brasileiros a Paixão
segundo Cristino, na igreja de Saint-Germain des Pres, na Páscoa de 1970. Trabalhou com um novo tipo de composição, montada
apenas com assobios e sons de violão, com forte ritmo nordestino. Gravou o LP Das terras de Benvirá, lançado no Brasil pela
Philips em 1973, com Na terra como no céu, Canção primeira e De América. Ainda em 1973 gravou apresentações para o programa
de Flávio Cavalcanti e para o Fantástico, da TV Globo, mas foram censuradas. Em 1982, em Presidente Stroessner, Paraguai,
apresentou-se em um show, rompendo silêncio de 14 anos. Em março de 1995 apresentou-se no Memorial da América Latina, em São
Paulo, no concerto realizado pelo IV Comando Regional (CONAR), em comemoração a Semana da Asa. Na ocasião, um coral de
cadetes lançou sua música Fabiana, uma homenagem a FAB.
Em 1997 o Quinteto Violado lançou o CD Quinteto Violado canta Vandré (selo Atração), incluindo antigos sucessos e apenas uma
música inédita: Republica brasileira. Ainda em 1997, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho regravaram Disparada e Canção
da despedida no CD Grande encontro 2.
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
Art Editora e PubliFolha
Faixas:
Lado 1
01 DISPARADA
(Geraldo Vandré e Théo)
JAIR RODRIGUES E TRIO MARAYÁ
02 PEQUENO CONCERTO QUE VIROU CANÇÃO
(Geraldo Vandré)
GERALDO VANDRÉ
03 CANÇÃO NORDESTINA
(Geraldo Vandré)
GERALDO VANDRÉ
04 JOÃO E MARIA
(Geraldo Vandré e Hilton Accioli)
GERALDO VANDRÉ
Lado 2
01 PORTA-ESTANDARTE
(Geraldo Vandré e Fernando Luna)
GERALDO VANDRÉ
02 CANTIGA BRAVA
(Geraldo Vandré)
GERALDO VANDRÉ
03 FICA MAL COM DEUS
(Geraldo Vandré)
QUARTETO NOVO
04 ARUEIRA
(Geraldo Vandré)
GERALDO VANDRÉ
História da MPB - Volume 35 - Wilson Batista [1970]
Nascido em Campos (RJ), tomou gosto pela música ainda criança, tocando triângulo na Lira de Apolo, banda organizada pelo seu
tio, o maestro Ovídio Batista. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro no fim da década de 20 e se apaixonou pela vida
boêmia do bairro da Lapa, freqüentando cabarés e bares e fazendo amizades com músicos e malandros da região, o que lhe rendeu
algumas prisões. Trabalhou como eletricista e ajudante de contra-regra no Teatro Recreio, mas queria mesmo é viver como
músico. Compôs o seu primeiro samba em 1929 "Na Estrada da Vida", lançado por Araci Cortes e gravado mais tarde por Luís
Barbosa. Passou a atuar como crooner e ritmista na Orquestra de Romeu Malagueta e no começo da década de 30 teve o seu samba,
"Desacato" (em parceria com Paulo Vieira e Murilo Caldas) gravado por três grandes intérpretes da época, Francisco Alves,
Castro Barbosa e Murilo Caldas. Tornou-se, ao lado de Noel Rosa, Assis Valente, Geraldo Pereira, um dos grandes sambistas da
boêmia carioca. Ficou conhecido pela polêmica com Noel Rosa, que gerou sambas inesquecíveis de ambos lados, como "Lenço no
Pescoço", "Mocinho da Vila", "Conversa Fiada", "Frankenstein da Vila" (por causa do queixo defeituoso de Noel), todos
compostos por Wilson, e "Feitiço da Vila", "Palpite Infeliz", "Rapaz Folgado", de Noel. No meio das provocações ficaram
amigos e aparente briga acabou virando disco ("Polêmica"), lançado em 1956 pelos cantores Roberto Paiva e Francisco Egídio.
Wilson continuou trocando o dia pela noite e compondo grandes sambas, como "Mania da Falecida" e "Oh, seu Oscar" (ambos com
Ataulfo Alves), "Acertei no Milhar", delicioso samba de breque feito em parceria com Geraldo Pereira e gravado por Moreira da
Silva, "Emília", com Haroldo Lobo, "Pedreiro Valdemar", com Roberto Martins, e "Balzaquiana", com Nássara. Chegado a uma boa
confusão e flamenguista doente (como comprova o sincopado "Samba Rubro Negro"), tirou sarro da torcida do Vasco (que na época
tinha um dos melhores times do Brasil) compondo "No Boteco do José", sucesso na voz de Linda Batista no carnaval de 1946. O
seu último sucesso do carnaval carioca foi "Cara Boa", marchinha composta em parceria com Jorge de Castro e Alberto Jesus,
gravada por César de Alencar.
Faixas:
Lado 1
01 OH! SEU OSCAR
(Ataulfo Alves)
Ciro Monteiro
02 DEUS NO CÉU, ELA NA TERRA
(Wilson Batista e Marino Pinto)
Carlos Galhardo
03 LENÇO NO PESCOÇO
(Wilson Batista)
Sílvio Caldas
04 EMÍLIA
(Wilson Batista e Haroldo Lobo)
Vassourinha
Lado 2
01 O BONDE DE SÃO JANUÁRIO
(Wilson Batista e Ataulfo Alves)
Ciro Monteiro
02 LOUCO ELA (É Seu Mundo)
(Wilson Batista e Henrique de Almeida)
Noite Ilustrada
03 ACERTEI NO MILHAR
(Wilson Batista e Geraldo Pereira)
Jorge Veiga
04 MEUS VINTE ANOS
(Wilson Batista e Sílvio Caldas)
Sílvio Caldas
História da MPB - Volume 37 - Sérgio Ricardo [1970]
Descendente de família libanesa, nasceu em Marília (SP) e na infância estudou piano. Trabalhou na Rádio Cultura de São
Vicente como locutor e técnico de som e foi pianista em casas noturnas. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1952, onde
conseguiu um emprego de pianista substituindo Tom Jobim. Fez parte primeiro núcleo de compositores de bossa nova e lançou no
começo dos anos 60 os LPs "Não Gosto Mais de Mim" e "A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo". Fez vários shows com os outros
integrantes do movimento, tendo inclusive participado do famoso Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall em Nova York, 1962.
Muitas de suas músicas adotam uma temática social e de protesto. Uma das mais famosas, nessa linha, foi "Zelão", que teve
diversas gravações. Fez trilhas para peças de teatro e filmes, entre eles o "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, "Deus
e Diabo na Terra do Sol", "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" e "Terra em Transe", todos de Glauber Rocha. Em 1967
sua música "Beto Bom de Bola", inscrita no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record levou uma histórica vaia, o
que o fez quebrar seu violão no palco, irritado com a platéia, e atirá-lo nos espectadores. O episódio serviu de título para
seu livro, "Quem Quebrou Meu Violão", lançado em 1991. Nos anos 70 e 80 gravou outros discos e fez trilhas, atividade que
manteve ainda na década de 90. Em 1994 fez shows em Portugal, Angola e Guiné-Bissau, divulgando seu disco com músicas
brasileiras, portuguesas e africanas.
Faixas:
Lado 1
01 ZELÃO
(Sérgio Ricardo)
Sérgio Ricardo
02 PERNAS
(Sérgio Ricardo)
Sérgio Ricardo
03 FOLHA DE PAPEL
(Sérgio Ricardo)
Sérgio Ricardo
04 BICHOS DA NOITE
(Sérgio Ricardo e Joaquim Cardoso)
Sérgio Ricardo
Lado 2
01 JOGO DE DADOS
(Sérgio Ricardo)
Sérgio Ricardo
02 PERSEGUIÇÃO/SERTÃO VAI VIRAR MAR
(Sérgio Ricardo e Glauber Rocha)
Sérgio Ricardo
03 ESSE MUNDO É MEU
(Sérgio Ricardo e Rui Guerra)
Sérgio Ricardo
04 CONVERSAÇÃO DE PAZ
(Sérgio Ricardo)
Sérgio Ricardo
História da MPB - Volume 36 - Antônio Maria [1970]
Antônio Maria - quem diria, era exatamente o oposto do que sugerem suas canções de dor-de-cotovelo. Brincalhão, casado e
feliz com a família que possuía. Nasceu em Recife, PE, em 17 de março de 1921.
Cronista, jornalista, radialista esportivo, Antônio Maria fez de tudo - e fez da alegria sua vida. Apaixonado pela boemia,
virava noites rindo e brincando com Vinícius de Moraes, com Ismael Neto, com quem quisesse achar o prazer da vida.
Um de seus passeios favoritos era ir de Rio para São Paulo, de onde tirava sua inspiração. E para este percurso, compôs, com
Vinícius, Dobrado de amor a São Paulo.
Quando ficou doente (um enfarte), o médico lhe tirou tudo o que gostava: a costela, a feijoada. Seguiu adiante com bom humor
e resignação. Um dia cansou, e veio o segundo infarto. Foi em 15 de outubro de 1964. É sobre ele mesmo que escreveu a tão
famosa frase: "Com vocês, por mais incrível que pareça, Antônio Maria, brasileiro, cansado, 43 anos, cardisplicente (isto é:
desdenha o próprio coração). Profissão: esperança."
Carô Murgel
Faixas:
Lado 1
01 NINGUÉM ME AMA
(Antônio Maria e Fernando Lobo)
NORA NEY
02 FREVO Nº 2 DO RECIFE
(Antônio Maria)
MARIA BETHÂNIA
03 MANHÃ DE CARNAVAL
(Antônio Maria e Luiz Bonfá)
JOÃO GILBERTO
04 MENINO GRANDE
(Antônio Maria)
NORA NEY
Lado 2
01 VALSA DE UMA CIDADE
(Antônio Maria e Ismael Neto)
OS CARIOCAS
02 CANÇÃO DA VOLTA
(Antônio Maria e Ismael Neto)
DOLORES DURAN
03 SUAS MÃOS
(Antônio Maria e Pernambuco)
SILVINHA TELES
04 SE EU MORRESSE AMANHÃ
(Antônio Maria)
DIRCINHA BATISTA
História da MPB - Vol. 38 - Catulo da Paixão Cearense e Cândido das Neves [1970]
CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
Nasceu Catulo da Paixão Cearense em 8 de outubro de 1863, em São Luiz ,Estado do Maranhão, à rua Grande, (hoje Oswaldo Cruz)
nº 66. Filho de Amâncio José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga ( natural do Maranhão). Sua infância
até os 10 anos se passou em São Luiz do Maranhão. Transferiu-se para o sertão agreste cearense onde seus avós maternos
portugueses eram fazendeiros, permanecendo por lá até os 17 anos. Em 1880 em companhia de seus pais e irmãos (Gil e Gerson)
mudou-se para o Rio de Janeiro, na rua São Clemente nº 37, Botafogo. Aos 19 anos interrompeu os estudos e abraçou o violão,
instrumento naquela época, repelido dos lares mais modestos.Iniciante tocador de flauta, a trocou pelo violão, pois assim,
podia cantar suas modinhas. Nesse tempo passou a escrever e cantar as modinhas como, "Talento e Formosura", "Canção do
Africano" e "Invocação a uma estrela". Moralizou o violão levando-o aos salões mais nobres da capital. Em 1908, deu uma
audição no Conservatório de Música. Catulo foi autodidata autentico. Suas primeiras letras foram ensinadas por sua genitora e
toda sua grande cultura foi adquirida em livros que comprava e por sua franquia à Biblioteca do Senador do Império, por ser
professor dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira . "Aprendi musica, como aprendi a fazer versos, naturalmente", dizia o
Velho Marruêro. Seu pai faleceu em 1 de agosto de 1885, desgostoso por seu filho ter abandonado os estudos para ser poeta,
sem tempo de assistir a moralização do violão, o que veio a marcar tremendamente Catulo. À medida que envelhecia mais se
aprimorava. Catulo homem, não se modificava, sempre fiel ao seu estilo. "...Com gramática ou sem gramática, sou um grande
Poeta..". A sua casinhola em Engenho de Dentro, afundada no meio do mato era histórica. Alí recebia seus admiradores,
escritores estrangeiros, acadêmicos nacionais, sempre com banquetes de feijoada e o champagne nunca substituía o paratí, por
mais ilustre que fosse o visitante. As paredes divisórias eram lençóis e sempre que previa a presença de pessoas importantes,
dizia para a mulata transformada em dona de casa. "Cabocla , lave as paredes amanhã , que Domingo vem gente!" Sua primeira
modinha famosa "Ao Luar" foi composta em 1880. Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto
Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha da Silva, Francisco Braga e outros. Como interprete, o maior tenor do Brasil, Vicente
Celestino. Catulo morreu aos 83 anos de idade, em 10 de maio de 1946,a rua Francisca Meyer nº 78, casa 2. Seu corpo foi
embalsamado e exposto a visitação pública até 13 de maio, quando desceu a sepultura no cemitério São Francisco de Paula , no
Largo do Catumbí, ao som de "Luar do Sertão".
Catulo deixou inúmeras obras, tais como:
Canções musicadas
- Luar do Sertão
- Choros ao Violão
- Trovas e Canções
- Cancioneiro Popular
- A Canção do Africano
- O Vagabundo
- Etc...
Livros de Poemas:
- Meu Sertão
- Sertão em Flor
- Poemas Bravios
- Mata Iluminada
- Poemas Escolhidos
- O Milagre de São João
- Etc....
Obras teatrais;
- O Marroeiro
- Flor da Santidade
- E o clássico "Um Boêmio no Céu ".
Comentaram pró Catulo personalidades como:
Julio Dantas, Ruy Barbosa, Machado de Assis, Clóvis Beviláqua, Francisco Braga, Humberto de Campos, Monteiro Lobato, Ignácio
Raposo, Heitor Vila Lobos, Assis Chateaubriand, Bastos Tigre, Amoroso Lima, João Barros, Roquete Pinto, Pedro Lessa, Mário
José de Andrade e outros
(Referências de Guimarães Martins)
Silsonmar da Rocha Costa
Itajubá, 25 de setembro de 2000
CÂNDIDO DAS NEVES (Índio)
Cândido das Neves, apelidado de "Índio", compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24/07/1899 e
faleceu em 04/11/1934. Filho do popular cantor e palhaço Eduardo das Neves, começou a se interessar pelo violão desde os
cinco anos de idade. O pai, no entanto, queria que ele tivesse instrução e por isso colocou-o num colégio interno. Em 1917,
porém, já aparecia como integrante do rancho Heróis da Piedade. Concluiu seus estudos, tendo perdido o pai a 11 de novembro
de 1919, dia de sua formatura. Empregou-se como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, tornando-se conferente de
estação.
Nessa época já compunha e fazia serestas pelas madrugadas cariocas, com seus colegas de trabalho Henrique de Melo Morais (tio
de Vinícius de Morais) e Uriel Lourival, entre outros. Em 1922 gravou, cantando, Saudades do sertão e o fox-trot Quadra de
amor na Odeon (em discos mecânicos da Casa Edison), composições suas. Por 1925-1926 foi transferido para Conselheiro Lafaiete
MG, onde passou um ano, continuando a cantar e tocar nas serestas com os companheiros da Central do Brasil. Sua primeira
gravação de sucesso foi o tango Noite Cheia de Estrelas (inspirado no tango Madre de Francisco Pracanico e Verminio Servetto,
de muito sucesso na época), gravado em 1932, já na fase elétrica, por Vicente Celestino. Suas letras, sempre muito extensas,
cantavam a natureza duma forma romântica, tornando-se muito apreciadas pelo público.
Por volta de 1930 apresentou-se, algumas vezes, no programa de Gastão Lamounier na Rádio Educadora da Brasil, com Melo
Morais, Em 1932 gravou com Melo Morais, fazendo a segunda voz, as canções-sertanejas Rosa morena e Luar de minha terra (ambas
de sua autoria). Nessa mesma época compôs Versos de longe, gravada por Melo Morais. Em suas apresentações era aplaudido não
só pelos seus versos e voz, como também pela sua execução no violão. Dedicou-se também ao ensino, pois escrevia e lia música.
Sempre fiel à modinha popular, compôs também valsas, serestas e tangos.
Em 1932 começou a se afastar gradativamente das rodas boêmias, por problemas de saúde. Em 1934, ganhou o primeiro lugar no
concurso de músicas carnavalescas da revista O Malho, na categoria samba, com Perdi o meu pandeiro, que não foi gravado.
Sofria já, em 1934, da tuberculose galopante na laringe, que o levou à morte. Muitas de suas músicas, que se tornaram grandes
sucessos, só vieram a ser gravadas após seu desaparecimento. Entre elas se encontram A Última Estrofe, inicialmente gravada
em 1932 par Fernando Castro Barbosa, regravada por Orlando Silva em 1935, e que viria a ter gravações de Vicente Celestino,
Nelson Gonçalves e Sílvio Caldas; Lágrimas, gravada por Orlando Silva em 1935; Apoteose do Amor, gravada em 1936 por Orlando
Silva; e Página de Dor, feita em parceria com Pixinguinha, gravada por Orlando Silva em 1938, na Victor.
Obra completa
Abismo de amor, valsa, 1931; Anjo enfermo, canção, 1933; Apoteose do amor, valsa, 1936; Um beijo só (com Bonfiglio de
Oliveira), samba, 1932; Cabocla serrana, canção, 1932; Canção do ceguinho, canção, 1930; Castelos de areia, valsa, 1935;
Cinzas, valsa, 1937; Cinzas do amor, canção, 1930; Com iaiá é assim, samba-canção, 1930; De tanga, samba, 1930; Dileta,
tango-canção, 1932; E nada mais, tango-canção, 1932; Em delírio, canção, 1936; Entre lágrimas, canção, 1932; Foi muamba (com
Pixinguinha), samba carnavalesco, 1930; Fonte abandonada (com Pixinguinha), canção, 1930; lnfeliz amor, tango-canção, 1931;
Íntima lágrima, valsa-modinha, 1929; Jura de Caboclo, canção regional, 1932; Lágrimas, valsa-canção, 1935; Lenda sertaneja,
canção sertaneja, 1930; Luar de minha terra, canção sertaneja, 1933; A maior descoberta, marcha, 1934; Nas asas brancas da
saudade, valsa, 1933; Nênias, tango canção, 1929; Noite cheia de estrelas, tango, 1928; A órfã, canção, 1933; Página de dor
(com Pixinguinha), valsa, 1938; Para sempre adeus, valsa, 1933; Por que gosto de você, samba, 1930; Rancho abandonado (com
Pixinguinha), canção, 1930; Rasguei o teu retrato, tango-canção, 1935; Renúncia em prantos {com Juca Kalut), canção, 1933;
Rosa morena, canção sertaneja, 1933; Sim, mas desencosta, samba-canção, 1930; A última estrofe, noturno, 1932; Vangelina,
canção, 1933; Versos de longe, 1933; Voltaste, canção dolente, 1937.
Fonte: Capital da Seresta
Faixas:
Lado 1
CATULO DA PAIXÃO CEARENSE
01 LUAR DO SERTÃO
(Catulo da Paixão Cearense)
Paulo Tapajós, Coral do Joab e A Turma do Sereno
02 ONTEM AO LUAR
(Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara)
Carlos José
03 FLOR AMOROSA
(Catulo da Paixão Cearense e Joaquim A. da Silva Calado)
Francisco Carlos
04 CABÔCA DI CAXANGÁ
(Catulo da Paixão Cearense)
Paulo Tapajós e A Turma do Sereno
Lado 2
CÂNDIDO DAS NEVES (ÍNDIO)
01 ÚLTIMA ESTROFE
(Cândido das Neves)
Orlando Silva
02 NOITE CHEIA DE ESTRELAS
(Cândido das Neves)
Vicente Celestino
03 CINZAS
(Cândido das Neves)
Paulo Tapajós, Dino e Meira (violões)
04 APOTEOSE DO AMOR
(Cândido das Neves)
Orlando Silva
História da MPB - Vol. 39 - Milton Nascimento [1970]
Que ele, mesmo nascido no Rio de Janeiro, vem de Minas, da terra dos diamantes, lá no fim do mundo, na América do Sul já se
sabe... Os sons de "Mil Tons", antes de serem música, são natureza, com cheiro e textura.
Milton mostra a angústia e a alegria das coisas num jeito simples com uma força primitiva, uma música sem moda ou títulos.
Ele chega de maneira pacata com seus olhos rasgados a descerrar as paisagens do amanhã, num timbre maravilhoso, atravessando
o tempo como uma raça antiga. Um som inquieto, mineiro e aflito, mesclado aos sons do Rock e do Jazz fez de seu trabalho um
dos mais impressionantes da MPB até os dias de hoje.
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada"
Dizer o quê, sobre esse filho? A mãe terra sorri, e agradece.
Carô Murgel
Faixas:
Lado 1
01 TRAVESSIA
Milton Nascimento
02 CANTO LATINO
Milton Nascimento
03 CANÇÃO DO SAL
Elis Regina
04 CATAVENTO
Milton Nascimento
Lado 2
01 VERA CRUZ
Elis Regina
02 AQUI É O PÁIS DO FUTEBOL
Milton Nascimento
03 SENTINELA
Milton Nascimento
04 MORRO VELHO
Milton Nascimento
História da MPB - Vol. 40 - Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga [1970]
Ernesto Nazareth
Ernesto Júlio de Nazareth (Rio de Janeiro, 20 de março de 1863 Jacarepaguá, 1º de Fevereiro de 1934) foi um pianista e
compositor brasileiro, considerado um dos grandes nomes do "tango brasileiro" ou, simplesmente, choro.
"Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", disse o compositor francês
Darius Milhaud sobre Ernesto Nazareth, carioca que fixou o "tango brasileiro" e outros gêneros musicais do Rio de Janeiro de
seu tempo.
Estudou música com os professores Eduardo Madeira e Lucien Lambert. Intérprete constante de suas próprias composições,
apresentava-se como "pianista em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais. De 1910 a 1913, e de 1917 a 1918,
trabalhou na sala de espera do antigo Cinema Odeon (anterior ao da Cinelândia), onde muitas personalidades ilustres iam
àquele estabelecimento apenas para ouvi-lo.
Deixou-nos 211 peças completas para piano. E suas obras mais conhecidas são: "Apanhei-te, cavaquinho!...", "Ameno Resedá"
(polcas), "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", "Turbilhão de beijos" (valsas), "Bambino", "Brejeiro", "Odeon" e
"Duvidoso" (tangos brasileiros).
Ernesto Nazareth ouviu os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, e os levou para o piano, dando-lhes
roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas.
Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacob do Bandolim. O espírito
do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro ou voltando às origens nas cordas do segundo. E é esse
espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, à qual pertence
"Odeon".
Em 1931, o compositor começou a manifestar problemas mentais que motivaram sua internação na colônia Juliano Moreira, em
Jacarepaguá. No dia 1 de fevereiro de 1934, Nazareth fugiu do manicômio e só foi encontrado três dias depois, morto por
afogamento em uma cachoeira próxima.
Chiquinha Gonzaga
Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 Rio de
Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora, pianista e regente brasileira.
Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a
primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório
Peçanha.
Filha de um general do Exército Imperial e de uma mãe humilde e mulata, Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de
pretensões aristocráticas (seu padrinho era o Duque de Caxias. Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade e musicais com
o Maestro Lobo. Desde cedo frequentava rodas de lundu, umbigada e outras músicas populares típicas dos escravos.
Aos 11 anos, inicia sua carreira de compositora com uma música natalina, Canção dos Pastores. Aos 16 anos, por imposição da
família, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial. Não suportando a reclusão do navio onde o
marido servia e as ordens para que não se envolvesse com a música, Chiquinha separou-se.
Consegue, finalmente, abandoná-lo, levando consigo o filho mais velho, João Gualberto. Após a separação, envolveu-se em 1867
com o engenheiro João Batista, mas acaba por não aceitar suas aventuras extraconjugais. Separa-se e passa a viver como
musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho e obteve
grande sucesso, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, uniu-se a um grupo de
músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, apresentando-se em festas.
Chiquinha conheceu João Batista Fernandes Lage, por quem se apaixonou. Na época, tinha 52 anos e João Batista 16, o que fez
com que ela o adotasse como filho para viver esse grande amor. Suas filhas, Maria do Patrocínio e Alice Maria, entraram na
justiça para provar que João não era filho legítimo, mas não levaram a causa adiante. Chiquinha morreu ao lado de João
Batista, em 1935, quando começava Carnaval.
A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de tornar-se a primeira
compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca 'Atraente'. A partir da repercussão de sua primeira
composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes
"A Corte na Roça", de [1885] Em 1911, estreia seu maior sucesso no teatro: a operetaForrobodó, que chegou a 1500
apresentações seguidas após a estreia - até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil. Em1934, aos87 anos,
escreveu sua última composição, a partitura da peça "Maria". Foi criadora da célebre partitura da opereta "A Jurity", de
Viriato Correia.
Viaja pela Europa entre 1902 e 1910, tornando-se especialmente conhecida em Portugal, onde, escreve músicas para diversos
autores. Chiquinha participou ainda, ativamente, da campanha abolicionista e da campanha republicana, e foi fundadora da
Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas
mil composições. em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e
serenatas.
Faixas:
Lado 1
ERNESTO NAZARETH
01 ODEON
Nara Leão
02 AMENO RESEDÁ
Jacob do Bandolim
03 FAMOSO
Garoto (Cavaquinho)
04 APANHEI-TE CAVAQUINHO
Ernesto Nazareth (Piano)
Lado 2
CHIQUINHA GONZAGA
01 Ó ABRE ALAS
Dyrcinha e Linda Batista com Orquestra José Menezes
02 CORTA-JACA
Radamés, Altamiro e José Menezes
03 LUA BRANCA
Paulo Tapajós e a Turma do Sereno
04 FALENA
Grupo da Chiquinha Gonzaga
História da MPB - Volume 41 - Juca Chaves [1970]
Nasceu no Rio e estudou em São Paulo, se interessando desde cedo por música e poesia. Estudou arranjo, contraponto, piano e
teoria musical com renomados professores e na adolescência formou um grupo denominado Seresteiros de São Paulo. Desde os 18
anos fazia sátiras à situação política e econômica do Brasil, por meio de trovas e canções. Começou a fazer sucesso ao mesmo
tempo em que estourava a bossa nova, no final dos anos 50, cantando num estilo meio paródico ao de João Gilberto. Sem nunca
filiar-se ao movimento, compôs sátiras de sucesso utilizando seus fundamentos, como "Nasal Sensual", "Caixinha, Obrigado" e
"Presidente Bossa Nova" (caricaturando/ exaltando o estilo de Juscelino Kubitschek). Auto-exila-se em Lisboa em 1962, onde
continuou atuando com seu estilo caricatural de crítica satírica, tendo problemas com a censura, indo dessa vez para a
Itália, onde viveu por cinco anos. Voltou ao Brasil em 1969, montando o espetáculo solo "Circo Sdruws". Nos anos 70 seu
espetáculo "Vá Tomar Caju" viajou por todo o Brasil e apresentou programas de televisão. Outros êxitos de sua carreira são
"Por Quem Sonha Ana Maria?", "Trenzinho Elétrico", "Take Me Back To Piauí", "Dona Maria Tereza" e "Brasil Já Vai à Guerra".
Mantendo uma postura independente e combativa em relação não só ao meio político mas também ao mercado fonográfico (montou
sua própria gravadora independente, a Sdruws Records e brigou pela numeração dos discos nos anos 80), continua se
apresentando em espetáculos pelo país, em que canta modinhas, trovas e serestas, acompanhado pelo violão ou alaúde.
Faixas:
Lado 1
01 POR QUEM SONHA ANA MARIA
Juca Chaves
02 PEQUENA MARCHA PARA UM GRANDE AMOR
Juca Chaves
03 AQUARELA DE SONHOS
Juca Chaves
04 MEU VIOLÃO MORREU
Juca Chaves
Lado 2
01 AUTO-RETRATO
Juca Chaves
02 CAIXINHA... OBRIGADO!
Juca Chaves
03 PRESIDENTE BOSSA NOVA
Juca Chaves
04 DONA MARIA TEREZA
Juca Chaves
História da MPB - Volume 42 - Haroldo Lobo [1970]
Compositor.
Nasceu no Rio de Janeiro em uma família de músicos. O pai, Quirino Lobo, tocava flauta e violão, e seu irmão Osvaldo Lobo
(Badu) era compositor e baterista.
Iniciou seus estudos musicais (teoria e solfejo) na escola da América Fabril. Desde os 13 anos de idade, compunha sambas para
o Bloco do Urso. Trabalhou como guarda na polícia de vigilância, empregando-se posteriormente na América Fabril. Freqüentador
de cafés, era conhecido no meio pelo apelido de Clarineta por cantar em uma tessitura semelhante à do instrumento.
Considerado, ao lado de Braguinha e Lamartine Babo, um dos três mais expressivos autores do repertório carnavalesco no
Brasil.
Em 1934, teve sua primeira música gravada, "Metralhadora", cujo texto fazia alusão à revolução constitucionalista, feita em
parceria com Donga e Luís Meneses, lançada por Aurora Miranda. Neste mesmo ano, lançou o samba "De madrugada", com Vicente
Paiva, também gravado por Aurora Miranda. Compôs vários sambas em parceria com Milton de Oliveira, um dos quais "Juro" obteve
prêmio da prefeitura do antigo Distrito Federal no carnaval de 1938, tendo sido lançado com sucesso por J. B. de Carvalho.
Para os carnavais de 1940-1941, lançou "O passarinho do relógio" e "O passo do canguru", as duas em parceria com Milton de
Oliveira, trazendo em ambas uma temática que se tornou característica de sua produção, letras envolvendo animais. As duas
músicas foram gravadas por Aracy de Almeida, sendo que a segunda chegou a ser gravada nos Estados Unidos com o título de
"Brazilian Willy", lançada também por Carmen Miranda em 1942. Em 1941, destacou-se com o lançamento de "Alá-lá-ô", uma
parceria com Nássara, gravada por Carlos Galhardo. A história da música começou de fato em 1940, quando um bloco do bairro da
Gávea cantou nas ruas a marcha "Caravana", de autoria de seu patrono Haroldo Lobo. Meses depois, preparando o repertório para
o carnaval de 1941, Haroldo pediu a Nássara para completar a composição, que fez então a segunda parte da música. Destaca-se
ainda nesta gravação a atuação de Pixinguinha, que fez às pressas um arranjo primoroso para o qual criou a introdução e
partes instrumentais executadas ao longo da música. Ainda em 1941, lançou "O bonde do horário já passou", com Milton de
Oliveira e, "Essa vida não é sopa", com Wilson Batista, ambas gravadas por Patrício Teixeira.
Em 1942, lançou "Emília", parceria com Wilson Batista, gravada por Vassourinha e, "A mulher do leiteiro", com Milton de
Oliveira, gravada por Aracy de Almeida. Utilizava em muitas de suas composições temas do cotidiano da cidade e mesmo do país,
como, por exemplo, a marcha "Oito em pé", que comentava a autorização pública para que oito passageiros viajassem em pé nos
coletivos por racionamento de gasolina. Um outro exemplo, também, a marcha "Tem galinha no bonde", cuja letra mencionava a
regulamentação do transporte de galinhas no bonde. Ambas foram gravadas por Aracy de Almeida.
Nos anos de 1943-1944, também na linha de comentário social, lançou "Que passo é esse, Adolfo?", com Roberto Roberti e, "As
ruas do Japão", com Cristóvão de Alencar, em cujas letras satirizava práticas peculiares ao eixo beligerante, Alemanha e
Japão respectivamente. Em 1945, obteve o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval, promovido pela prefeitura do
Distrito Federal, com a marcha "Verão do Havaí", com Benedito Lacerda, gravada por Francisco Alves e Dalva de Oliveira. Ainda
neste ano, fez sucesso com o samba "Rosalina", em parceria com Wilson Batista, gravado por Jorge Veiga.
Em 1946, venceu mais uma vez o concurso de músicas carnavalescas com a marcha "Espanhola", uma parceria com Benedito Lacerda,
lançada por Nélson Gonçalves. Haroldo Lobo era folião dos mais animados e preparava suas músicas de carnaval com muito
cuidado e grande antecedência. Sua dedicação resultava sempre em um grande sucesso popular para cada ano de folia. Dentre
estes, destacam-se "O passo da girafa", com Milton de Oliveira, lançado em 1949 por Aracy de Almeida.
Em 1951, o êxito veio com "O retrato do velho", cuja letra comentava a prática instituída pelo Estado Novo (e sustentada
pelos governos posteriores), que recomendava a colocação de retratos do presidente nas paredes das repartições públicas.
Feita em parceria com Marino Pinto, compositor que sempre teve admiração pelo presidente Getúlio Vargas, esta marcha, na qual
a volta do líder ao poder foi simbolizada no retorno do retrato à parede, foi gravada com enorme sucesso por Francisco Alves.
A marcha só não foi apreciada pelo próprio Getúlio, que detestava ser considerado velho. Em 1955, obteve sucesso no carnaval
com a marcha "Tira essa mulher da minha frente", parceria com Milton de Oliveira e gravada na Copacabana por Jorge Veiga, e
que foi escolhida por um júri reunido no Teatro João Caetano como um das dez mais populares marchas do carnaval daquele ano
Em 1961, mais um grande sucesso com "Índio quer apito", com Milton de Oliveira, uma das composições que mais renderam
direitos autorais. Seu último grande sucesso foi "Tristeza", feito em parceria com Niltinho, lançado em 1965 por Jair
Rodrigues e que acabou sendo executada, a partir de 1967 em todo o mundo, transformando-se em sua única música
internacionalmente reconhecida.
Fonte: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira
Faixas:
Lado 1
01 ALÔ PADEIRO
Déo
02 JURO
J. B. de Carvalho
03 ALÁ-LÁ-Ô
Carlos Galhardo
04 PRA SEU GOVERNO
Gilberto Milfont
Lado 2
01 TRISTEZA
Ary Cordovil
02 CABO LAURINDO
Jorge Veiga
03 E O 56 NÃO VEIO
Déo
04 O PASSARINHO DO RELÓGIO
Aracy de Almeida
História da MPB - Vol. 43 - Johnny Alf [1970]
Alfredo José da Silva, o grande Johnny Alf, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 19 de Maio de 1929. Seu pai, cabo do Exercito,
morreu em 1932 e a mãe foi trabalhar na casa de uma família, que o criou e custeou seus estudos. Começou a aprender piano
clássico aos nove anos, com Geni Borges, amiga da família, logo demonstrando interesse por compositores do cinema
norte-americano, como George Gershwin e Cole Porter. Pelos 14 anos, formou um conjunto com amigos em Vila Isabel, indo tocar
nos fins de semana na Praça Sete, do Andaraí. Cursou ate o segundo ano do Colégio Pedro II, onde entrou em contato com o
pessoal do Instituto Brasil-Estados Unidos, que o convidou para participar de um grupo artístico.
Por sugestão de uma amiga norte-americana, adotou o pseudônimo de Johnny Alf, quando de sua apresentação no programa de jazz
de Paulo Santos, na Radio MEC Trabalhou no escritório de contabilidade da Estrada de Ferro Leopoldina, onde aproveitava os
momentos livres no horário de serviço para escrever musica. Com o grupo do Instituto Brasil-Estados Unidos fundou um clube
para promoção e intercâmbio de musica brasileira e norte-americana, que realizava sessões semanais para analisar
orquestrações, solos etc., alem de apresentar filmes, shows, concertos de jazz, entre outras atividades.
Quando Dick Farney, já profissional e recém-chegado dos EUA, ingressou no grupo em 1949, o clube passou a chamar-se
Sinatra-Farney Fan Club, tendo entre seus sócios Tom Jobim, Nora Ney e Luís Bonfá, entre outros, ainda principiantes. Na
época, tocava durante a noite no clube e pela manha assumia seu posto de cabo no Exercito. Através de Dick Farney e Nora Ney
foi contratado em 1952 como pianista da recém-inaugurada Cantina do César, de propriedade do radialista e apresentador César
de Alencar, dando inicio a sua carreira profissional. Ali a atriz Mary Gonçalves, que tinha sido Rainha do Radio em 1952 e ia
lançar-se como cantora, escolheu três composições suas, Estamos sós, O que é amar e Escuta para incluir no seu LP Convite ao
romance. Em seguida foi convidado para integrar como pianista o conjunto que o violonista Fafá Lemos formou para tocar na
boate Monte Carlo. Nessa época, a convite do produtor Ramalho Neto, gravou na Sinter seu primeiro disco, um 78 rpm com musica
instrumental (piano, contrabaixo e violão) de influencia jazzística, com Falsete, de sua autoria, e De cigarro em cigarro (de
Luís Bonfá). Mais tarde, revezando-se com o pianista Newton Mendonça, tocou na boate Mandarim, indo depois para o Clube da
Chave, boates Drink e Plaza. De seu repertório, duas composições começaram a se destacar, Céu e mar e Rapaz de bem, esta
escrita por volta de 1953 e considerada, em termos melódicos e harmônicos, como musica revolucionaria e precursora da bossa
nova. Em 1955 foi para São Paulo SP, onde tocou na boate Baiuca e no bar Michel, neste ultimo com os então iniciantes
Paulinho Nogueira, Sabá e Luís Chaves. De passagem pelo Rio de Janeiro, no mesmo ano gravou na Copacabana o primeiro 78 rpm
importante de sua carreira, com Rapaz de bem e O tempo e o vento, também de sua autoria. Seis anos depois gravou na RCA seu
primeiro LP, Rapaz de bem, que incluía, entre outras, Ilusão à toa, que também se tornou um grande êxito. Ainda em 1961,
recebeu convite do compositor Chico Feitosa para tocar no Carnegie Hall, em New York, EUA, mas não viajou, permanecendo em
São Paulo. No ano seguinte, retornou ao Rio de Janeiro, tocando no Bottle's Bar, na mesma época em que ali atuavam o Tamba
Trio, Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Silvia Teles. Formou também um conjunto com o baixista Tião Neto e o baterista
Edison Machado, apresentando-se no Little Club e Top Club.
A partir de 1965 realizou varias apresentações no interior de São Paulo. Foi também professor de musica do Conservatório
Meireles, de São Paulo. Em 1967 participou do III FMPB, da TV Record, de São Paulo, com a musica Eu e a brisa, interpretada
pela cantora Márcia. A composição foi desclassificada nas eliminatórias, convertendo-se porém, um mês depois, num dos maiores
sucessos de sua carreira. A essa musica seguiram-se Decisão e Garota da minha cidade, que representam o estilo mais
exteriorizado e desinibido de sua obra. Sua composição Rapaz de bem foi gravada, no exterior, por Lalo Schifrin. Gravou ele
próprio mais dois LPs, Ele e Johnny Alf, na Parlophon, em 197l, e Nós, na Odeon, em 1974. O primeiro incluía Decisão e Garota
da minha cidade, além de Eh, mundo bom taí e Anabela, ambas também de sua autoria. No segundo incluiu suas composições O que
é amar, Nós, Plenilúnio e o samba de Egberto Gismonti e Paulo César Pinheiro Saudações.
Radicado em São Paulo, continua compondo e fazendo shows em casas noturnas, alem de gravar ocasionalmente. Um de seus discos
mais recentes, Olhos negros, conta com participações de Chico Buarque, Roberto Menescal, Leny Andrade e outros, e reúne
sucessos antigos com composições novas como Olhos negros e Nossa festa. Em janeiro de 1998, depois de sete anos sem gravar,
apresentou-se no SESC Pompéia, São Paulo, em A Rosa do Samba, show de lançamento do CD Noel Rosa Letra e musica (selo
Lumiar), que inclui sua nova composição Noel, Rosa do Samba (com Paulo César Pinheiro).
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
Art Editora e PubliFolha
Faixas:
Lado 1
01 EU E A BRISA
Doris Monteiro
02 SEU CHOPIN, DESCULPE (Choro do Minuto)
Johnny Alf
03 ILUSÃO À TOA
Johnny Alf
04 KAÔ-XANGÔ
Zimbo Trio
Lado 2
01 CÉU E MAR
Johnny Alf
02 DISA
Sansa Trio
03 FIM DE SEMANA EM ELDORADO
Johnny Alf
04 RAPAZ DE BEM
Johnny Alf
História da MPB - Vol. 44 - Capiba e Nelson Ferreira [1970]
CAPIBA
Filho de um maestro, nasceu em Pernambuco e mudou-se para a Paraíba na infância. Aprendeu música com o pai, assim como seus
12 irmãos. O apelido Capiba (que na gíria local designava "jumento") era extensivo a toda a família, e, segundo dizem, foi
inaugurado pelo avô do compositor, que era baixinho e teimoso. Aos 16 anos atuava como pianista no cinema de Campina Grande,
e nessa época chegou a pensar em seguir carreira como jogador de futebol. Aos 20 anos a família obrigou-o a abandonar a
música e a bola para estudar. Foi para João Pessoa, mas continuou tocando e compondo, e em 1925, além de empregar-se mais uma
vez como pianista de cinema, sua valsa "Meu Destino" foi editada. Em 1930 conseguiu um emprego no Banco do Brasil e foi para
Recife. Lá entrou para a popular Jazz Band Acadêmica e compôs seu primeiro frevo, "É de Amargar", em 1934, vencendo um
concurso de músicas de carnaval. O frevo foi gravado por Mário Reis no Rio de Janeiro, com enorme sucesso, e consagrou Capiba
como expoente do gênero. Outros frevos de sucesso que se seguiram foram "Manda Essa Tristeza Embora" (1935) e "Quem Vai Pra
Farol É o Bonde de Olinda" (1937). Ganhou diversos prêmios em concursos de música, tendo composições gravadas por intérpretes
consagrados. Em 1943, Nelson Gonçalves lançou o samba-canção "Maria Bethânia", que rapidamente se tornou um sucesso nacional.
Compôs para teatro, em peças de Ariano Suassuna, e com este integrou o Movimento Armorial na década de 70, escrevendo a
"Grande Missa Armorial" e a peça "Terra sem Lei". No fim da década de 40 conheceu o maestro Guerra-Peixe, e com ele tomou
aulas de harmonia e contraponto, chegando a compor peças sinfônicas e de câmara. Nos anos 60 compôs em parceria com Vinicius
de Moraes (musicou o "Soneto da Felicidade") e com Carlos Pena Filho compôs a melodia que seria uma de suas mais famosas, o
samba "A Mesma Rosa Amarela". Depois de se aposentar, resolveu participar dos festivais de música. No II Festival
Internacional da Canção, em 1967, obteve o 5º lugar com "São os do Norte que Vêm" (com Ariano Suassuna), defendida por
Claudionor Germano, o maior intérprete dos seus frevos. No ano seguinte, concorreu no mesmo festival com "A Cantiga de
Jesuíno" (também com Suassuna) e "Por Causa de um Amor". Vários discos foram lançados e eventos foram promovidos em homenagem
a Capiba e à sua música. Um livro ("Capiba, É Frevo, Meu Bem") foi lançado em 1986.
NELSON FERREIRA
Nelson Ferreira nasceu em Pernambuco, filho de um violonista vendedor de jóias e de uma professora primária. Aprendeu a tocar
violão, violino e piano. Fez sua primeira composição aos catorze anos, a valsa Vitória, sob encomenda. Tocou em pensões,
cafés e saraus e nos cinemas Royal e Moderno, no Recife, sendo considerado o pianista mais ouvido na época do cinema mudo.
Foi diretor artístico da Rádio Clube de Pernambuco, convidado por Oscar Moreira Pinto. Também Diretor artístico da Fábrica de
Discos Rozenblit, selo Mocambo. única gravadora de discos instalada nos anos 1950 fora do eixo Rio/São Paulo. Maestro, formou
uma orquestra de frevos cuja fama percorreu todo o Brasil.
Faixas:
Lado 1
CAPIBA
01 MARIA BETÂNIA
Nelson Gonçalves
02 VERDE MAR DE NAVEGAR
Claudionor Germano
03 A MESMA ROSA AMARELA
Maysa
04 NAÇÃO NAGÔ
Os Titulares do Ritmo
Lado 2
NELSON FERREIRA
01 EVOCAÇÃO
As Gatas
02 QUAL É O TOM?
Orquestra RCA
03 MINHA ADORAÇÃO
Nelson Gonçalves
04 EVOCAÇÃO Nº 3
Orquestra RCA
História da MPB - Vol. 45 - Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini [1970]
ADONIRAN BARBOSA
Adoniran Barbosa nasceu em 06 de agosto de 1910, em Valinhos, SP. foi um colecionador nato de apelidos. Seu verdadeiro nome
era João Rubinato - mas cada situação por ele vivida o transformava num novo personagem numa nova história. Ele nos conta a
vida de um típico paulistano, filho de imigrantes italianos, a sobrevivência do paulistano comum numa metrópole que corre,
range e solta fumaça por suas ventas. Através de suas músicas, canta passagens dessa vida sofrida, miserável, juntando o
paradoxo bom humor / realidade - para quê lamúrias?
Tirou de seu dia a dia a idéia e os personagens de suas músicas. Iracema nasceu de uma notícia de jornal - quando uma mulher
havia sido atropelada na Avenida São João.
Adoniran nasceu e morreu pobre - todo o dinheiro que ganhou gastou ajudando ou comemorando sucessos com os amigos - seu
combustível era a realidade - porque então querer viver fora dela? Talvez soubesse que o valor maior de suas canções eram
interpretações como a de Elis ou Clara Nunes.
Foi um grande colecionador de amigos, com seu jeito simples de fala rouca, contador nato de histórias, conquistava o pessoal
do bairro, dos freqüentadores dos botecos onde se sentava para compor o que os cariocas reverenciaram como o único verdadeiro
samba de São Paulo. Mais do que sambista, Adoniran foi o cantor da integridade.
Susana Gigo Ayres
PAULO VANZOLINI
Paulo Emílio Vanzolini nascem em São Paulo SP em 25 de Abril de 1924. Filho de um engenheiro, mudou-se com a família para o
Rio de Janeiro RJ, quando tinha quatro anos. De volta a São Paulo em 1930, cursou o primário no Colégio Rio Branco e fez o
ginásio numa escola publica, terminando o curso em 1938. Quatro anos depois entrou para a Faculdade de Medicina, passando a
freqüentar as rodas boêmias de estudantes e a compor seus primeiros sambas. Saiu da casa dos pais em 1944 e começou a
trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América (programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker), sendo logo
depois convocado para o Exercito, o que o obrigou a interromper os estudos. Dois anos depois, retomou o curso de medicina,
começou a dar aulas no Colégio Bandeirantes e foi trabalhar no Museu de Zoologia, da Universidade de São Paulo. Formou-se em
1947, casou no ano seguinte, e foi para os EUA, onde se doutorou em zoologia, na Universidade de Harvard.
Em São Paulo em 1951, compôs o samba Ronda, por essa época, e publicou um livro de versos, Lira. Convidado por Raul Duarte,
passou a trabalhar na TV Record, de São Paulo, em 1953, produzindo os programas de Araci de Almeida. Ainda em 1953, Bola 7
fez a primeira gravação de Ronda, acompanhado por Garoto e Meneses, nas cordas, Mestre Chiquinho no acordeão e Abel na
clarineta. Mais tarde, em 1959, ofereceu seu samba Volta por cima à cantora Inezita Barroso, que não quis gravá-lo. Por
influencia de seu amigo José Henrique (violonista e dono da boate Zelão), voltou a mostrar o mesmo samba ao cantor Noite
Ilustrada, que o lançou pela Philips em 1963, com grande sucesso. Nesse ano tornou-se diretor do Museu de Zoologia. Continuou
acumulando composições inéditas, conhecidas apenas por restrito grupo de boêmios, principalmente os freqüentadores da boate
Jogral, onde costumava cantar.
Em novembro de 1967, seus amigos Luís Carlos Paraná (dono da boate Jogral) e Marcus Pereira (então dono de uma agencia de
publicidade) resolveram produzir um LP com músicas suas 11 sambas e uma capoeira interpretadas por vários cantores, entre
os quais o próprio Paraná (Capoeira do Arnaldo), Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito) e Cristina (Chorava no meio da
rua). No ano seguinte, com Toquinho, seu único parceiro, inscreveu a música Na boca da noite no II FIC, da TV Globo, vencendo
a parte paulista do concurso. Com Toquinho compôs, ainda, Boba e Noite longa, ambas em 1969. Só teve, porém, novas músicas
gravadas em 1974, ano em que Cristina lançou Cara limpa no seu primeiro LP, e Marcus Pereira, agora dono da gravadora de
mesmo nome, editou um segundo LP A música de Paulo Vanzolini com músicas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques,
entre elas Mulher que não da samba, Falta de mim, Teima quem quer. Em 1997 foi homenageado, na USP, com show em que foi
apresentada uma nova música sua, Quando eu for, eu vou sem pena.
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
Art Editora e PubliFolha
Faixas:
Lado 1
PAULO VANZOLINI
01 PRAÇA CLÓVIS
Chico Buarque
02 CAPOEIRA DO ARNALDO
Carlos Paraná
03 RONDA
Cláudia Morena
04 VOLTA POR CIMA
Adauto Santos
Lado 2
ADONIRAN BARBOSA
01 TREM DAS ONZE
Demônios da Garoa
02 SAMBA DO ARNESTO
Adoniran Barbosa e Os Titulares do Ritmo
03 SAUDOSA MALOCA
Demônios da Garoa
04 TOCAR NA BANDA
Adoniran Barbosa e Os Titulares do Ritmo
História da MPB - Vol. 46 - Elton Medeiros e o Samba de Morro [1970]
Compositor. Cantor. Produtor. Radialista.
Nasceu no bairro da Glória e aos sete anos mudou-se com a família para o subúrbio de Brás de Pina.
O pai, Luís Antônio de Medeiros, funcionário do Arsenal da Marinha, participava de ranchos - como o Flor do Abacate e Mimosas
Cravinas - e costumava fazer festas em sua casa, freqüentada por Heitor dos Prazeres.
Aos oito anos (com seu irmão Aquiles e amigos da vizinhança) formou um bloco que, mais tarde, junto com o Unidos de Sintra,
viria a se tornar o União do Amor. Nessa época, começou a compor os primeiros sambas.
No Colégio Interno João Alfredo, onde estudou na adolescência, aprendeu a tocar saxofone e trombone, participando da banda do
colégio. Também tocava bateria em um conjunto que animava bailes.
Aos 18 anos largou os estudos e, aos 20, começou a trabalhar como funcionário público. Nessa época, conheceu Zé Kéti, futuro
parceiro, e junto com Joacir Santana, do Bloco União do Amor, fundou o Bloco Tupi de Brás de Pina, na rua Guaíba,
transformando-se, mais tarde, na Escola de Samba Tupi de Brás de Pina, mais tarde extinta. Fez parte da Escola até 1953
quando foi para a Aprendizes de Lucas. Nessa Escola, fundou a Ala dos Compositores que, de tão organizada, foi chamada para
ser madrinha da Ala de Compositores da Portela, onde conheceu Alvaiade, Manacéia, Candeia e Valdir 59.
Em 1954, seu samba "Exaltação a São Paulo", composto para a Aprendizes de Lucas, foi apresentado na Rádio Nacional com
arranjo do maestro Radamés Gnattali para violino e caixas-de-fósforo e interpretação de Jorge Goulart. Nessa época, Jamelão
gravou de sua autoria "Falta de queda", pela Continental.
Em 1975, ao lado de Wilson Moreira, Nei Lopes, entre outros, participou da fundação do Grêmio Recreativo de Artes Negras
Quilombo, idealizado por Candeia.
Aos 17 anos tocava de dia na Orquestra Juvenil de Estudantes, que se apresentava na Rádio Roquete Pinto, e à noite tocava
trombone na gafieira Fogão, do compositor Uriel Azevedo.
Em 1959 o cantor Jamelão, acompanhado da Orquestra Tabajara, gravou de sua autoria "Falta de queda".
No início da década de 1960, juntamente com Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Nuno Veloso e Jorge Santana, formou o grupo
A Voz do Morro, que se apresentou uma única vez em um programa de televisão, desfazendo-se logo depois.
Em 1964, passou a freqüentar o Zicartola. Nessa época, conheceu Paulinho da Viola e iniciou parceria com Cartola, compondo "O
sol nascerá". Ainda em 1964, Nara Leão incluiu o samba "O sol nascerá" no show Opinião, composição também gravada no primeiro
LP da cantora. Por essa época escreveu, em parceria com o poeta Walmir Ayala, o espetáculo "Chão de estrelas", baseado na
vida de Orestes Barbosa.
Em 1965 participou do musical "Rosa de Ouro", de Hermínio Bello de Carvalho e Kléber Santos, junto com Nelson Sargento,
Anescarzinho do Salgueiro, Paulinho da Viola e Jair do Cavaquinho, e ainda Clementina de Jesus e Araci Cortes. O musical foi
transformado em dois LPs pela Odeon lançados respectivamente nos anos de 1965 e 1967. Ainda em 1965 integrou o conjunto A Voz
do Morro, desta vez com uma nova formação que incluiu Zé Kéti, Anescarzinho do Salgueiro, Paulinho da Viola, Jair do
Cavaquinho, Oscar Bigode e Zé Cruz - gravou o LP "Roda de samba". Neste mesmo ano Elizeth Cardoso, no disco "Elizeth sobe o
morro", interpretou três composições de sua autoria: "Meu viver", (c/ Jair do Cavaquinho e Kléber Santos); "Folhas no ar" (c/
Hermínio Bello de Carvalho) e "Rosa de ouro", em parceria com Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho.
No ano de 1966 acompanhou Clementina de Jesus no "Festival de Arte Negra", de Dacar e fez a trilha sonora do filme "Edu,
coração de ouro", de Domingos de Oliveira, participando no espetáculo musical brasileiro do "Festival de Cannes" neste mesmo
ano.
Gravou três LPs, de 1967 a 1969, pela Odeon, integrando o conjunto Os Cinco Crioulos, formado por Paulinho da Viola
(substituído por Mauro Duarte), Nelson Sargento, Anescarzinho do Salgueiro e Jair do Cavaquinho. No LP do grupo no ano de
1967 "Samba... No duro" interpretou "Aurora de paz", parceria com o poeta Cacaso.
No ano de 1968 lançou em parceria com Paulinho da Viola o disco "Samba na madrugada", no qual despontou com os sucessos
"Mascarada" (c/ Zé Keti) e "O sol nascerá" (c/ Cartola). Neste mesmo ano Paulinho da Viola, no primeiro disco individual,
interpretou de sua autoria "Meu carnaval", parceria com Cacaso. Neste mesmo ano, integrando o conjunto Rosa de Ouro,
participou do show "Mudando de conversa" (c/ Clementina de Jesus, Cyro Monteiro e Nora Ney), para o qual foi produzido o
disco homônimo e incluída de sua autoria a composição "Se o carnaval acabar", parceria com Mauro Duarte e Hermínio Belo de
Carvalho, interpretada em trio com Cyro Monteiro e Mauro Duarte.
No ano seguinte, em 1969, Elizete Cardoso, no LP "Elizete Cardoso e Zimbo Trio balançam a Sucata", incluiu "Pressentimento"
(c/ Hermínio Bello de Carvalho). Neste mesmo ano de 1969, "Não tem mais jeito" (c/ Maurício Tapajós e Hermínio Bello de
Carvalho) foi incluída no LP "A bossa eterna de Elizete e Ciro volume 2 - de Elizete Cardoso e Ciro Monteiro", lançado pela
gravadora Copacabana e Joel de Castro gravou "Pelas ruas da cidade" (c/ Ivan Salvador). Ainda em 1969 Clara Nunes
classificou-se em terceiro lugar "I Festival da Canção Jovem de Três Rios" com a música "Encontro", de Elton Medeiros e Luís
Sérgio Bilheri.
No ano seguinte, em 1970, "Camisa branca", composta em parceria com Otávio de Morais, foi incluída no LP "Falou e disse", de
Elizete Cardoso, lançado pela gravadora Copacabana.
Em 1973, foi lançado seu primeiro disco solo, do qual destacou-se "Pressentimento" (c/ Hermínio B. de Carvalho), samba que
ficou em terceiro lugar na "1ª Bienal do Samba", da TV Record. Nesse ano, atuou com Paulinho da Viola e o Conjunto Época de
Ouro no show "Sarau", que contou co direção de Sérgio Cabral.
Participou com Paulinho da Viola do "Festival du Marché International du Disque et d'Édition Musicale", em Cannes, no ano de
1975.
Em 1977, junto a Candeia, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, participou do show "Roda" e gravou o LP "Os Quatro grandes
do samba", pela RCA. Neste mesmo ano foi lançado o disco "Elizete Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro -
Fragmentos inéditos do histórico recital realizado no teatro João Caetano em 19 de fevereiro de 1968", no qual foi incluída
sua composição "Rosa de ouro".
Lançou o segundo disco em 1980, contendo "Peito vazio", "Sentimento perdido" e "Vida". Neste mesmo ano, Alcione interpretou
"A ponte", parceria com Paulo César Pinheiro.
Em 1982, atuou no show "O que se leva desta vida", em homenagem a Cyro Monteiro. Ainda em 1982, Elizete Cardoso regravou
"Pressentimento" no LP "Recital - volume 1". A mesma cantora lançou, pela gravadora Som Livre, o LP "Outra vez", disco no
qual incluiu "Velha poeira", de sua autoria em parceria com Luís Moura e Paulo César Pinheiro.
Participou do "Encontro Luso-brasileiro de Cultura", em Faro, Portugal, no ano de 1986.
Em 1989, na Festa da Penha, foi agraciado com a medalha de prata pelo 5º lugar com o samba "Lágrimas", em parceria com Ivan
Salvador.
Em 1991, fez vários shows e workshops na Suécia, acompanhado pelo conjunto Galo Preto, que também participou de seu terceiro
disco, "Mais Feliz", de 1996. No ano seguinte, em 1997, junto a Zé Renato e Mariana de Moraes, fez o show "A alegria
continua", transformado em CD ao vivo. Ainda nesse ano, fez parte do show em homenagem a Herivelto Martins junto com Paulinho
Moska e Ná Ozzetti no Teatro Sesc - Pompéia, São Paulo.
No ano de 1999, juntamente com Nelson Sargento e Grupo Galo Preto, gravou um CD em homenagem a Cartola, "Só Cartola".
No ano 2000, Zeca Pagodinho regravou "A ponte". Ainda em 2000, abriu a série de quatro shows dedicados a Nelson Cavaquinho,
escritos e dirigidos por Ricardo Cravo Albin para o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em comemoração aos 500 anos do
Brasil. Este show, intitulado "Nelson Cavaquinho - parcerias iniciais" foi dividido em cena com Nelson Sargento com
acompanhamento do grupo Galo Preto. Neste mesmo ano participou do disco "A música brasileira deste século por seus autores e
intérpretes - Paulinho da Viola e os Quatro Crioulos, CD no qual foram reunidos os integrantes do grupo Os Cinco Crioulos em
show gravado em julho de 1990 no programa "Ensaio", quando na época teve como convidado Paulinho da Viola, que para sua
surpresa, foram também convidados os outros integrantes (Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros e
Nelson Sargento), em uma homenagem aos 25 anos do antológico show "Rosa de Ouro". O disco foi gravado ao vivo, com conversas
e ainda execução de composições da época, entre elas "Quatro crioulos" (Joacyr Santana e Elton Medeiros), "O sol nascerá"
(Cartola e Elton Medeiros) e "Rosa de ouro", de Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho.
Em 2001, ao lado de Nei Lopes, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Baianinho, Niltinho Tristeza, Casquinha, Zé Luiz, Nilton
Campolino, Monarco, Jair do Cavaquinho, Dauro do Salgueiro, Luiz Grande, Jurandir da Mangueira e Aluízio Machado, participou
do show "Meninos do Rio", apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, o bloco Flor do
Sereno, do bar Bip Bip, em Copacabana, desfilou com três marchas, sendo uma delas, "Marcha regresso", de sua autoria e em
parceria com Maurício Tapajós e Cacaso. Ainda em 2001, lançou pela Rob Digital o CD "Aurora de paz". No disco regravou
"Aurora da paz" composta em parceria com Cacaso e anteriomente gravada pelo grupo Os Cinco Crioulos. Foram também incluídas
no mesmo disco "Samba do meu drama" (c/ Paulinho da Viola), "Psiquiatra" (c/ Zé Ketti), "Azulzinho" (c/ Afonso Machado),
"Conversa com a solidão" (c/ Paulo César Pinheiro), "Não te esqueças de mim (c/ Délcio Carvalho), "Culpa do santo" (c/
Hermínio Bello de Carvalho), "Dançando na chuva" (c/ Paulo Vanzolini), "Valsa triste" (c/ Regina Werneck), "Sambista mais
novo" (c/ Clóvis Beznos), "Estrela" (c/ Roberto Riberti e Eduardo Gudin), "Minha boiada", esta com a participação especial de
Pena Branca, e ainda a composição "Recato", em parceria com o poeta Salgado Maranhão, interpretada em dueto com Zezé Gonzaga.
O disco ainda contou com as participações de Cristóvão Bastos, Paulão Sete Cordas, Maurício Carrilho e Afonso Machado, sendo
lançado em julho do mesmo ano na loja de disco Modern Sound, em Copacabana. Neste mesmo ano de 2001foi lançado o CD "1º
Compasso", gravado ao vivo em show no Paço Imperial, Rio de Janeiro, no qual interpretou de sua autoria "A maioria sem
nenhum", parceria com Mauro Duarte. O grupo A Família Roitman interpretou "Hora do adeus", parceria com Délcio Carvalho. Em
dezembro de 2001 recebeu o "Prêmio Shell" no Canecão, em show que reuniu Elza Soares, Casquinha, Monarco, Jair do Cavaquinho,
Nelson Sargento, Argemiro da Portela, Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela.
No ano de 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj), de Eduardo Granja Coutinho, livro no
qual o autor fez várias referências ao compositor. Neste mesmo ano, juntamente com Zé Renato, Dona Ivone lara e Alcione,
participou do projeto "Concertos MPBR", no Canecão, no Rio de Janeiro. Ainda em 2002, participou como convidado de Teresa
Cristina no disco "A música de Paulinho da Viola", no qual interpretou, em dueto com a cantora, "Tudo se transformou", de
Paulinho da Viola. Também neste disco foi incluída "Onde a dor não tem razão", parceria sua com Paulinho da Viola.
Em 2003, ao lado de Zé Renato, Teresa Cristina e Dona Ivone Lara, apresentou-se na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.
Neste mesmo ano, com Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Renato Braz, Cristina Buarque, Monarco, Velha Guarda da Portela, Elza
Soares, Teresa Cristina, Mar'tnália, Cristina Buarque, Nilze Carvalho, Seu Jorge e Walter Alfaiate, entre outros, participou
do CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", lançado pela gravadora Deckdisc, no qual interpretou "Lama", de autoria de
Mauro Duarte.
No ano de 2004 Zélia Duncan gravou com sucesso a música "Tô", parceria com Tom Zé. Ainda em 2004, no disco "Daqui, dali e de
lá", o grupo Toque de prima gravou de sua autoria "Demorou" (c/ Roque Ferreira).
Em 2005, apresentou-se com Claudio Nucci no Teatro Rival BR, no Rio de Janeiro, em show no qual prestaram homenagem a Ismael
Silva. Neste mesmo ano, em show no Bar Estrela da Lapa, lançou o CD "Bem que mereci", no qual gravou de sua autoria "Tesouro
guardado" (c/ Cláudio Jorge), "Relaxa" e "Tá bem, mulher" (ambas com Carlinhos Vergueiro), "Mundo" (c/ Eduardo Gudin),
"Dívidas" (c/ Paulinho da Viola), "Demorou" (c/ Roque Ferreira), "Antigas lembranças" (c/ Antonio Valente), além da
faixa-título em parceria com Paulinho da Viola. No disco também interpretou "Partiu" (Cartola), "Não avance o sinal" (Ismael
Silva), "Vestido tubinho" (Zé Kéti) e "Lavo minhas mãos", de Nelson Cavaquinho. Neste mesmo ano no disco "Amorágio", do poeta
e letrista Salgado Maranhão, foi incluída a composição "Recato", parceria de ambos, interpretada por Paulinho da Viola.
No ano de 2006, ao lado de Eliane Faria, Monarco, Nilze Carvalho, Gabriel " 9 e Roberto Silva, participou da coletânea
"Circuito original" que reuniu alguns artistas participantes do projeto homônimo, apresentado em bares do Rio de Janeiro. No
CD foram incluídas "Aurora de paz" (c/ Cacaso) e "Culpa do santo", com Hermínio Belo de Carvalho.
Em 2007 participou, ao lado de vários artistas da MPB, tais como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Nélson Sargento, Cláudia
Leite, Diogo Nogueira, Lenine, Zélia Duncan, Pitty, Marcelo D2, Beth Carvalho, Fundo de Quintal, Ivete Sangalo, Jair
Rodrigues, Velha-Guarda da Portela, entre outros, da gravação do primeiro CD e DVD "Cidade do samba", do Selo Zecapagodiscos
(Universal Music), no qual fez dueto com Alcione na faixa "Pressentimento" (c/ Hermínio Bello de Carvalho). O evento foi
apresentado por Ricardo Cravo Albin e contou com a arranjos e produção musical de Rildo Hora, sendo gravado na Cidade do
Samba, no Rio de Janeiro.
Fonte: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira
Faixas:
Lado 1
01 ROSA DE OURO
Conjunto Rosa de Ouro
02 PRESSENTIMENTO
Elza Soares
03 MAIORIA SEM NENHUM
Elton Medeiros
04 FILOSOFIA DO SAMBA
Candeia
05 QUATRO CRIOULOS
Elton Medeiros
Lado 2
01 A VOZ DO MORRO
Zé Keti
02 VIOLA DE MASSARANDUBA
Geraldo Babão
03 CASA DE BAMBA
Martinho da Vila
04 VEM CHEGANDO A MADRUGADA
Noel Rosa de Oliveira
05 DEIXA DE ZANGA
Candeia
História da MPB - Vol. 47 - Dolores Duran e Tito Madi [1970]
Dolores Duran
Adiléa da Silva Rocha - a nossa Dolores Duran - nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 07 de junho de 1930. Foi, com certeza uma
das maiores representantes do samba-canção brasileiro. Começou a cantar muito cedo - seu primeiro prêmio foi aos seis anos de
idade. Aos 15 seu pai morreu - e a menina Adiléa teve que sustentar sua família, cantando, que é o que ela melhor sabia
fazer. Autodidata, dominou o inglês, francês, italiano e espanhol ouvindo músicas, a ponto de Ella Fitzgerald lhe dizer que
foi em sua voz a melhor interpretação que ela já havia ouvido de My Funny Valentine - um clássico da música norte-americana.
Em 1957 - então com 27 anos e recém separada de um casamento desastroso, - Tom Jobim (um estreante!) mostra-lhe uma
composição em parceria com Vinícius de Moraes. Ao ouvir a melodia, Dolores pega um lápis e escreve Por Causa de Você - e
manda um bilhete a Vinícius pedindo-lhe para concordar com a nova letra - e Vinícius prefere a de Dolores. A partir daí
compõe, nos seus últimos dois anos de vida, algumas das mais lindas, tristes e ternas músicas da MPB, como Castigo, A Noite
do Meu Bem, Olha o Tempo Passando e Estrada do Sol, entre outras tantas. Em 23 de outubro de 1959, com 29 anos, chega em casa
às 7:00 da manhã, e diz a sua empregada: "Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer".
Carô Murgel
Tito Madi
O pai e os irmãos tocavam violão, alaúde e bandolim, e aos dez anos começou a tocar e cantar em festas da escola. Mais tarde
trabalhou na rádio de sua cidade natal (Pirajuí, SP), de que se tornou diretor. No final da década de 40 passou a compor e
organizar shows e eventos. Por volta de 1952 foi para São Paulo, onde trabalhou em rádio e televisão. Teve algumas músicas
gravadas durante esse períodos, e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1954. No Rio foi crooner de boates e trabalhou em rádio,
sempre exercendo sua atividade de compositor. Seu primeiro grande sucesso, "Chove Lá Fora", foi gravado em 1957 e lhe rendeu
vários prêmios de composição. A música teve uma versão em inglês, com o nome "It's Raining Outside", gravada por Della Reese
e The Platters. O conjunto vocal norte-americano gravou outras versões de músicas de Madi. O cantor e compositor passou por
diversas gravadoras, lançou discos seus e fez participações especiais, apresentando-se em shows no Brasil e no exterior,
principalmente Estados Unidos. Foi um compositor da geração pré-bossa nova, que teve influência sobre o movimento, com
sambas-canções de harmonização moderna como "Cansei de Ilusões", "Sonho e Saudade", "Carinho e Amor" e "Não Diga Não". Outros
sucessos, "Fracassos de Amor", "Gauchinha Bem Querer".
Faixas:
Lado 1
DOLORES DURAN
01 A NOITE DO MEU BEM
Dolores Duran
02 CASTIGO
Roberto Luna
03 FIM DE CASO
Lucio Alves
04 TERNURA ANTIGA
Tito Madi
Lado 2
TITO MADI
01 BALANÇO ZONA SUL
Wilson Simonal
02 CHOVE LÁ FORA
Tito Madi
03 NÃO DIGA NÃO
Nora Ney
04 SONHO E SAUDADE
Tito Madi
História da MPB - Vol. 48 - Donga e Os Primitivos [1970]
Compositor. Violonista.
Filho de Pedro Joaquim Maria e Amélia Silvana de Araújo, casal que teve ao todo nove filhos. Seu nome de batismo era Ernesto
Joaquim Maria, mas gostava de assinar Ernesto dos Santos. O pai era pedreiro construtor, e tocava bombardino nas horas vagas.
A mãe, a famosa Tia Amélia do grupo das baianas do grupo da Cidade Nova, gostava de cantar modinhas e promovia inúmeras
festas e grandes reuniões de samba.
Seu primeiro instrumento foi o cavaquinho, que começou a aprender aos 14 anos de idade, ouvindo as músicas de Mário
Cavaquinho, de quem era grande admirador. Pouco depois passou a tocar violão. Em 1932, casou-se com a cantora Zaíra de
Oliveira, com quem viveu até a morte desta, ocorrida em 1952. Tiveram uma filha, Lígia dos Santos, pesquisadora e
personalidade influente na vida musical carioca.
Em 1953, casou-se novamente, com Maria, que, no ano 2001, lançou-se como cantora, já aos 90 anos de idade, chegando a gravar
um CD, editado pelo ICCA em 2003.
Por volta de 1913, passou a integrar o "Grupo do Caxangá", conjunto organizado por João Pernambuco, de inspiração nordestina,
tanto no repertório, como na indumentária, onde cada integrante do conjunto adotava para si um codinome sertanejo. Em sua
primeira formação, o grupo reunia João Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca
Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto
(Inácio da Catingueira), Bonfiglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia
Mesquita, Vidraça e Borboleta.
Usava nesse grupo o nome de "Zé Vicente". No carnaval de 1914, o Grupo do Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida
Rio Branco, e "Cabocla de Caxangá" tornou-se grande sucesso musical.
Uma de suas primeiras composições foi a modinha "Olhar de santa", seguida por "Teus olhos dizem tudo", feita na mesma época e
que receberia posteriormente letra de David Nasser. Entrou definitivamente para a história da música popular brasileira, por
ter registrado na Biblioteca Nacional ( 27 de novembro de 1916) a partitura do "Pelo telefone", composição surgida numa
reunião de samba realizada na casa de Tia Ciata, onde também estavam João da Baiana, Caninha, Sinhô, Pixinguinha, Mauro de
Almeida, Buci Moreira, entre outros. O "Pelo telefone" tornou-se uma das composições mais polêmicas de todos os tempos. Desde
o seu lançamento em dezembro de 1916, apareceram vários pretendentes à sua autoria, devido à própria natureza da composição,
surgida numa roda de samba onde diversos participantes improvisavam versos e melodia. Mauro de Almeida, que aparentemente
nunca se preocupou em afirmar sua participação na autoria, declarou em carta ao jornalista Arlequim ser apenas o "arreglador"
dos versos.
Em 1917, teve os sambas carnavalescos "O malhador", parceria com Pixinguinha e Mauro de Almeida e "O veado à meia-noite",
gravadas pelo cantor Baiano e coro, na Odeon. Outro grande sucesso popular do grupo doCaxangá aconteceu no carnaval de 1919
com o samba "Já te digo", de sua parceria com China, lançado pelo Grupo de Caxangá em resposta ao samba "Quem são eles", de
Sinhô, que obteve sucesso no carnaval do ano anteiror. A polêmica começou, na verdade, quando Sinhô compôs "O pé de anjo",
seu primeiro sucesso para o carnaval gravado por Chico Alves, que também estreava. A letra da marcha refere-se com ironia aos
pés avantajados de China. Passado o carnaval, Isaac Frankel, gerente do Cinema Palais, solicitou a Pixinguinha que
selecionasse músicos para apresentação na sala de espera do cinema. Foi assim constituído o conjunto "Os oito batutas", uma
continuação com menos elementos do Grupo Caxangá. Contratados com a finalidade de tocar na sala de espera do cinema, o grupo
tornou-se uma atração à parte, maior até que os próprios filmes. Ernesto Nazareth, Rui Barbosa e Arnaldo Guinle eram seus
admiradores. O povo aglomerava-se na calçada só para ouvi-los. Conquistaram rapidamente a fama de melhor conjunto típico da
música brasileira, empreendendo excursões por São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco. Ainda em 1919, João
Pernambuco, notável violonista e compositor, foi incorporado ao conjunto, no qual permaneceu até o fim de 1921. J. Thomaz,
baterista, compositor e maestro, substituiu Luiz Pinto da Silva em 1921. Em 1920, apresentaram-se em um almoço oferecido ao
rei Alberto, da Bélgica, que estava em visita ao Brasil. Em 28 de janeiro de 1922, embarcaram para Paris, custeados por
Arnaldo Guinle, por sugestão do dançarino Duque, divulgador do maxixe no exterior. Embarcaram apenas sete batutas, razão pela
qual foram anunciados como Os batutas, ou melhor, Les batutas. Eram eles: Pixinguinha, Donga, China, Nelson Alves, José Alves
de Lima, José Monteiro (voz e ritmo), Sizenando Santos (Feniano-pandeiro). Os dois últimos, faziam substituição a Raul e Jacó
Palmieri. J. Thomaz, que não embarcou por motivo de doença, não teve substituto. Estrearam em meados de fevereiro no Dancing
Sheherazade. A temporada prevista para apenas um mês prolongou-se até o final do mês de julho. Retornam ao país em meados de
agosto, para participar das comemorações do centenário da independência do Brasil. Em agosto, foram contratados por Mme.
Rasimi, empresária da Companhia Ba-ta-clan, para atuar na peça "V'la Paris", revista em dois atos e 31 quadros. A revista
ficou em cartaz por oito dias, seguindo para São Paulo. O grupo, porém, não seguiu com a companhia francesa. O primeiro
emprego do conjunto, após a volta ao Brasil, foi no Assírio, onde já haviam atuado. Nas apresentações, Pixinguinha por vezes
trocava a flauta pelo saxtenor, presente que lhe foi dado por Arnaldo Guinle quando ainda estavam em Paris.
Em dezembro do mesmo ano, embarcam para a Argentina, como Os oito batutas, com os mesmos Pixinguinha, Donga, China, Nelson
Alves, José A . de Lima, J.Thomaz, e os novos integrantes Josué Barros ao violão, e J. Ribas ao piano. Na Argentina,
incorporaram Aristides Júlio de Oliveira (Julinho de Oliveira) e convidaram conjuntos brasileiros para participar de suas
apresentações. Em 1923, gravaram para a Victor de Buenos Aires. Após a gravação, divergências entre os integrantes do grupo,
o trouxeram de volta ao Brasil, juntamente com J.Thomaz e Julinho.
Em 1926, passou a integrar o "Carlito Jazz", grupo organizado pelo baterista Carlito para acompanhar a companhia francesa de
revistas "Bataclan" que se exibia no Rio de Janeiro. Com esse conjunto viajou novamente à Europa.
Pouco depois, ao lado de Pixinguinha, organizou a Orquestra Típica Pixinguinha - Donga, conjunto composto só de instrumentos
de sopro, criado para realizar gravações na Parlophon, e que acompanhava cantores como Patrício Teixeira e Castro Barbosa.
Na Odeon, o grupo conservava o nome de Orquestra Típica dos Oito Batutas.
Em 1927, teve o samba "Dona Clara (Não te quero mais)", parceria com João da Baiana, gravado por Patrício Teixeira na Odeon.
Em 1928, já com o nome de Jazz-Band Os Batutas, o grupo excursionou pelo sul do país, estreando em Florianópolis no dia 28 de
agosto. Em dezembro deste mesmo ano, a Orquestra Típica Pixinguinha - Donga, gravou "Carinhoso", música que havia sido
composta cerca de dez anos antes e também gravada anteriormente. Ainda no mesmo ano, teve o samba "Foram-se os malandros",
gravado em dueto por Francisco Alves e Gastão Formenti. Em 1929, formou a Orquestra Típica Donga, com a qual gravou na
Parlophon o maxixe "O meu tipo", de Pascoal Barros. No mesmo ano, Afredo Albuquerque gravou a canção "Miss Brasil", parceria
com De Chocolat. Em1930, compôs com Luiz Peixoto e Marques Porto a "Canção dos infelizes", gravada por Zaíra Cavalcânti. Em
1932, Patrício Teixeira gravou seu samba "Ri melhor quem ri por último" e a marcha "Brasil vitorioso". Em 1932, integrou o
Grupo da Velha Guarda, conjunto organizado por Pixinguinha e que reuniu alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da
época, onde executava cavaquinho, banjo e violão. O grupo realizou inúmeras gravações na Victor, acompanhando também grandes
cantores da época como Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis, entre outros. Em fins de 1932, Pixinguinha organizou na
Victor a orquestra "Diabos do céu", com alguns dos integrantes do Grupo da Velha Guarda, estreando e disco e acompanhando
Carmen Miranda na gravação de "Etc", samba de Assis Valente. No mesmo ano, a canção "No baile de máscaras", parceria com
Valdemar Viana, foi gravada por Gastão Formenti na Victor. Em 1934, teve o samba "Metralhadora", parceria com Luis Menezes e
Haroldo Lobo, gravado por Aurora Miranda na Odeon e a canção "Felicidade que eu não vi", parceria com Luni Montenegro,
gravada por Gastão Formenti na Victor. Em1935, Augusto Calheiros gravou a valsa canção "Coração das plantas", parceria com P.
Menezes e Moreira da Silva, a marcha "Depois de você", com Eduardo de Almeida. Em 1936, teve duas composições gravadas por
Mário Reis, o samba "Esse meio não serve", parceria com Noel Rosa e a marcha "Tira...tira", parceria com Simões. No mesmo
ano, Francisco Alves gravou na Victor a valsa "Pássaro urbano", parceria com Alberto Ribeiro.
Em 1938, gravou pela Odeon , com Seu Conjunto Regional, o samba "Pelo telefone", de sua parceria com Mauro de Almeida e o
tango brasileiro "O corta-jaca", de Chiquinha Gonzaga. Em 1939, Neide Martins gravou duas marchas de sua autoria, "Uma
estrela brilhou", parceria com Sá Róris e "Eterno sonho", parceria com Milton Amaral. Em 1940, Leopoldo Stokowski solicitou a
Villa-Lobos que selecionasse e reunisse os mais representativos artistas de música popular brasileira, para gravação de
músicas destinadas ao Congresso Pan-Americano de Folclore. Villa-Lobos incluiu no grupo escolhido a nata dos verdadeiros
criadores nacionais de música: Pixinguinha, Donga, Cartola, João da Baiana e Zé Espinguela. As gravações realizaram-se na
noite de 7 para 8 de agosto de 1940, a bordo do navio Uruguai atracado no Armazém 4. Foram registradas quarenta músicas, e
dessas quarenta apenas dezesseis chegaram ao disco, reproduzidas nos Estados Unidos em dois álbuns de quatro fonogramas cada
um, sob o título "Columbia presents " Native Brazilian Music" Leopold Stokowski". Nove composições de sua autoria foram
selecionadas: "Cantiga de festa", "Macumba de Oxóssi", "Macumba de Iansã", o samba "Seu Mané Luís", as toadas "Passarinho
bateu asas" e "Ranchinho desfeito", o "Pelo telefone" "Bambo do bambu" e "Que querê". Ainda no mesmo ano, compôs com David
Nasser, a embolada "Na barra da tua saia" e o samba "Romance de um índio", gravadas por Manezinho Araújo. Também no mesmo
ano, fez os arranjos para o motivo popular "Passarinho bateu asas", gravado por Almirante, que no mesmo disco, gravou seu
samba "Seu Mané Luiz", parceria com Cícero de Almeida.
Em 1941, teve a marcha-rancho "Meu jardim", parceria com David Nasser, gravada por Déo. Em 1954, Almirante organizou em São
Paulo o I Festival da Velha Guarda, reunindo vários músicos veteranos do choro. No segundo Festival da Velha Guarda, a
caravana carioca formou em caráter regular um conjunto denominado Velha Guarda do qual faziam parte Pixinguinha, Donga, João
da Baiana, entre outros. Em 1955, alcançaram grande sucesso na Boate Casablanca, constituindo a grande atração do show Zilco
Ribeiro. Nesse mesmo ano, o grupo gravou seu primeiro LP na Sinter "A Velha Guarda", seguido de um outro "Carnaval da Velha
Guarda". Ainda em 1955, Almirante gravou na Sinter o partido alto "Patrão prenda seu gado", parceria com João da Baiana e
Pixinguinha e o samba "Nosso ranchinho", parceria com J. Cascata. Pouco depois de sua morte, ocorrida em 1974, a gravadora
Marcus Pereira lançou seu único LP individual, em que interpretava várias de suas composições. O LP registra ainda trechos do
depoimento concedido ao MIS em maio de 1966, gravação que obteve grande repercussão pública, já que foi a segunda feita para
a posteridade, dela sendo entrevistador o próprio diretor do museu, Ricardo Cravo Albin.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Faixas:
Lado 1
01 VOU TE ABANDONAR
Jorge Veiga
02 ACORDA ADALGISA
Gilberto Alves
03 JOCOSA
Altamiro Carrilho, Abel Ferreira e Radamés Gnatalli
04 ISTO É BOM
Jorge Veiga
05 PELO TELEFONE
Baiano
Lado 2
01 CABIDE DE MOLAMBO
João da Baiana
02 O VATAPÁ
Radamés e seu conjunto
03 CHUÁ, CHUÁ
Nuno Roland
04 SAUDOSA
Altamiro Carrilho, Dino e Meira
05 É BATUCADA
Moreira da Silva
CRÉDITOS: